Tuesday, April 11, 2006

o fim...

Há sempre uma altura em que os sonhos não bastam e em que a realidade se sobrepõe...

Um dia fui feliz, imensamente feliz, um dia em que o mundo fazia sentido e os valores eram claros... depois veio o sucesso, o orgulho, o dinheiro, as vaidades, e os sonhos desapareceram vendidos, trocados por momentos fátuos e realizações estúpidas, em coisas que não valiam a pena...
Podia ter lutado, mas passavam-se os dias e os silêncios prolongavam-se, já não ouvia a chuva a cair preocupado com o concreto, e ao meu lado desaparecia a minha alma gémea, e eu sem encontrar nela o que outrora me parecia tão claro, aquela força que fazia o mundo fazer sentido (run the tests, i know)....
A luta era vã e os dias rotineiros, esperando sempre por sonhos que não chegam, esquecendo que lutar cada dia é a única maneira de fazer os sonhos realizarem-se...
E esvaziado de vontade, de sentido, de vida, assistia a como lentamente me degradava em lutas vãs, por tudo, excepto por aquilo que importava...
E porquê? Porque o orgulho, vaidade e teimosia são sempre arenas de pessoas fracas e impotentes, porque o bom que havia em mim se desconhecia, se ocultava, perdido num olhar acusador, implorando por um mimo, uma palavra, um beijo que poderia dar sentido, ser sentido, e não chegava... sem nunca pedir perfeição...
A rotina degrada, corrompe, o meio prostitui, quando viver é passar mais 1 dia, quando os objectivos se perdem, o que resta senão um bocejar constante?
Procurei aquilo que apenas encontrei no fim, estranhamente porque a pessoa que possuia as respostas, afinal as recusou, e me pesava como um lastro, como um problema sem solução, como um peso sobre o meu peito, sem respirar...
Vivo agora com o sentido de que fui feliz um dia, e tudo quebrou, vivo para desacreditar, vivo, o que é bastante diferente de sobreviver...
A poeira das vaidades, dos orgulhos, dos sucessos que agora tudo cobre como para me lembrar que não serão estátuas rígidas, imutáveis, processos, conquistas o melhor tributo a mim... Apenas estou aqui para dar, dar sempre, viver, intenso, real, uno, nunca ser metade de mim naquilo que faço e imprimir no coração e alma dos que me rodeiam, um pouco de acção, um pouco de bem, e ter em cada sorriso esse tributo a mim...
E quando a poeira pesa, e de novo me inclino no precipicio pessoal, vejo como me arrasto de novo para questões insolúveis, para coisas más que nunca deveriam existir, para um vazio de sentido e sentimento...
Não tenho mais nada para te dar, meu amor, nada porque lutar, nada para fazer sentido...
E não, não serei o melhor, não serei eu quem de novo te dará vida, te mostrará o lago e nele reencontres a tua face, o teu melhor, não serei eu que te deixarei respirar...
E um sentido outrora tão claro perdeu-se para não mais se encontrar, uma alma partida, esquecida do seu melhor, mas que prossegue para lutar mais um dia...
O sentido perdeu-se e deixou sonhos por cumprir, uma luta por fazer, o melhor por dar...
TEMPS EDAT RERUM
E quando estava a desaparecer no templo, fundido com a areia que me amparava a queda, uma voz ouviu-se (e cantava!) uma mão estendeu-se...
E eu desacreditado nas forças que me poderiam levar a agarrá-la, vacilei...
E um latido escutou-se, o sincronismo aconteceu, o mar devolveu a paz, o vento deixou ver as estrelas...
O sonho incumpriu-se
Incumpriu-se uma vida
Mais uma vez sou inteiro
Para viver!

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