<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327</id><updated>2012-02-16T07:37:43.445Z</updated><title type='text'>the way...</title><subtitle type='html'>you have always the path beneath you</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>259</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-1701245085744866833</id><published>2011-10-18T15:37:00.000+01:00</published><updated>2011-10-18T15:37:57.831+01:00</updated><title type='text'>tarde</title><content type='html'>nunca parto inteiramente,...&lt;br /&gt;vivo de 2 vontades&lt;br /&gt;1 que vai na corrente&lt;br /&gt;a outra presa à nascente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;água, sol, lua, pedra, lâmina, álcool, fucga, espaço, angola, frança, jogo, preconceito, treta usurpação, perda, aniversário, memória, uso, som, computador, lifeline, trivial, preconceito, 200 kilometros hora, medo, rotunda, semáforo, urbano, leça, apartamento, lida, gato, fora, furos, azul, tertulia, 75 euros, preço, comida, análise, cerveja, esplanada, sol, ar condivionado, aquário, palavras, adeus, conceitos, usura, dinheiro, propósito, convicção, austeridade, falhar, ponte, rio, nevoeiro, escadas, lixo, espaço, carro, pai, obras, pó, preguiça, nascente, absurdo, ultimato, final, sonho, trabalho, propósito, lua, logo, tempo, adicional, incondicional, mentira, oposto, verdade, luta, permanência, roda, raio, vida, material, colunas, stress, palavras, arrogância, humildade, porta, jogo, gordo, vontades, minimalista, tapete, fome, sons, adicionar, reunião, farto, coisas, absurdo, monopólio, folhas de papel, órgão, caneta, ponta dos dedos, cigarros, cinza, jardim, lasca, ornatos, marta, ar, amor, perda, coping, fé, pecado, absurdo, monólito, trauma, insubmissão, monotonia, desejo, morte, doença, municiamento, unitário, calibre, ferida, sangue, coagulação, tarde&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-1701245085744866833?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/1701245085744866833/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=1701245085744866833&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1701245085744866833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1701245085744866833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2011/10/tarde.html' title='tarde'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-1537975535857961494</id><published>2011-10-08T01:37:00.000+01:00</published><updated>2011-10-08T01:37:35.025+01:00</updated><title type='text'>big fish</title><content type='html'>há algo de frio na palma da minha mão&lt;br /&gt;e não é (de todo) a tua pele&lt;br /&gt;é só algo de vidro, transparente, algo como uma janela que podia estar aberta sobre nós e não está&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;algo que poderia ser alguma coisa, e não é&lt;br /&gt;não sai daquele pequeno reino de coisas, que só existem em nós pela saudade que temos em ser alguma coisa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se o que temos entre nós é só vidro, diz-me porquê resisto à tentação de o quebrar?&lt;br /&gt;porque tu e eu descobrimos que o mal está entre 2 coisas boas, e nós no meio, sem saber para que lado pender&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não nos pertencemos, pertencemos ao nosso desejo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pertencemos ao nosso amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pertencemos a esse reino de fumo, ou a esse outro reino de prata&lt;br /&gt;pertencemos a 2 mundos separados por uma camada de vidro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e não chegamos a lado nenhum, excepto aos próprios dias que se seguem um ao outro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;noutro tempo, noutro mundo&lt;br /&gt;estaremos juntos&lt;br /&gt;quando esquecer como é difícil ter saudades tuas, sem saber, verdadeiramente, onde é que estás...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-1537975535857961494?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/1537975535857961494/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=1537975535857961494&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1537975535857961494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1537975535857961494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2011/10/big-fish.html' title='big fish'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-1786076578123146856</id><published>2011-08-23T00:39:00.000+01:00</published><updated>2011-08-23T00:39:28.309+01:00</updated><title type='text'>Marta</title><content type='html'>não é no meu colo&lt;br /&gt;não é de onde vim&lt;br /&gt;não é do que trago na mão&lt;br /&gt;não é nada de mim em nada do que faço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no fundo não te trago nada, apenas descrença&lt;br /&gt;descrença a mãos cheias a envenenar-me a alma&lt;br /&gt;por isso são apenas mãos que te tocam, não tem nada de mágico nelas, não tem qualquer tipo de salvação, perdem-se no ar, entre o espaço que nos separa, ficam paradas ou desenham figuras, fazem um pouco de tudo, mas não fazem nada daquilo que lhes peço&lt;br /&gt;destinam-se apenas a calcorrear caminhos, destinam-se apenas a sujar-se de poeira, não se destinam a nada&lt;br /&gt;destinam-se a encontrar o próximo segundo de existência, a colaborar nesta farsa&lt;br /&gt;destinam-se apenas ao instante seguinte e nada mais&lt;br /&gt;não lhe importam consequências&lt;br /&gt;tens menos vida do que elas, e já sabes um pouco mais da vida, fazes algo mais com elas&lt;br /&gt;se pudesse dar-te energia, se pudesse arrancar-te do chão, se pudesse fazer dos teus dias algo mais do que um combate perdido, encontrarias a meio caminho as minhas, será que me devolverias ao chão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;será que se pudesses me amarrarias ao chão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;será que na verdade o desejarias se por milagre, as pudesses levantar, se na verdade o pudesses saber, se na verdade as encontrarias&lt;br /&gt;ou na verdade apenas tens um peso em cada uma delas e te encontras amarrada ao chão&lt;br /&gt;amarrada ao ruído constante que trazes contigo, aos fios que de ti pendem amarrados com fitas cor de rosa&lt;br /&gt;dizem-te que és menina mas não viverás tempo suficiente para saber o que é ser mulher&lt;br /&gt;e desconfia se te disserem que precisas de tempo&lt;br /&gt;se servir de alguma coisa, estou aqui eu para provar que é mentira&lt;br /&gt;não são os anos que fazem de ti pessoa&lt;br /&gt;é esse abraço que trocas com a tua mãe, esse vinculo indissociável que te prende a ela, mais forte que qualquer abraço&lt;br /&gt;é nessa saliva que vertes sem te poder conter sobre o ombro da tua mãe&lt;br /&gt;o que estamos ambos, tu e eu a fazer aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;passamos há muito o nosso tempo limite, a nossa data de validade expirou e apenas queremos voltar ao tempo que conhecemos, ou que imaginamos feliz&lt;br /&gt;queremos terminar por aqui&lt;br /&gt;como terminam os 15 minutos de fama com que engano o presente, a troco de algo&lt;br /&gt;queremos terminar por aqui&lt;br /&gt;e ligam-nos aos 2 à vida, por um cordão umbilical difícil de discernir&lt;br /&gt;queremos cortá-lo sem ter ferramentas para tal&lt;br /&gt;queremos desligar da corrente, queremos parar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e ambos temos a certeza&lt;br /&gt;que o nosso coração parará, porque simplesmente&lt;br /&gt;ele já bateu demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-1786076578123146856?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/1786076578123146856/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=1786076578123146856&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1786076578123146856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1786076578123146856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2011/08/marta.html' title='Marta'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-6609279740513846510</id><published>2011-07-31T03:43:00.000+01:00</published><updated>2011-07-31T03:43:34.973+01:00</updated><title type='text'>kings of medicine</title><content type='html'>Don't leave me here to pass through time&lt;br /&gt;'cause I, 'cause I..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desta vez não há grande desculpa&lt;br /&gt;apenas uma arma apontada à cabeça e uma necessidade de resposta rápida a pressionar forte contra o céu da boca&lt;br /&gt;bebemos mais um trago de um copo vazio e vamos terminando beatas em cinzeiros já de si demasiado cheios, pode ser por tudo aquilo que fazemos, mas se os nossos olhos insistem em fechar, não há término possível para uma ansiedade muito própria&lt;br /&gt;um pouco como o cão que ouvimos latir à distância sem nos conformarmos com a explicação simples de que tem apenas fome, e que algo, tão grande como o que temos dentro, pode terminar com meia dúzia de ossos e alguma carne agarrada, espalhado de encontro a uma terrina de inox que passou todo o dia vazia&lt;br /&gt;somos nós que continuamos vazios&lt;br /&gt;tão vazios como sempre estivemos sem alimento que chegue para preencher esta fome&lt;br /&gt;sem água pura que chegue para matar esta sede&lt;br /&gt;estamos um pouco fartos de desertos, mais ainda fartos de noites&lt;br /&gt;queremos algo dos dias, queremos algo mais do que pratos vazios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;está tudo inacabado como a palavra porquê, estamos fartos de terminar as frases com pontos de interrogação e de passar rápido a mão por teclados, arrancando palavras como quem arranja notas&lt;br /&gt;por deus, estamos fartos&lt;br /&gt;estamos cansados&lt;br /&gt;estamos terminados, tu e eu e mais alguém que se detenha por 2 segundos e se pergunte, como nós perguntamos, se há algum sentido para além da bala mágica que nos espera à idade certa para a colher&lt;br /&gt;somos ou seremos uma flecha em andamento, até que o momento cesse e ela termine no chão&lt;br /&gt;perdoem-me se não me contento com planos incompletos&lt;br /&gt;de tão vazias as coisas, nem lhes conseguimos medir o sentido, nem responder porque estão erradas&lt;br /&gt;somos crianças olhando apenas para um brinquedo partido sem qualquer ideia de como o arranjar&lt;br /&gt;ou para que propósito estava criado&lt;br /&gt;entre o tudo e o nada há-de haver qualquer coisa que nos escapa&lt;br /&gt;qualquer coisa com 21 gramas&lt;br /&gt;qualquer coisa ou qualquer eu, que pertença a outro espaço, que pertença a outro tempo&lt;br /&gt;mas outro eu a que não lhe falte nenhuma peça&lt;br /&gt;nem a outro eu que por falta de eternidade lhe possam chamar de falso&lt;br /&gt;não me digam que a verdade tem de vir hoje, escrita a relevo em latim&lt;br /&gt;ela tarda, chega no segundo anterior ou espera pelo dia a seguir&lt;br /&gt;termina como um cigarro, enrolado e consumido, apagado numa beata, varrido de um chão&lt;br /&gt;mas nunca tarda sobre nós, elevando-nos para além do lixo&lt;br /&gt;e o que deixa para trás, para além de punhos fechados&lt;br /&gt;é tudo o que é mau, tudo o que construimos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;somos apenas um sinal menos e na ausência da multiplicação&lt;br /&gt;o que há em nós tem de crescer&lt;br /&gt;sem sonhar sequer numa ascenção em vertical&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-6609279740513846510?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/6609279740513846510/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=6609279740513846510&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/6609279740513846510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/6609279740513846510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2011/07/kings-of-medicine.html' title='kings of medicine'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-7596032217044479541</id><published>2011-06-23T12:06:00.000+01:00</published><updated>2011-06-23T12:06:21.468+01:00</updated><title type='text'>D is for Dangerous</title><content type='html'>everyone needs standards&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias são de facas longas.&lt;br /&gt;Como outrora, há um ajuste de contas a fazer, sem que de um ou de outro lado da barricada haja algo semelhante a um inocente.&lt;br /&gt;Há em todos os olhares algo de culpado que persiste. Há algo de ácido nas palavras que trocamos e em todas as medidas de segurança que salvaguardarmos.&lt;br /&gt;Cada vez mais o nosso amor por nós próprios cresce a expensas dos outros.&lt;br /&gt;E o que sobra é uma indiferença insana, algo que nos empurra pelos dias fora como uma bola de neve a rolar por uma encosta, não é possível alterar a nossa trajectória por nada, ou o mesmo é dizer, não há nada porque valha a pena mudar a nossa trajectória. Terminamos sozinhos, esmagados contra alguma pedra ou contra alguma árvore, mas orgulhosos, profundamente orgulhosos, perfeitamente sozinhos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falam-me como antigamente de algo parecido a um irmão, ensinam-me erradamente algo que ressoa a solidariedade, mas a ética que prevalece termina nos limites do nosso próprio umbigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero que se detenham para me levantarem do chão se o não conseguem. Quero simplesmente que se fodam, eles e mais as putas que os pariram, não me venham com conversas, estou rodeado de enfeites de natal, bolas de cores coloridas presas a um cordel, que para nada mais servem do que para serem pendurados na árvore do destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Termino sozinho e numa nota breve. Nasci para ser mau, não para pertencer a um jogo, há 2011 anos atrás diziam que isso garantia o céu, meu deus, desde quando inventaste agulhas suficientemente largas para camelos, e demasiado pequenas para linhas?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-7596032217044479541?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/7596032217044479541/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=7596032217044479541&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/7596032217044479541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/7596032217044479541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2011/06/d-is-for-dangerous.html' title='D is for Dangerous'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-2385648496369414620</id><published>2011-03-26T22:48:00.000Z</published><updated>2011-03-26T22:48:12.247Z</updated><title type='text'>sindrome da Alice</title><content type='html'>If you’re free you’ll never see the walls&lt;br /&gt;If you’re head is clear you’ll never freefall&lt;br /&gt;If you’re out right you never fear the wrong&lt;br /&gt;If you’re head is high you never fear at all&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não estavas ao meu lado naquele quarto de hotel quando partiram&lt;br /&gt;e seguramente não acordaste ao meu lado na manhã seguinte para me apertar o nó da gravata e prometer que tudo ia correr bem&lt;br /&gt;não&lt;br /&gt;estavas do outro lado&lt;br /&gt;num aquário de vidro a distribuir sorrisos como lubrificante social&lt;br /&gt;afinal tu és o centro do mundo, perdoa-me se não gravito à tua volta&lt;br /&gt;não tenho muros que me cerquem e posso com a mesma naturalidade colocar a cabeça sob uma lâmina por amor a uma palavra que desconheces&lt;br /&gt;ou simplesmente mudar o mundo por quem está ao meu lado&lt;br /&gt;eu não sou bom&lt;br /&gt;apenas tento ser decente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;passar incólume sem conhecer o destino apenas por achar que o caminho que me leva lá é tão importante quanto o ponto de chegada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;já o disse atrás, eu não sou bom&lt;br /&gt;nem o quero ser&lt;br /&gt;tenho tanto de herói como de ódio a circular em mim&lt;br /&gt;apenas procuro o equilibrio que torne as minhas noites sãs e as minhas manhãs tranquilas&lt;br /&gt;e não é por conheceres o destino que queres para ti que partilho o teu caminho&lt;br /&gt;apenas te olho com estranheza por ver que por pormenores pessoas tão próximas divergem... mas afinal não é por culpa minha, se ainda te estendo a mão porque acredito, não tenho culpa que a deixes vazia e a troques por promessas vãs...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a traição é tão fácil de perdoar... se ao menos pudesses ver o pouco porque te trocas, por um punhado de nada e outra mão cheia de coisa nenhuma, ganhaste o que eu perdi... sorris... e com isso estilhaças o vidro e perdes o reflexo... não passas de um boneco de trapos trapaceado na mão de gigantes, não tens mais recheio que palha, não tens mais fibra que chita, sorris, sorris sempre na tua hora em cena... e terás toda a eternidade para que todos se esqueçam de ti...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-2385648496369414620?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/2385648496369414620/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=2385648496369414620&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2385648496369414620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2385648496369414620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2011/03/sindrome-da-alice.html' title='sindrome da Alice'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-1375195424712072233</id><published>2011-03-14T21:49:00.000Z</published><updated>2011-03-14T21:49:42.157Z</updated><title type='text'>drowning by numbers</title><content type='html'>don't you think you're in this song?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não... não são os teus braços que me vão devolver a dignidade&lt;br /&gt;por muito que me apertes contra o teu peito e me prometas que tudo vai ficar bem...&lt;br /&gt;as tuas lágrimas continuam a bater contra o meu peito, sem conseguir quebrar o meu selo&lt;br /&gt;nunca estivemos tão longe meu amor&lt;br /&gt;nunca como agora que me seguras sobre a chuva e me impedes de cair...&lt;br /&gt;nunca como agora que me pedes para continuar&lt;br /&gt;nunca como quando o meu coração se detém entre batidas e fica suspenso entre os nossos corpos unidos, nem nesse momento tudo fica bem, porque no fundo&lt;br /&gt;não me apertas contra ti&lt;br /&gt;apertas-me contra um pedaço frio de metal&lt;br /&gt;e não consigo deixar de sentir que o meu corpo se funde com ele, e não com os teus braços&lt;br /&gt;vamos separar-nos aqui&lt;br /&gt;e não há nada que possamos dizer para evitar este destino&lt;br /&gt;por muito que não me deixes partir da tua beira&lt;br /&gt;eu já estou lá, do outro lado da estrada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e portanto podes abraçar-me&lt;br /&gt;dizer-me que tudo vai ficar bem&lt;br /&gt;afinal a mentira que repetimos não se transforma em verdade por apenas acreditarmos que sim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;afinal nem eu nem tu, valemos algo mais do que isto&lt;br /&gt;entre a minha solidão galopante e a tua falta de escrúpulos há um ano luz de distância e é essa a nossa verdadeira distância mesmo que a nossa pele se toque&lt;br /&gt;recriminar-te-ia se fosse melhor&lt;br /&gt;preferiria um momento de raiva a esta impotência total&lt;br /&gt;não é por te culpar que não durmo de noite&lt;br /&gt;é por esta sensação de vazio que senti quando me apertaste contra ti&lt;br /&gt;partimos em caminhos diferentes, sem nenhum de nós querer&lt;br /&gt;restava-nos destilar a nossa própria culpa e esperar por um dia melhor&lt;br /&gt;agora quando te vejo, nem o nosso olhar é capaz de cruzar, nem o nosso corpo é capaz de dar o passo necessário para abrir um caminho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;amanhã, tento de novo&lt;br /&gt;não porque acredite, mas porque me fazes falta&lt;br /&gt;só tenho amor por ti na partida, na chegada há apenas distância&lt;br /&gt;com uma estrada coberta de triângulos vermelhos, sinalizando o perigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-1375195424712072233?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/1375195424712072233/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=1375195424712072233&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1375195424712072233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1375195424712072233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2011/03/drowning-by-numbers.html' title='drowning by numbers'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-1736802934146180820</id><published>2011-03-11T00:48:00.002Z</published><updated>2011-03-11T00:52:07.809Z</updated><title type='text'>frances farmer will have her revenge on Seattle</title><content type='html'>Havemos de chegar a algum lado não é?&lt;br /&gt;Mais não seja quando o telemóvel tocar discretamente a um canto da sala e nos desperte a ambos para a realidade dura que nos espera lá fora&lt;br /&gt;a troca terminou, é tempo de dizer adeus&lt;br /&gt;de fazer a conta ao que ganhamos e ao que perdemos com isto&lt;br /&gt;de levar connosco um cheiro entranhado na roupa e nas mãos, e a alma suja por tão baixo cairmos&lt;br /&gt;havemos de fazer um balanço, e claro, chegaremos a qualquer sítio...&lt;br /&gt;mesmo que nos surpreendamos com o destino&lt;br /&gt;mesmo que acreditemos que na verdade merecíamos estar noutro lado qualquer, o que sobra ao fim do dia é o local onde estamos e não aquele onde desejaríamos estar&lt;br /&gt;à margem anotaremos promessas, e sonhos, e coisas&lt;br /&gt;uma data de tralha inútil que cai como aparas de madeira da mesa polida dos dias&lt;br /&gt;não nos servirá de nada, ou alterará o balanço&lt;br /&gt;e é todavia, na margem das páginas que encontramos um sentido oculto qualquer que nos permite aguentar os dias&lt;br /&gt;chamamos-lhe cada dia um nome diferente, é feito da mesma matéria dos sonhos e é tão intangível como eles&lt;br /&gt;é aquilo que nos cansa e nos permite passar a noite sem pensar em mais nada que não em dormir&lt;br /&gt;é aquilo que nos conduz à loucura, ao impulso, à vela ardendo sobre um móvel barato&lt;br /&gt;e nós deitados sob a sua chama tremeluzente perguntando insistentemente sobre de que maneira chegamos ali&lt;br /&gt;não há resposta, só uma acção indiferente e mais uma coisa impossível, ardendo ao lado da vela, velando por nós, esperando que mais uma coisa apareça e nos canse, e nos remeta de novo para a cama sem outro sonho ligado que não memórias distantes, disformes, distópicas de um futuro que apenas arriscamos a sonhar, faltando em nós coragem, ou um balanço positivo que seja, para o deixarmos tomar conta dos dias, sem este cheiro entranhado nas mãos que nos dá a volta ao estômago e não nos deixa dormir...&lt;br /&gt;amanhã é sexta mas podia ser outro dia qualquer, as pálpebras pesadas insistem em lembrar-me da noite cerrada que ainda me espera quando me obrigo a acordar&lt;br /&gt;vou trocar piadas a troco de nada&lt;br /&gt;receber uma medalha, por outro trabalho bem feito&lt;br /&gt;e à minha volta, como uma nuvem, persiste um miasma&lt;br /&gt;o teu cheiro colado ao meu corpo&lt;br /&gt;a memória da tua pele sobre a minha&lt;br /&gt;e tudo isto me cansa se não passasse sobre os dias contabilizando, como contas de vidro, algo porque trocar mais um pouco de ar, mais um pouco de espaço, mais&amp;nbsp; um pouco de mim&lt;br /&gt;algo que se escapa como areia por entre os dedos, como nevoeiro perante o sol&lt;br /&gt;como uma história que contamos&lt;br /&gt;sem poder terminar, como desejaríamos, como o mais reles e pobre conto de fadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-1736802934146180820?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/1736802934146180820/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=1736802934146180820&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1736802934146180820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1736802934146180820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2011/03/scentless-apprentice.html' title='frances farmer will have her revenge on Seattle'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-7936461997511013693</id><published>2011-03-03T00:06:00.000Z</published><updated>2011-03-03T00:06:56.605Z</updated><title type='text'>interflora</title><content type='html'>she stole the keys to my house...&lt;br /&gt;and then she locked herself out...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;irónico, não é?&lt;br /&gt;que nos encontremos sentados numa sala, a jantar&lt;br /&gt;estou cansado, consegues ver isso em mim?&lt;br /&gt;será da semana passada, o certo é que vou mastigando sem grande prazer e empurrando com um pouco de vinho a conversa que fazes questão de manter ligada a noite toda, como um rádio ligado à corrente&lt;br /&gt;a seguir dizes-me que vamos a um bar que conheces, um que fica por cima do mondego&lt;br /&gt;expões o programa em frente ao espelho enquanto te maquilhas e colocas um vestido curto &lt;br /&gt;desta vez fizeste questão de convidar um amigo teu&lt;br /&gt;um daqueles que habitualmente detesto, um arrogante com o ar de quem leu um ou dois livros a mais e me enerva com as citações inoportunas de kafka ou baudelaire&lt;br /&gt;suspiro&lt;br /&gt;as nossas noites fazem-se sempre deste caminho e não de outro&lt;br /&gt;como uma linha que me divide em dois&lt;br /&gt;depois destas noites raramente durmo&lt;br /&gt;fico acordado ao teu lado a olhar o tecto branco sobre nós&lt;br /&gt;cada falha enche-se lentamente como um lago, e deixo cair sobre ele, a conta-gotas, pequenos pedaços de mim&lt;br /&gt;fico a imaginar que do outro lado não se encontra mais água... mas todo um caminho até ao céu...&lt;br /&gt;de certa forma não me gasto, apenas me reúno com as estrelas&lt;br /&gt;sou um pó que se incendeia numa fracção de segundo, que se volatiliza, que se transforma em luz&lt;br /&gt;e que após uma viagem longa vai banhar o teu corpo nú&lt;br /&gt;portanto não sonho verdadeiramente em regressar, o regresso está-me tão vedado como todo o espaço infinito que se abre entre nós&lt;br /&gt;verdadeiramente sonho em terminar em luz, como uma vela, terminar em ti&lt;br /&gt;e conforta-me pensar assim...&lt;br /&gt;muito mais do que me conforta aquele apartamento frio em que me acolhes por uma noite com a mesma indiferença que dedicarias a uma partícula de pó&lt;br /&gt;muito mais do que esta cama que partilhas comigo, ou aquele copo que me pagas-te no bar sobre o mondego&lt;br /&gt;estamos todos um pouco sozinhos, fazes questão de notar, quando me despedes na manhã seguinte&lt;br /&gt;e procuramos sempre algo de nós... terminando num beijo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;julgamos que nos aquecemos assim, nesta paixão&lt;br /&gt;mas só de noite, sozinhos, quando rodamos na cama e à nossa frente não estás tu, mas uma parede em branco é que julgamos saber&lt;br /&gt;que o que verdadeiramente ilumina os nossos dias&lt;br /&gt;são os nossos sonhos lançados à corrente do infinito...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-7936461997511013693?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/7936461997511013693/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=7936461997511013693&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/7936461997511013693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/7936461997511013693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2011/03/interflora.html' title='interflora'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-2768175950119142813</id><published>2011-02-24T00:59:00.001Z</published><updated>2011-02-24T01:00:53.904Z</updated><title type='text'>la chispa adequada</title><content type='html'>&lt;pre class="text"&gt;esquirlas de aire&lt;br /&gt;arcano indescifrable&lt;br /&gt;en el jardín de mis delicias&lt;br /&gt;pertenezco a la brisa&lt;br /&gt;inhalo la niebla&lt;br /&gt;que flota en el ganges&lt;br /&gt;el aceite de incienso&lt;br /&gt;nos servirá de consuelo&lt;/pre&gt;&lt;pre class="text"&gt;&lt;/pre&gt;dizes "há uma resposta em algum sítio"&lt;br /&gt;e eu tento encontra-la em qualquer sítio, em qualquer tempo que seja&lt;br /&gt;seja nestas paredes núas, seja nas noites que passo sentado numa tijoleira fria&lt;br /&gt;seja agarrado a um cigarro&lt;br /&gt;ou em todos os dias que maldigo as qualidades todas que me apontam, mas que nunca chegam para me aproximar do que quero&lt;br /&gt;haverá uma resposta&lt;br /&gt;enquanto tremo de frio&lt;br /&gt;há sempre uma resposta&lt;br /&gt;mas não aprendemos a substituir "resposta" por "verdade"&lt;br /&gt;sonhamos apenas que significam a mesma coisa, quando na realidade estão tão distantes como um arquipélago de ilhas&lt;br /&gt;dizes ainda que as "respostas" têm esta forma, e eu não disputo&lt;br /&gt;são feitas de palavras, de imagens claras&lt;br /&gt;são aquilo que sucede a um igual após a soma das partes, uma função soberana&lt;br /&gt;as respostas são redondas, ou quadradas&lt;br /&gt;cabem em prateleiras ou pertencem a boiões de vidro&lt;br /&gt;podemos até colocar-lhes etiquetas, e porque não? recicla-las depois do seu uso estar concluido&lt;br /&gt;nas respostas colocamos pontos finais&lt;br /&gt;será que me pedes o mesmo neste espaço entre nós?&lt;br /&gt;se nele só vejo reticências e alguns centímetros até à tua pele?&lt;br /&gt;serão respostas que se encontram entre nós, ou apenas um espaço vazio&lt;br /&gt;será que o preenchemos com coisas&lt;br /&gt;ou será que não nos importa assim tanto o silêncio&lt;br /&gt;será que queremos respostas?&lt;br /&gt;eu estou farto de respostas&lt;br /&gt;são demais as noites perdidas que gastei na sua procura&lt;br /&gt;agora&lt;br /&gt;resta-me apenas encontrar a verdade&lt;br /&gt;e não me importa de a sustentar apenas nos átomos que separam os nossos olhos brilhantes&lt;br /&gt;pode ser tão irreal quanto eu, pode ser feita da mesma matéria que os meus sonhos&lt;br /&gt;mas se à coisa que eu descobri contigo&lt;br /&gt;sendo a mais valiosa lição&lt;br /&gt;é que atravessar este espaço na tua direcção, não me trará respostas, apenas mais dúvidas&lt;br /&gt;mas por cada centímetro que passa&lt;br /&gt;é mais uma milha que queimo das pontes que deixo para trás...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porquê?&lt;br /&gt;&lt;pre class="text"&gt;&lt;/pre&gt;&lt;pre class="text"&gt;&lt;/pre&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-2768175950119142813?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/2768175950119142813/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=2768175950119142813&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2768175950119142813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2768175950119142813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2011/02/la-chispa-adequada.html' title='la chispa adequada'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-2264083268362830004</id><published>2011-02-21T23:41:00.000Z</published><updated>2011-02-21T23:41:19.664Z</updated><title type='text'>despair in the departure lounge</title><content type='html'>Vou àquele espaço demasiadas vezes&lt;br /&gt;tantas que parece que fico mais pequeno a cada vez que entro&lt;br /&gt;será pelo tecto alto ou pela mesa de madeira à nossa frente&lt;br /&gt;ou pelo facto de simplesmente não me deixarem fumar alí&lt;br /&gt;o certo é que a cada passo o meu coração acelera e a minha visão se turva...&lt;br /&gt;Apontas para a cadeira que está em frente de ti, não me dás hipótese de escolher (por acaso não foi sempre assim entre nós?), acolho-a porque na verdade também me restam muito poucas forças para me manter em pé e peço um café bem quente ao empregado soturno que me aguarda para além do balcão&lt;br /&gt;das primeiras vezes, ainda olhava para ti de frente desafiante&lt;br /&gt;pedindo do alto da minha vulnerabilidade para que por fim me perguntasses porque é que contigo agia de forma diferente&lt;br /&gt;talvez por saberes que o esperavas nunca fizeste essa pergunta&lt;br /&gt;e deixaste que lentamente o meu olhar descesse sobre a mesa para se deter em miradas longas sobre a brilhante colher que repousava na minha chávena já vazia&lt;br /&gt;nessa altura suspirava&lt;br /&gt;desejava até que tudo fosse diferente&lt;br /&gt;que tivesse em mim a força para dizer não e romper o ciclo&lt;br /&gt;mas nada acontecia nos intervalos de silêncio que ocupavam a maior parte do nosso tempo&lt;br /&gt;nem eu me decidia a partir&lt;br /&gt;nem tu me deixavas ficar&lt;br /&gt;pendia do tecto como uma daquelas teias de aranha agitada pelo vento&lt;br /&gt;às vezes trazia uma caneta e um papel comigo, ficava a rabiscar coisas no canto da folha, deixando sempre o mesmo espaço em branco como se nele quisesse escrever&lt;br /&gt;uma vez tocaste na folha com o teu dedo, deslizaste a tua pele sobre as linhas como se a minha mensagem estivesse gravada em Braille e só assim a pudesses decifrar &lt;br /&gt;se entendeste a mensagem, nunca o soube&lt;br /&gt;sorriste, mas afinal, sorrias muitas vezes, mas isso nunca nos aproximou...&lt;br /&gt;outras vezes virava a cabeça para a janela e fazia de conta que não estavas &lt;br /&gt;ficava a entrever a paisagem entre as pessoas que passavam ou que paravam por ali&lt;br /&gt;mas a mensagem que passava era sempre que se não fosses tu, sentada do outro lado da mesa, aquilo não fazia o menor sentido&lt;br /&gt;e não fazendo sentido podia desaparecer de repente, deixando-me a mim pendurado, entre duas terras distantes, sem possibilidade ou bilhete de regresso a qualquer uma delas&lt;br /&gt;não era inevitável e ambos o sabíamos&lt;br /&gt;mas era preferível&lt;br /&gt;como uma sub-estação de metro onde aguardávamos uma composição para melhor sítio&lt;br /&gt;eventualmente uma intersecção entre duas linhas marcadas a cores diferentes no mapa&lt;br /&gt;se me toleravas no mesmo banco é porque sabias que não me restava dinheiro para o bilhete de ida... e já há muito tinha abandonado a esperança de voltar para minha casa&lt;br /&gt;enquanto a voz roufenha não se fazia anunciar no altavoz, ficávamos por ali a brincar ao que poderia ter sido se fosse ou ao como seria se acontecesse&lt;br /&gt;nos piores dias chovia&lt;br /&gt;atrasavas-te sempre nesses dias e por curioso que te possa parecer, o sentimento que se apoderava de mim era uma terrível solidão&lt;br /&gt;ficava sempre na mesma mesa a um canto, encostado ao vidro, sentindo as gotas a bater contra o vidro e o frio a tomar conta de mim&lt;br /&gt;chegavas sempre no momento limite, naquela nesga de tempo em que me deixava convencer que já tinhas partido e que as minhas tardes naquele café seriam sempre solitárias&lt;br /&gt;mas afinal aparecias, em frente ao meu sorriso atónito e o meu aperto de mãos&lt;br /&gt;ficava sempre sem jeito&lt;br /&gt;enganava-me no pedido, nos trocos, na empregada que me devia atender&lt;br /&gt;ficava até ao fim com a certeza que queria ter feito muito mais do que o que fiz&lt;br /&gt;com a certeza que valia muito mais do que o que mostrei&lt;br /&gt;mas o dia já tinha passado e amanhã... bem... amanhã... poderia tão bem ser um dia de sol como outro dia de chuva&lt;br /&gt;o inevitável era apenas um lugar vazio para mim, outro para ti, e a minha vontade em estar noutro sítio...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-2264083268362830004?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/2264083268362830004/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=2264083268362830004&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2264083268362830004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2264083268362830004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2011/02/despair-in-departure-lounge.html' title='despair in the departure lounge'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-6783662497636242146</id><published>2011-02-15T20:40:00.000Z</published><updated>2011-02-15T20:40:59.107Z</updated><title type='text'>ascend to oblivion</title><content type='html'>Afinal, de onde te vem o ódio...&lt;br /&gt;Perguntou ela, de cigarro na mão&lt;br /&gt;... das tuas memórias, ou desse lugar profundo que sabes esconder em ti?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não precisava de resposta pois não?&lt;br /&gt;era como um evento desgarrado na linha da vida&lt;br /&gt;uma pequena arritmia maligna a precisar de digitálicos&lt;br /&gt;ainda debatemos a cura durante os dias, ainda enumeramos as inúmeras acções que tomamos para inverter o curso certo que nos conduziria alí, não havia afinal nada a fazer, o nosso local era aquele e não outro e encontraríamos sempre por ali aquilo de que fugiamos o resto do tempo&lt;br /&gt;ainda há tempo, há sempre tempo por aqui, mas como areia numa ampulheta, arranja sempre espaço para escapar entre as frestas que abrimos entre nós&lt;br /&gt;serão as memórias que as unem, como cicatrizes feias de combate&lt;br /&gt;como medalhas de uma guerra que sabemos perdida e que levou com ela os melhores anos da nossa vida&lt;br /&gt;são as memórias que fazem destes dias um tapete contínuo, incapaz de permitir a passagem do tempo para o esquecimento, fermentando na sua essência o ódio que me permite aguentar&lt;br /&gt;aguentar que o tempo se detenha&lt;br /&gt;como um pôr-do-sol em Havana ou em Paris&lt;br /&gt;os lugares comuns sempre fizeram de nós fracos, mas ainda assim sempre cedemos às nossas vontades como se a nossa vida fosse apenas uma mentira, e todos os testemunhas dela um simples cenário de uma peça de teatro trágico-cómico&lt;br /&gt;como nos poderíamos rir do que passamos, se não tivesse acontecido connosco&lt;br /&gt;poderíamos rir até rebolar no chão, e ainda assim seria preferível a esta inevitabilidade de perguntas, que crescem no ar como o fumo do cigarro&lt;br /&gt;somos duas pessoas sentadas, diante uma da outra, em cadeiras de madeira, sobre um tapete negro, escutando o relógio bater, procurando a alquimia certa de palavras que nos traga paz&lt;br /&gt;porque indubitavelmente sei, nos interstícios da minha loucura, que por muito que fujas não te vais conseguir esconder&lt;br /&gt;ainda é uma gaiola dourada o que te cerca, apenas aprendeste ao longo do tempo a adorar as barras que antes temias&lt;br /&gt;e poderás dizer, porque não anda longe da verdade, que fui eu que te ensinei a adorá-las&lt;br /&gt;por isso não me perguntes porque é que odeio&lt;br /&gt;porque é que a superfície do meu lago é negra e todas as noites sonho em submergir-te nela para com isso te matar&lt;br /&gt;já conheci toda a forma de vítimas e com cada uma delas aprendi apenas a morrer mais um bocadinho&lt;br /&gt;porque é que odeio?&lt;br /&gt;Será essa mesma a pergunta certa?&lt;br /&gt;Porque estou cheio de mim, como uma barragem transborda&lt;br /&gt;só quero apagar as margens e fazer parte do rio&lt;br /&gt;odiar é um conforto por estes dias, como um instinto de sobrevivência primordial que se activa para nos manter vivos&lt;br /&gt;não à esperança&lt;br /&gt;a minha vida vai terminar como começou&lt;br /&gt;comigo agarrado à letra L.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-6783662497636242146?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/6783662497636242146/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=6783662497636242146&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/6783662497636242146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/6783662497636242146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2011/02/ascend-to-oblivion.html' title='ascend to oblivion'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-4970154755944002115</id><published>2011-02-13T01:20:00.001Z</published><updated>2011-02-13T01:28:19.604Z</updated><title type='text'>Littmann</title><content type='html'>I'll keep fighting jealousy&lt;br /&gt;'till it's fucking gone&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu prazer não está em segurar contra ti esta peça&lt;br /&gt;este pedaço de metal contra o teu peito nú&lt;br /&gt;Está em segurar-te ao colo enquanto o faço, sentir através do corpo o teu coração acelerado e na minha nuca o teu respirar húmido e quente&lt;br /&gt;está nesse pequeno abraço que trocamos a troco de nada, está nessa vontade em esconder-te de todo o mal sabendo que o teu futuro está para além dos meus sonhos, está nestes instantes que nunca recordarás&lt;br /&gt;sou um sonhador (digo-te ao ouvido) e já fiz tantos quadros como há estrelas no céu (continuo) não sei o que desejas para o futuro (e aqui susurro), mas que estejas dele mais perto do que eu alguma vez estive (termino).&lt;br /&gt;no seguinte instante, estás no colchão&lt;br /&gt;e a mim resta-me a solidão que empunho na minha mão&lt;br /&gt;está frio, eu sei, por favor não chores por isto&lt;br /&gt;sabes que por muito que o segure de encontro a mim, há pouco calor que sobre para nos aquecer aos dois&lt;br /&gt;suporta&lt;br /&gt;são instantes, tudo desaparece quando seguras quem amas, tempo suficiente para esquecer o mundo lá fora&lt;br /&gt;tal e qual eu imagino&lt;br /&gt;tal e qual eu sonho durante a noite&lt;br /&gt;vês&lt;br /&gt;desaparece&lt;br /&gt;desaparece, tal e qual eu desapareço da tua vida, da tua lista de prioridades&lt;br /&gt;não sei para onde foi&lt;br /&gt;talvez para onde todas as coisas vão quando as odiamos&lt;br /&gt;e esse&lt;br /&gt;deixa que te diga, porque ainda és muito nova para entender,&lt;br /&gt;é um poço sem fundo&lt;br /&gt;cabem lá tantas coisas boas...como coisas más&lt;br /&gt;como todas as coisas que para lá empurro por saber que são demais, ou são impróprias, ou inconvenientes, ou desnecessárias&lt;br /&gt;as coisas&lt;br /&gt;são as coisas que nos roubam, no fundo, os sonhos, e a vontade de uma vida melhor&lt;br /&gt;são, na sua grande maioria, coisas que não podemos dar, ou que outro dará mais facilmente&lt;br /&gt;restando as outras coisas&lt;br /&gt;pequenas coisas&lt;br /&gt;que não fazem grande diferença no quadro geral&lt;br /&gt;já te disse, que sonho muito?&lt;br /&gt;conto-te enquanto choras (deus, guia a minha mão para que tudo isto seja curto e termine depressa)&lt;br /&gt;sonho com coisas que queria fazer&lt;br /&gt;sonho com uma pessoa especial&lt;br /&gt;sonho e é isso que me mantém acordado à noite&lt;br /&gt;tecendo um tapete contínuo com o qual desdobrar o futuro&lt;br /&gt;sonho, no fundo, com ela&lt;br /&gt;e nas várias maneiras com as quais a queria fazer feliz&lt;br /&gt;alto&lt;br /&gt;se esta é uma sibilância polifónica expiratória, sei que isto está perto do fim&lt;br /&gt;só mais umas coisas à mão da minha colega&lt;br /&gt;e poderás comer uma bolacha maria resingando sobre o que te fizeram aqui&lt;br /&gt;talvez eu termine por aqui&lt;br /&gt;termino sempre, um pouco como aqui&lt;br /&gt;rendido aos factos de ser o último de uma lista demasiado longa&lt;br /&gt;ou incapaz de realçar por méritos próprios, aquilo que desejaste para ti&lt;br /&gt;andamos todos um pouco enganados&lt;br /&gt;(ou então sou eu)&lt;br /&gt;rendidos a promessas, ou a exotismos, ou a lugares comuns&lt;br /&gt;prodígios de forma e vazios de conteúdo&lt;br /&gt;ofereço o contrário&lt;br /&gt;e é por isso nada&lt;br /&gt;ou são noites solitárias agarradas a sonhos, ou a promessas, ou realidades mostradas por outros como epifanias de que o mundo não é este lugar feio que eu pinto&lt;br /&gt;se erro?&lt;br /&gt;sim&lt;br /&gt;mas como ao estetoscópio acoplo relatórios e transformações rápidas de fourier&lt;br /&gt;acoplo a mim, tentar de novo&lt;br /&gt;como um anexo de um mail que deixamos por abrir na nossa caixa de correio por se situar um pouco acima da nossa lista de spams&lt;br /&gt;e eu já te disse que não, a fazer parte de uma lista serei sempre aquele que fica em último lugar&lt;br /&gt;terminamos aqui&lt;br /&gt;deixa que a tua mãe te vista a roupa e te aconchegue no carro&lt;br /&gt;já não precisas de chorar mais&lt;br /&gt;nunca mais vais chorar, se dependesse de mim&lt;br /&gt;mas todos os caminhos divergem, assim como o nosso&lt;br /&gt;somos de mundos diferentes, e as pontes que faço&lt;br /&gt;sejam feitas nesta relíquia de som ou em poeira&lt;br /&gt;não resistem à mais pequena brisa&lt;br /&gt;seja aquela que começa quando o carro arranca e te leva para longe de mim&lt;br /&gt;seja aquela que termina quando as luzes se acendem e o cinema esvazia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lembro-te (porque de mim não guardas memórias) e quero o melhor para ti&lt;br /&gt;havendo equilíbrio no mundo, que se faça à minha custa... e não à tua&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-4970154755944002115?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/4970154755944002115/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=4970154755944002115&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/4970154755944002115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/4970154755944002115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2011/02/littman.html' title='Littmann'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-6892883293975452288</id><published>2011-02-06T01:25:00.000Z</published><updated>2011-02-06T01:25:15.697Z</updated><title type='text'>the man who sold the world...</title><content type='html'>...mas esta noite, como nenhuma outra, faz-me falta escrever-te&lt;br /&gt;escrever-te como uma catarse de todo o espaço impossível que existe entre nós&lt;br /&gt;escrever-te com toda esta distância de bytes e caracteres, uma fonte contínua que tomara não acabasse, e lhe restasse apenas preencher os poucos centimetros que nos separam.&lt;br /&gt;e ainda assim, porque nada mais podemos ser do que espectadores, mergulhados numa plateia escura e assoberbados por sons, distanciados por metros de um ecrã demasiado grande, seremos nada mais que espectadores, desejando, ou não, mergulhar numa tela e ser eternos assim...&lt;br /&gt;e ainda se num sonho o pudessemos ser, se porventura o nosso maior desejo se realizasse e a invadissemos&amp;nbsp; através da luz que rasga uma atmosfera densa e carregada de pó, será que comigo poderia trazer o que mais quero, aquilo que mais desejo daqui?&lt;br /&gt;será que para além das luzes e das sombras, uma tela conserva cheiros? será que cada movimento que capto com o canto do olho se transforma nas minhas memórias em notas olfativas, para que de certa forma te possa lembrar à noite, depois de todas as luzes apagadas?&lt;br /&gt;entre sorrisos, a minha vitória aguardará no fundo de um copo de um vinho maduro, entornado à pressa por uma mão que procura o telemóvel ou que simplesmente se agarra a umas quantas teclas para poder viver um pouco de novo, entre sorrisos e fórmulas indeléveis, como indelevelmente o tempo se escapa por entre os meus dedos querendo eu agarrálo bem nunca o deixando partir para a terra das memórias, para a terra das promessas, para a terra, enfim, das vontades, aquelas mesmas que se partem em qualquer aresta real...&lt;br /&gt;e entre sorrisos prometo, ou procuro promessas, que a distância que realmente nos separa é a desta noite e pode ser transposta por vontade, basta-lhe que os dedos se estendam à procura do que sempre quiseram e te procurem no meio daquela noite, basta-lhe que os sonhos sejam tão palpáveis quanto nós e tão vívidos como o vermelho das tuas unhas...&lt;br /&gt;e ainda assim só conseguem ser tão discretos como os momentos em que me esqueço do que estou a fazer ali e me perco, por breves instantes, na única verdade que torna tudo o resto opaco e insosso&lt;br /&gt;são discretos porque são como esta noite... quando o filme termina e a luz ilumina de novo, sabemos ambos que os nossos caminhos divergem, rumo a mundos distantes, cujas pontes sobrevivem apenas apoiadas na poeira que o raio de luz do projector consegue iluminar...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-6892883293975452288?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/6892883293975452288/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=6892883293975452288&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/6892883293975452288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/6892883293975452288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2011/02/man-who-sold-world.html' title='the man who sold the world...'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-7821330095497574910</id><published>2011-01-23T19:00:00.000Z</published><updated>2011-01-23T19:00:44.380Z</updated><title type='text'>Porque motivo for...</title><content type='html'>Tenho medo de sair daquela sala.&lt;br /&gt;Sobretudo pelo vazio que me espera cá fora.&lt;br /&gt;Como o espaço oco que medeia entre dois auscultadores de plástico e que me trazem uma música bem lá do fundo do baú da memória.&lt;br /&gt;Envolvem-me com os seus braços, dirigem-me palavras, sorriem para mim, e instintivamente procuro a tua cara entre eles, exactamente como me lembrava de ti.&lt;br /&gt;As memórias têm essa capacidade fantástica de permanecerem sempre iguais, uma imagem no espelho que não muda.&lt;br /&gt;Por imaginação, ou porque na verdade sei mais do que aquilo que quero admitir, imagino-te loira e sorrio.&lt;br /&gt;Lembras-te quando dizia que o teu cabelo parecia chuva, não quando cai, mas quando bate?&lt;br /&gt;Por acaso o teu pensamento divagou por aí enquanto o pintavas? Ou, por outro lado, descobrias que sentias mais falta do vermelho do que aquela que querias (ou podias) admitir?&lt;br /&gt;Cruzei-me contigo outro dia, não te apercebeste, agora manténs a janela fechada com medo do frio em vez de segurar trémula um cigarro entre os teus dedos finos. De qualquer maneira, dizia eu, cruzei-me contigo, e fui sempre a sorrir até ao destino. Ao final do dia aparecia, cristalizada no ar, uma nova oportunidade que julgava não existir. E mais uma vez, porque a história se repete sempre, ou com ironia, ou com tragédia, foi vê-la despenhar-se ardendo na ténue linha que naquele dia nos uniu.&lt;br /&gt;Hoje não te vi, aliás, não te vejo há demasiado tempo. Talvez fosse melhor assim, ainda não tinha entrado na sala e havia coisas a mais que podiam correr mal para me arriscar sequer a tentá-las. E ainda assim procurei-te, sempre com e por medo... a quê? Já não sei, como sempre há coisas a mais a poderem correr mal e nós com coragem a menos para tentar sequer que elas corram bem...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-7821330095497574910?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/7821330095497574910/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=7821330095497574910&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/7821330095497574910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/7821330095497574910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2011/01/porque-motivo-for.html' title='Porque motivo for...'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-5781061176305008565</id><published>2010-12-14T08:59:00.000Z</published><updated>2010-12-14T08:59:08.844Z</updated><title type='text'>Foz</title><content type='html'>A cor está saturada.&lt;br /&gt;Como uma manhã em branco após uma noite mal dormida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sentava-se no passeio naquela madrugada fria de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha regressado à pouco, um par de dias talvez.&lt;br /&gt;Desde que regressara os dias tinham perdido a sua rotina feita de horas de trabalho e horas de descanso que compassadamente íam marcando riscas no calendário. O que lhe restava nesta pausa era uma série contínua de tempo que o arrastava de um lugar para outro, de uma hora para a outra, sem marcar definitivamente um ritmo que pudesse chamar de seu.&lt;br /&gt;Comia quando tinha fome, dormia quando tinha sono, e bebia muito, fumava ainda mais, e para cúmulo não lhe restava nenhum lugar para ficar, excepto o abraço convidativo de uma soleira de porta que o resguardasse do orvalho matinal, frio como a morte, cliente habitual das ruas quando se acham desertas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperava encontrar um tecto ali, naquela rua conhecida. É verdade que partira já faz muito, mas na sua ausência, porque é que as coisas ali não se poderiam ter detido na passagem do tempo, oferecendo-lhe um refúgio para onde voltar quando fosse tempo de parar?&lt;br /&gt;Afinal partira porque tudo ali lhe pedia para partir, afinal partira porque o relógio que marcava o tempo naquele lugar soava como uma contagem decrescente, e na ausência de alternativas a estrada parecia-lhe o menor de todos os males. Partira sem ambicionar nada, o único desejo que tinha, deixara-o para trás, como guardião, como eterno desejo que tudo ficasse igual a quando partira, igual não, igual sendo diferente, igual sem uma ampulheta invertida, igual sem um fantasma atrás da porta, igual em todas as cores igual em todos os cheiros, igual em todas as formas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora esse lugar esperava-o como uma coordenada num mapa. Sabia onde o encontrar, mas o que encontrava tinha o sabor acre de o saber tão diferente que voltava para um sítio que já não existia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado no passeio olhava, com o olhar vazio, um prédio branco em ruínas, a fachada enegrecida por um incêndio recente, e a porta, por ironia, parcialmente arrombada, como que entreaberta convidando-o a entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já nada daquele sítio o esperava, mas também, já nada nele esperava aquele sítio.&lt;br /&gt;Regressava, como um cão abandonado, por instinto e nada mais, à casa que o vira nascer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-5781061176305008565?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/5781061176305008565/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=5781061176305008565&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/5781061176305008565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/5781061176305008565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/12/foz.html' title='Foz'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-6706302229502548872</id><published>2010-11-13T00:53:00.000Z</published><updated>2010-11-13T00:53:02.650Z</updated><title type='text'>G.F.</title><content type='html'>As pessoas bonitas têm 2 nomes próprios.&lt;br /&gt;Quando os chamamos, invariavelmente, temos de repetir um após o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas bonitas, com 2 nomes próprios, podem e devem dizer vacuidades. Os lugares comuns adquirem sempre um pó transcendental quando são entoados por pessoas com 2 nomes próprios. Também ajuda que ninguém lhes corte o discurso a meio, ou que ninguém vá contra eles num corredor estreito porque não o viram passar.&lt;br /&gt;As pessoas bonitas, com 2 nomes próprios, sorriem sempre nas fotografias. E usam gel às vezes. E seguramente não têm dúvidas ou não as apoquenta a multiplicação de factores que um simples encontro provoca.&lt;br /&gt;Das pessoas bonitas, com 2 nomes próprios, não são esperados actos de contrição, não são lembrados em horas de aperto, não os procuramos quando queremos falar. Às pessoas bonitas, com 2 nomes próprios, pedimos sorrisos e uma vaga ao seu lado.&lt;br /&gt;As pessoas bonitas, tem sempre 2 nomes próprios, não têm raiva, não têm medo, não têm dor, não têm ódio, têm convites aos fins de semana, e montes de fotos em pilhas espalhadas no corredor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas bonitas, com 2 nomes próprios...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;:)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;humpf&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;:)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-6706302229502548872?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/6706302229502548872/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=6706302229502548872&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/6706302229502548872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/6706302229502548872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/11/gf.html' title='G.F.'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-153220589115588470</id><published>2010-11-05T23:09:00.002Z</published><updated>2010-11-05T23:13:26.107Z</updated><title type='text'>The movie on your eyelids</title><content type='html'>Podemos os dois andar a procurar a mesma coisa, um pouco de calor no final de um dia frio, ou uma lareira onde queimar, abraçados, as tralhas que vamos coleccionando dos dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podíamos encontrar o que procuramos naquele fim de dia, frio como não podia deixar de ser. Podíamos encontrar alguma coisa ali, mais do que o meu ombro duro onde encostavas a cabeça podias pedir, ou simplesmente deixar, que te acariciasse o cabelo com a ponta dos meus dedos, podias deixar que o tempo passasse sobre nós... podias simplesmente deixar que o amanhã viesse para te encontrar no mesmo lugar, abraçada a mim... e eu podia, claro, da minha parte, rasgar o véu que nos separa e convidar-te para ficar... pois se todo o meu corpo pede a tua vida, não estranhas que as palavras se atropelem para sair, tingindo o céu da boca com um sabor mais amargo do que este cigarro que seguro na mão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podíamos, pois claro, os dias são cheios de possibilidades, mas não para nós. Vê-mo-las nos outros, passando de acaso em acaso até encontrarem o momento certo. Mas se tu não o dizes, digo-o eu, e porque não? Se as nossas ironias se fazem de punhos fechados e esperas inúteis, se as nossas ironias se cristalizam em frente a edifícios antigos, ganhando a cor cinzenta das estátuas e o inevitável pó que as acompanha, se as nossas ironias existem, porque não existirão respostas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a resposta é essa. A resposta é ambos sabermos, tão bem como nos conhecemos, que no fundo, no fundo, não procuramos calor, procuramos um eterno sonho perdido na parte de trás da nossa mente, procuramos a imagem por detrás dos nossos olhos e com isto, nunca saberemos ver quem temos à nossa frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brinco contigo, mas é só de raiva. Raiva por me saber vencido por uma ideia, raiva por te deixar perder por outra. Rio-me um pouco. Afinal, ao final do dia, ainda conservamos o calor, no meu ombro ainda está impresso o teu perfil e no teu cabelo ainda persiste o meu cheiro, mas na altura em que nos despedimos, meu amor, vamos, cada um para seu lado, procurar uma data de moinhos para combater.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preferimos assim, e está muito certo, sabemos excessivamente bem o que queremos e não nos contentamos com menos.&lt;br /&gt;O teu cavaleiro branco chegará numa noite azul, e a tua história de vida não terá mais que um ponto final.&lt;br /&gt;Para mim, que quero uma ideia, tudo isso me parece estranho, um pouco absurdo talvez.&lt;br /&gt;Mas no fim do dia, estando ambos sozinhos, percebo, tão bem como tu, que nos apaixonamos demais pela nossa ideia de amor... tanto mesmo que em nós não restou mais espaço para acolher o outro, ao final de um dia frio, num Inverno qualquer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-153220589115588470?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/153220589115588470/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=153220589115588470&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/153220589115588470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/153220589115588470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/11/movie-on-your-eyelids.html' title='The movie on your eyelids'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-7845756977055170059</id><published>2010-11-03T21:27:00.000Z</published><updated>2010-11-03T21:27:38.362Z</updated><title type='text'>Corda</title><content type='html'>Andamos todos, cada um à sua medida, a tentar evadir uma enorme parede de tijolos que há-de amparar a nossa queda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja porque apenas queremos permanecer no ar, seja porque de alguma maneira conhecemos pessoas e acreditamos que elas nos poderão dar asas para voar, o que nos sustenta é essa leveza na queda, ou a insustentabilidade das forças, ou todas as outras coisas que se vão espalhando no caminho e nos olham, na sua ausência de alma, para o trajecto possível e o inevitável fim de todas as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São lugares comuns, como passadeiras que unem os 2 lados de uma mesma rua, são os lugares comuns que ainda nos prendem. Dizemos uma fórmula que aprendemos em segredo e acreditamos nela com tanta força que sustentamos o embate e crescemos sobre ele, atrás dele um outro, e ainda sobre este crescemos, crescemos quando já perdemos as forças, crescemos quando o nosso corpo dorido já não suporta mais dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por muito fraco que seja, por muito inalcançável que seja, por muito errado que seja (chamemos as coisas pelos nomes, porque não?) ao final do dia, se nos é permitido falar, se nos é permitido pedir, apenas queremos um lugar seguro onde pousar...&lt;br /&gt;Não queremos perguntas, nem explicações, não queremos soluções, não nos contentamos com nada, queremos algo a que possamos chamar de paz, algo a que possamos chamar de nosso, algo que possamos tratar por mundo, algo que possamos cuidar e preservar, algo que una o nosso corpo e nos levante muralhas, algo que nos separe...&lt;br /&gt;Algo que seja, simplesmente, uma pausa merecida num eterno combate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque ninguém aprende a viver com medo, sobrevive-se a ele, como animais encurralados que somos, prontos a morder a mão que se aproxima, prontos a saltar sobre a presa, mas sempre, sempre incapazes de viver sobre palavras andando sobre elas, com os nossos pés descalços e as nossas mãos estendidas procurando uma nesga de sol.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-7845756977055170059?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/7845756977055170059/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=7845756977055170059&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/7845756977055170059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/7845756977055170059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/11/corda.html' title='Corda'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-8119253014827745313</id><published>2010-10-13T23:15:00.000+01:00</published><updated>2010-10-13T23:15:38.594+01:00</updated><title type='text'>Fake Plastic Trees</title><content type='html'>Há constipações que se fazem assim.&lt;br /&gt;Em parques de estacionamento lotados, sob um sol inclemente e uma brisa gelada.&lt;br /&gt;É também assim que o Verão se despede de mim e dá lugar ao Outono. De noite vem de mansinho, arrepiar-me a nuca na varanda, enquanto acendo o último cigarro do dia, mas não se despede, antes brinca comigo, no dia a seguir nega que passou por aqui e apresenta-me uma madrugada esplendorosa, fácil para eu espantar o meu sono.&lt;br /&gt;E também há dias que se fazem assim, sob o calor, em palavras entrelaçadas que de certo modo se misturam e se confundem com o curso de água que corre sob os nossos pés.&lt;br /&gt;E de certa forma podemos estar nús, sem nos importar o frio, de certa forma poderemos pensar que o tempo se deteve para nós e não temos qualquer obrigação a que atender passado meia hora. De certa forma, poderemos pensar que seremos o que somos, poderemos pensar que o que trouxermos para ali só vai fazer de nós pessoas mais fortes e imunes à saudade.&lt;br /&gt;Reconfortamos o ego com promessas eternas de tentarmos sempre fazer a coisa certa. E nos intervalos, vamos enumerando e etiquetando, todos os nossos erros. Vamos prometer corrigir a mão, ser fortes, capazes, independentes, livres, vamos lançando virtudes ao ar como fogo de artífício e não iremos embora, quando o espectáculo acabar e só nós dois restarmos em cena, ainda assim vamos estar lá para chorar no ombro um do outro as outras tantas vezes em que fomos fracos.&lt;br /&gt;No final, digo eu, como promessa, vou fazer a coisa certa e resistir à saudade. Vou fingir, quando não for capaz de acreditar,que acredito mesmo no que digo, sem perceber que são anos e anos e ainda mais anos de coincidências e armadilhas a preparar o terreno para eu falhar.&lt;br /&gt;Tudo começa quando a gente acredita, respondes-me tu, prometendo vida. Replico-te que tudo termina quando a gente deixa de acreditar. Não dizes nada mas entre nós fica a pairar como uma névoa a palavra porquê... enquanto fazemos das reticências pontos de interrogação, e dos pontos de interrogação reticências vamos desejando, frustrados, um melhor destino a quem queremos bem.&lt;br /&gt;São moinhos de vento, ou são fantasmas, respondo eu, são as nossas lutas diárias, são o nosso próprio peso morto que carregamos às costas, mas sempre, sempre querendo fazer o bem...&lt;br /&gt;E um dia chegaremos ao sol, quando descobrirmos em nós a alquimia certa da cera que prende as nossas asas falsas, um dia chegaremos ao sol, e entretanto, vamo-nos consolando um ao outro, num parque de estacionamento lotado, sob um sol inclemente e um arrepio de frio, que a saudade mata-nos, a saudade faz-nos errar, mas ainda é ela que nos mantém vivos quando em nós termina qualquer promessa de amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-8119253014827745313?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/8119253014827745313/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=8119253014827745313&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8119253014827745313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8119253014827745313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/10/fake-plastic-trees.html' title='Fake Plastic Trees'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-4182707243942788682</id><published>2010-09-29T22:54:00.000+01:00</published><updated>2010-09-29T22:54:41.653+01:00</updated><title type='text'>mergulho</title><content type='html'>Há dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tantos dias como tantos outros dias, como tantas outras coisas, como tantas outras palavras, palavras leva-as o vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dias que se fazem assim, em suspiros, em esperas inúteis, em fogachos intempestivos contra muralhas de indiferença. Há dias em que se salvam vidas, e outros tantos dias em que outras tantas vidas se perdem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dias, porque não há outros dias, que terminamos ainda mais pobres do que começamos, e ficamos a desejar de mansinho outras pessoas para as pessoas a quem queremos bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dias em que o nosso fogo vai consumir-se em negro, riscado na ponta dos nossos dedos, afastados em direcção ao céu. Quem nos vê, toma isso como a despedida possível, o ponto final daquele dia, quando muito só queremos tocar o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dias, pois claro é claro que há dias, dias em que te quero aqui, e eles são todos, há dias os outros dias, em que te quero longe daqui, há dias, à sempre um dia atrás do outro, há dias, há dias e dias e ainda mais dias em que se repetem no negro da noite as mesmas palavras, os mesmos conceitos. Faltam todas as virtudes e sobram dias, sobre mais dias, para amanhã peço, como não podia deixar de ser, mais um trabalho de casa ou um apontamento de ti, como sempre no dia que sucede ao dia, não me trazes mais do que as tuas mãos entrelaçadas e o teu regaço crú, convidas-me para nele me deitar, mas não deixas sequer uma palavra ficar, uma palavra entre nós, uma palavra que mais do que significar um dia, significasse outra coisa qualquer, qualquer outra coisa que pudessemos interpor entre nós para dar sentido ao dia, sem que dele guardássemos algo mais que migalhas, migalhas sobre o teu colo e o teu cabelo negro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias, porque não? fazem-se de ar fechado entre dois mundos, sabem a plástico, secam-se na torrente interminável de ar que corre sobre eles, alternadamente, fazem-se a verde, fazem-se a água, fazem-se no teu olhar perdido em direcção ao tecto, fazem-se de todos os segundos em que eu encolho em frente a ti, e tu me fazes sentir pequenino e encolhido a um canto. Na nossa dança, porque todos os dias, haveremos de dançar, até que a senhora chegue e me interrompa o passo, haveremos de dançar e não deixaremos de contar os dias, não deixaremos de os ver perder-se entre as nossas mãos, e no final perguntar-nos-emos para que serviram todos estes dias e estes ocasos de sol. No final terminaremos, como todos os outros que nos antecederam, inevitavelmente sós, a contar coisas sobre os dias sem notar que os dias são coisas e nós somos os dias, e todos os dias têm fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-4182707243942788682?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/4182707243942788682/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=4182707243942788682&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/4182707243942788682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/4182707243942788682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/09/mergulho.html' title='mergulho'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-541064192257353586</id><published>2010-09-23T22:45:00.000+01:00</published><updated>2010-09-23T22:45:10.510+01:00</updated><title type='text'>Blue Train</title><content type='html'>Ao final do dia somos todos sombras projectadas contra o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre nós, como sempre, o brilho amarelo dos postes de iluminação e à nossa frente, o contínuo pavimento de cimento, onde vamos delineando, em tons de cinzento, a luta do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava deitado naquela cama à quanto tempo?&lt;br /&gt;Antes havia um tempo, um tempo para estar deitado, outro para acordar, tomar o pequeno-almoço e levar os filhos à escola, haveria outro tempo para almoçar, outro para lanchar e outro para jantar, havia, no final, um tempo em linha recta, que lhe dizia, em marcas sucessivas, que um dia sucedia ao outro, e aquele que deixava para trás era a véspera de um novo dia.&lt;br /&gt;Agora não havia tempo, só havia um quarto de hospital, e um sono sem sonhos, umas vezes por cansaço a maior parte por drogas, e nada que lhe dissesse "é isto que tu tens para fazer".&lt;br /&gt;Tinham tentado tirar àquele branco imaculado a sua identidade asséptica, aqui e ali, até onde o pescoço deixava rodar, estavam espalhadas fotos de alguém que se assemelhava a si, o calor desbotava as cores e tornava o papel macilento, uma delas tinha caído, colava-se ao chão, quando a recolocaram só restava na sua frente impressa um borrão avermelhado onde dificilmente se distinguiria alguma coisa.&lt;br /&gt;Por vezes tinha visitas. Pessoas da sua vida que o olhavam com piedade mais do que com ternura. Nada mais conseguiam do que renovar a sua vontade em partir. Outras vezes eram os médicos, ou os enfermeiros, ou isto ou aquilo, toda uma panóplia de gente que parecia extremamente ocupada. Assemelhavam-se a maestros de orquestra, limitavam-se a regular o ritmo e a cadência de tudo o que o agarrava cá, se a sua boca emitisse algum som, dir-lhes-ia para parar. Ele estava cansado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daquela vez (porque seria?) estava irritado, os dias não eram dias, nem as noites eram noites, e ele não sabia onde estava... mandou à merda um daqueles palhaços enluvados que se afadigavam à volta dele. Pouco tempo depois morreu.&lt;br /&gt;Ainda foi a tempo de descer, passando no bar, para ver o palhaço, já sem luvas, a bebericar café e a comentar entre sorrisos o que ele lhe tinha dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi por isto que passou aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro palhaço, abriu a janela em frente ao seu corpo frio. Dizia que a sua alma tinha de sair por algum lado para regressar até aqueles que o amaram. Todos se riram, e porque não? As máquinas emitiam ruídos surdos e agitavam-se, algumas pediam sangue, outras ar, todas davam vida, mas nenhuma delas sabia como dar paz a ninguém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-541064192257353586?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/541064192257353586/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=541064192257353586&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/541064192257353586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/541064192257353586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/09/blue-train.html' title='Blue Train'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-7477853326793206172</id><published>2010-09-19T06:38:00.004+01:00</published><updated>2010-09-19T06:49:51.089+01:00</updated><title type='text'>Do Re Mi</title><content type='html'>A estrada, em cada curva, faz-nos crer que nela abandonamos o que trazemos connosco.&lt;br /&gt;E sobre ela, sobre cada curva, fica um enorme tapete negro que vamos pontuando com estrelas.&lt;br /&gt;A velocidade aumenta, e porque não? Vamos esquecendo as bermas e os figurantes, um dia esta estrada irá levar-nos ao céu de onde nunca partimos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, na última curva, descubro que não trago nada comigo, e tudo fica mais fácil. O futuro fica em frente e eu só tenho que o escrever a cada passo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje vou sonhar, e porque não? Sonhar que nunca parti, nem nunca tive medo, sonhar que o meu coração não é esta pedra empedernida e que será mais leve que uma pena.&lt;br /&gt;Se é para sonhar, sonhemos acordados, que as coisas são possíveis porque as desejamos...&lt;br /&gt;Sonhemos que temos algo para dar, ou para deixar, que do nosso corpo crescerá o fio que nos ligará à terra e nos faça ver, com toda a clareza possível, uma redenção possível e, claro, uma promessa de bem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque tudo começa na ambição de ter tudo para dar sem nada receber...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-7477853326793206172?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/7477853326793206172/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=7477853326793206172&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/7477853326793206172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/7477853326793206172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/09/do-re-mi.html' title='Do Re Mi'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-8202376431260464149</id><published>2010-09-08T23:21:00.003+01:00</published><updated>2010-09-08T23:32:11.382+01:00</updated><title type='text'>1 rosa vermelha</title><content type='html'>Faziam um casal bonito.&lt;br /&gt;Assim parados à porta do prédio, ela segurando uma flor vermelha por entre os dedos artríticos, ele amarfanhando o chapéu nas suas mãos nodosas que já conheceram muitos cabos de enxada.&lt;br /&gt;Fazia-lhes bem aquela tentativa de se reencontrarem com o futuro, com as promessas de coisas boas que se entalam com carinho em lençóis e aquários de plástico rígido.&lt;br /&gt;E logo à partida assustavam-na os sons e os cheiros, a superficialidade cientifica de quem adejava à volta dela, as vozes que a censurariam cansadas nos seus preconceitos. Mas ela não voltaria atrás.&lt;br /&gt;Tinha um destino, como a rosa vermelha que segurava nas mãos, agora que a sua pele murchava e perdia a cor, havia um testemunho de vitalidade a passar a quem lhe herdaria as esperanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamem-na de velha e suspendam-na por fios, convençam-se que lhe dão um destino melhor do que a morte na vossa militância activa, descubram-lhe um outro fim, acusem-na de tudo, insultem os seus dias com lugares comuns, a vossa experiência é apenas lama onde não tem lugar um reflexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E descubram-na todos os dias no lugar que consideram vosso, quando por ela passarem, e no seu rosto reconhecerem algo vosso, algo que perderam, desejem para depois esquecer a mesma vida que ela tem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-8202376431260464149?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/8202376431260464149/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=8202376431260464149&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8202376431260464149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8202376431260464149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/09/1-rosa-vermelha.html' title='1 rosa vermelha'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-9022110191941005510</id><published>2010-09-05T21:30:00.002+01:00</published><updated>2010-09-05T22:01:25.624+01:00</updated><title type='text'>seringa agulha limão</title><content type='html'>Nós os dois éramos só patéticos, naquele abraço de náufragos, procurando um pedaço de céu para respirar, caídos nos braços um do outro, tendo entre nós um pedaço de terra segura, mas nenhuma vontade em nos soltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seriam 4h da tarde, e pontualmente traziam-te pela mão, como se tivessem medo que te perdesses num daqueles corredores escuros. Atiravam-te para os meus braços sujos, embrulhado num lençol, ficavas a fantasiar comigo, com a tua cabeça atirada contra o meu peito, enquanto eu te procurava no braço uma veia impoluta por onde te injectar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preparava-te a dose sem grande alarido, num silêncio conforme de quem já não tinha nada a contar, entredentes ainda tecíamos alguns comentários sobre a última gaja que tínhamos comigo, ou suspeitávamos comer, mas aquilo tudo era apenas um intervalo até à próxima dose.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podíamos sugerir que não nos víamos, naquele restaurante chique à beira mar... estavas sentado a apenas duas mesas, e por fortuna, o empregado consciencioso tinha-te puxado a cadeira que ficava mesmo em frente de mim. Sentavas-te e com o indicador ajeitavas os óculos que teimosamente insistiam em pender para a ponta do teu nariz, e à tua frente sentava-se quem? Mais uma rapariga, objecto dos teus desejos, loira como não poderia deixar de ser, e que enjoadamente, ia erguendo o copo de vinho branco sugerindo-te por entre sorrisos que preferia estar noutro lado qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas por que diabo eu me fixava em ti? Será porque ainda encontrava alguma coisa que invejar, ou simplesmente, apenas te desejava sorte através do meu olhar glacial, tão frio quanto o vento que soprava lá fora? Ou então mandava à merda todos aqueles momentos e divertia-me a imaginar-te nos meus braços enquanto te erguia de encontro à cruz de madeira impregnada com toda a tua culpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos ambos destinados a perder, mas fazia-mo-lo com estilo e redenção, apregoando a quem nos via que ambos tínhamos ganho nalgum momento das nossas vidas. Serias tu ou seria eu a empurrar-me de encontro à pia, assustando velhas piedosas e profundamente hipócritas, que nos aspergiam com a sua água benta parcimoniosa, deixando em nós um leve cheiro a esgoto e flores mortas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria tudo isso ou não seria nada, seria eu a segurar-te num abraço fraterno, enquanto cuspia para trás de ti uma contagem decrescente da qual não fazias parte. Eu sou a prazo, eu sou a prazo, sou um produto perene destinado a desaparecer, e tu ali, com a faca a pender sobre o teu coração e a prometer-te morte, bendita ignorância que faz os teus dias longos e as noites leves, será que ainda sonhas que a vais ter por entre os teus braços, a caminho de Aveiro, a caminho de um porto onde o teu destino está marcado, a caminho de uma cabine que só tem espaço para um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos enganando o tempo, e porque não, vamos alterando os dias, como quem altera aquilo que vai comer ao jantar. As decisões estão tomadas mas não há nada que impeça que nos abracemos aquela tarde, vamos fumar o ópio e rir de quem passeia, vamos lamber as nossas feridas infectadas e prometer que nunca iremos cair de onde estamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E chegada a hora vamos regressar ao ponto de onde partimos, para ver o sol decair no horizonte e partir, deixando atrás de si menos um dia sem saber se chegaremos a ver um novo ocaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o nosso destino está entrelaçado, um pouco como os nossos braços, um pouco como o nosso peito, vamos desaparecer num número, ou numa vertigem, vamos desaparecer porque vivemos. E o que de nós ficar será lançado ao mar, ou incendiado de madrugada antes que alguém desperte do seu sono, não iremos perturbar ninguém dos que aqui ficam, sobretudo aqueles que sentados, em frente ao mar, destilam uma certeza tranquila de que o mundo corre nos seus eixos e engrenagens, e que todas as peças encaixam onde deveriam encaixar para te ter ali, atrás de uma mesa de madeira, entrelaçada numa aliança de platina, regada a vinho verde, e preparada para tomar o lugar que é teu, do outro lado da cama, pelo menos até ao momento em que o despertador dê o sinal e outro dia comece, mais um dia para uns, e para nós, abraçados aqui, menos um dia que resta para a nossa derrota final.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-9022110191941005510?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/9022110191941005510/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=9022110191941005510&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/9022110191941005510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/9022110191941005510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/09/seringa-agulha-limao.html' title='seringa agulha limão'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-898772741287130537</id><published>2010-08-09T01:58:00.002+01:00</published><updated>2010-08-09T02:25:30.785+01:00</updated><title type='text'>lounge act</title><content type='html'>Este é o fim da história&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente ela tinha parado de respirar.&lt;br /&gt;Tinha acordado à pouco. O calor fazia o seu sono intermitente, mas como não a queria acordar, tinha ficado por ali, deitado de costas a olhar o tecto branco que ficava por cima da sua cabeça.&lt;br /&gt;O ritmo compassado da sua respiração ia agitando os lençóis fazendo correr o ar e tornando aquele Agosto um pouco mais confortável, mas não lhe chegava, por isso levantou-se e dirigiu-se à janela entreaberta segurando o isqueiro e um cigarro na sua mão direita.&lt;br /&gt;Debruçou-se sobre a janela e acendeu o cigarro, do outro lado da rua só havia um pequeno prédio verde e antiquado sobranceiro a um muro branco onde um gato noctívago ia passeando, pé ante pé, à busca da sua presa. O ruído da pedra a moer o seu encosto fez com que o gato displicentemente parasse e se pusesse à escuta, não foi mais do que um segundo, depressa retomou a marcha saltando do muro para uma posição onde ele já não o conseguia ver.&lt;br /&gt;Aquele cigarro sabia-lhe a tantos outros cigarros, a modorra vermelha uns poucos centímetros dos seus dedos, mas de certa forma, naquele quadro, havia qualquer coisa que se destacava, sem ele perceber o quê e tornava o momento inadequado, como se tivesse entrado numa festa e de repente todos os olhos se concentrassem nele por um momento por causa de uma pausa na banda de serviço.&lt;br /&gt;Instintivamente soube que o que destoava esta mesmo atrás dele na cama onde tinha acabado de fazer amor. Depressa atirou o cigarro ainda acesso para a calçada num movimento contínuo do seu tronco que o colocava frente a frente com a pessoa que o tinha seduzido até ali. Ela tinha parado de respirar.&lt;br /&gt;De um salto já estava à beira dela revendo mentalmente aquilo que tinha aprendido uns meses antes no curso de primeiros socorros. Não precisava de confirmar, a ligação que tinham estabelecido perdurava e dizia-lhe com tanta certeza como se fosse ele próprio a parar de respirar que a ela lhe estava a acontecer a mesma coisa.&lt;br /&gt;Depressa uniu os seus lábios aos dela, e de um sopro insuflou-lhe aqueles pulmões. A resistência que sentiu depressa lhe disse que se tratava de algo sério, mas fez ouvidos moucos e continuou a soprar.&lt;br /&gt;Insuflação atrás de insuflação mantinha-a agarrada à vida mesmo que a sua voz interior lhe repetisse que a vontade dela era partir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não, não poderia ser, ainda à pouco tinham partilhado banalidades à mesa de jantar por entre um tinto encorpado. Não, não podia ser, se ainda à pouco se beijavam. Não, não e não, não podia ser se ainda à pouco tinha penetrado o seu corpo quente e sentido na sua nuca a expiração luxuriosa de quem sente prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ainda assim ela fugia-lhe por entre os dedos, como aquele verão se despedia em chuvas invernais que amansavam as noites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela fugia-lhe a cada expiração, a cada pressão ritmada que imprimia no seu peito nú, não, ela não iria voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Restava-lhe comentar as opções enquanto recolhia a roupa que ambos tinham espalhado pelo quarto. Restava-lhe a esperança de um sonho enquanto apagava uma após outra as velas que ambos tinham acendido uns momentos antes. Restava-lhe a raiva enquanto calculava o seu próximo passo na penumbra do quarto,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não lhe doíam as despedidas. Elas eram tão certas como ambos estarem ali. Doíam-lhe as impossibilidades e as certezas, de que nada, a não ser memórias, poderiam sobreviver àquela noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lounge act&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-898772741287130537?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/898772741287130537/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=898772741287130537&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/898772741287130537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/898772741287130537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/08/lounge-act.html' title='lounge act'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-1593019448524200661</id><published>2010-07-28T03:33:00.002+01:00</published><updated>2010-07-28T04:31:57.225+01:00</updated><title type='text'>ascend to oblivion</title><content type='html'>Por vezes fazemos listas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E anotamos nas margens de folhas de papel as pontuações que somamos em cada acto da nossa vida, e quando as seguramos entre nós, por entre o nevoeiro que sobe de duas chávenas de café, fazemos tudo por tudo para que o outro reveja a sua lista, rezamos para que tudo aquilo que ele escreveu tenha sido a lápis de carvão, e claro, que tenha à mão uma borracha, capaz de apagar e começar de novo os pontos que a vida nos dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo quando as anotações se fazem a tinta permanente, ficamos à espera, de mão dada, que alguém venha e nos desminta, rasurando os nossos próprios livros, para poder começar o dia seguinte numa nova página, completamente em branco, uma outra página onde seja possível escrever uma história nova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu deus, quando nos olhamos de frente, e pensamos ser capazes de manter esse olhar para além da nossa culpa, existe sempre a possibilidade que a nossa vida não se faça de listas, mas de momentos como este.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E antes que nos vença o tédio, antes que te dedique canções cansadas de poetas tristes, antes que te convide para mais uma dança e te arraste pela pista numa alegria de fim de festa, antes que a letargia nos vença e façamos da rotina um conforto, diz-me que esse livro, como todos os outros, achou um lugar próprio na estante, e a contabilidade dos dias, dos nossos dias, prometerá que eu esteja sempre como número 1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o destino comum. Esse é o destino que desconhecíamos na nossa inocência. O amor era aquilo, terminava num ponto final, ou numa exclamação, nunca numa ideia suspensa em três pontos, nunca numa promessa de continuidade para além de um lugar a partir do qual abandonaríamos grande parte do que fomos.&lt;br /&gt;Talvez o amor não seja isso, nem seja nada do que imaginamos, talvez seja esse espectro falado na terceira pessoa, talvez seja essa ausência, ou essa constância, talvez seja aquilo que perdura para além do bocejo de uma noite comprida, talvez não seja a explosão ao fim da noite, mas simplesmente um amanhecer na praia que antecede mais um dia de trabalho.&lt;br /&gt;Talvez não seja mesmo maior que a rotina, talvez precise de segurança, talvez não se queira livre mas sim fiel, talvez tenha a ver com mentiras, talvez tenha a ver com todas as coisas que desconheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como eu poderia saber?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não encontrava listas quando percorria o teu corpo com as minhas mãos, as tuas curvas não se faziam de letras nem a minha boca emitia palavras quando provava a tua pele&lt;br /&gt;O meu mundo fazia-se de caos e não de estantes, quando te convidava a entrar agradecias que deixasse a rotina à porta e deixasse os dias de fora porque as noites eram só minhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora em todo o lado encontro listas, palavras atrofiadas pelo uso que sobem aos céus como balões na noite de são joão. tudo tem um preço ou uma ordem, tudo tem um número, incluindo nós, estamos entre prioridades, somos uma adenda, mesmo a ideia que temos do outro é um adereço, o que é feito da nossa liberdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que me vale estar em quarto ou em primeiro? Na tua lista, no teu dia, ou na tua vida, se o que temos para fazer não é nada, se eu não puder ser livre para estar, se me tenho que entregar em porções divido em partes comestíveis, dividido mas nunca inteiro. Diz-me do que resulta uma soma entre partes, diz-me qual o sentido de sermos fracções?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sucesso está em estar partido, o sucesso faz-se antes de dormir, já não há espaço para o sonho, já não há espaço para morrer jovem, já não há espaço para nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algo numa praia, num café, numa cama enquanto fazemos sexo, numa banheira tapada, numa casa deserta, há algo mas não somos nós, há algo que se chama conforto, mas não há nada que possamos fazer porque queremos, há algo que se agita mas logo adormece, há algo que perdura, e o que perdura é o tempo é a promessa do que há-de vir e que sempre vai falhar, há algo que vai desaparecer enquanto morremos para nunca mais voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algo que se perde quando deixamos de nos debater e agradecemos. Agradecemos por estar alí, e sorrimos, marcamos cafés, fodemos, juramos fidelidade e traímos na traseira de um carro, juramos amor e nos desmentimos a um desconhecido na praia, digo eu que há algo que se perde ali, mas nem eu, nem tu poderemos ver o que resta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho respostas, só tenho perguntas.&lt;br /&gt;E listas anotadas a lápis como todos os outros, como todos os outros tenho um rótulo para cada um inclusivamente para mim.&lt;br /&gt;Só não tenho estantes, seja porque o destino o não permitiu, seja porque no meu caos não há espaço para a ordem.&lt;br /&gt;Só tenho liberdade para te dar, e a vontade de te deixar entrar sem te impedir que partas.&lt;br /&gt;Só tenho mentiras, camada atrás de camada de ilusão, e no entanto, prometo verdade atrás de cada véu que atravesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E em mim só subsiste a raiva, entreposta por cada camada de hipocrisia sob a qual o mundo me enterrou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-1593019448524200661?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/1593019448524200661/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=1593019448524200661&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1593019448524200661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1593019448524200661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/07/ascend-to-oblivion.html' title='ascend to oblivion'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-915652740729564031</id><published>2010-07-21T17:42:00.003+01:00</published><updated>2010-07-21T18:02:03.878+01:00</updated><title type='text'>3ª saída em roxo</title><content type='html'>Por tudo o que se passa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo o que se passa podemos ter um vislumbre do futuro e descobrir que nele já não há espaço para a esperança, que tudo o que podemos obter desta vida são migalhas, desfortúnios, e certezas de que algo está para vir havendo em nós a confirmação secreta que nunca estaremos preparados para as receber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazemos um balanço, sentados num carro a toda a velocidade tendo ao lado alguém que deixamos de conhecer. Nuns instantes breves, enquanto ultrapassamos um carro e curvamos à direita na direcção da saída que pretendemos tomar, fazemos uma lista, e esperamos que o balanço final entre o deve e o haver seja quanto baste para nos manter à tona, para nos deixar lutar um outro dia, ou pelo menos para nos dar coragem para desistir a tempo das lutas que tomamos como perdidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí desejamos (como poderíamos desejar outra coisa?) que sair enquanto ganhamos é a última vitória possível, ou pelo menos não é uma derrota, pelo menos não é um nó que damos à nossa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente expressamos essa ideia, queremos sair entre loas, deixar saudade para trás, mas porque algo nos prende temos que ouvir essas palavras atingirem-nos como punhos fechados, enquanto mordemos a língua para não repetir o nosso desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos mais tarde tropeço em ti, no canto de uma página de jornal, saíste como eu deveria ter saído, mas ainda assim são lágrimas as que me escapam e não o sorriso que se desenha por ti. Poderia elogiar-te a coragem, a integridade, a força, mas o que nos separa é tão grande como todas as coisas que separam o tudo do nada, o que nos separa, e o que nunca nos unirá, é o desejo que tenho de te dar vida, trocarmos o destino, ou trocar-mos as palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nunca, a um ser humano, se desejaria umas reticências para uma vida que deveria ter um ponto final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso e por outras tantas razões não trocaremos de destino, nem eu o desejo assim. Numa noite foste um fogo que brilhou e se extinguiu sem nunca desvanecer, não te farei acompanhar-me até de madrugada para de nós nada restar para além de cinza. Os destinos fazem-se à medida de quem os merece, hoje tropecei em ti, cheguei tarde e sem inveja, não me atrevo a escolher, não serei egoísta, digo-te apenas "tira de mim o que precisares" e saberás ou não voltar para quem te ama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a TA&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-915652740729564031?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/915652740729564031/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=915652740729564031&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/915652740729564031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/915652740729564031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/07/3-saida-em-roxo.html' title='3ª saída em roxo'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-5708675268193970206</id><published>2010-07-15T05:47:00.002+01:00</published><updated>2010-07-15T05:53:37.776+01:00</updated><title type='text'>27jchkc</title><content type='html'>Os meus jardins fazem-se de pequenas árvores laranja, plantadas nas noites que passo sem dormir, de vez em quando trazem-me orquídeas violeta e eu vejo-as definhar quando as afasto do sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem "é qualquer coisa viva aí dentro"&lt;br /&gt;não respondo, mas fico a pensar baixinho que são elas e não eu a velar por mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tenho velas aqui, falta-me a lâmina decente de uma tesoura para as colher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A madeira não sei, mas faremos os pregos com estas árvores pequenas e laranja que despontam retorcidas entre as cinzas de outros dias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-5708675268193970206?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/5708675268193970206/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=5708675268193970206&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/5708675268193970206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/5708675268193970206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/07/27jchkc.html' title='27jchkc'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-6575806843951425689</id><published>2010-07-11T22:41:00.002+01:00</published><updated>2010-07-11T22:50:16.911+01:00</updated><title type='text'>nas minhas veias não</title><content type='html'>"Deixa que os teus bons braços te larguem&lt;br /&gt; Para que os teus bons sonhos te levem&lt;br /&gt; Deixa que os teus bons dias te lavem&lt;br /&gt; Sem perguntar para que serve"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-6575806843951425689?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/6575806843951425689/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=6575806843951425689&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/6575806843951425689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/6575806843951425689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/07/nas-minhas-veias-nao.html' title='nas minhas veias não'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-4848759033089178138</id><published>2010-07-07T00:45:00.002+01:00</published><updated>2010-07-07T01:15:14.592+01:00</updated><title type='text'>6 minutos e quarenta segundos</title><content type='html'>think Stravinsky versus Victorian era clothing&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele rolava o maço de tabaco entre as suas mãos, rodopiando-o precariamente sobre uma pequena poça de cerveja que manchava a toalha onde o copo tinha pousado antes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a ele não lhe interessava estar ali, entre manequins de mamilos erectos e olhar vazio, que compunham, com meia dúzia de trapos, as lojas que rodeavam aquele claustro dos tempos modernos. antes faziam-no com árvores e fontes, hoje substituíam isso tudo por luzes fluorescentes e um piso com a mesma consistência do vinil e igual cor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas a ele já não lhe restava muito mais que os seus ataques de pânico destilados no fundo de um copo, a elevarem-se como ondas de encontro à mesa de mistura, era esse o som que escutava no fundo e se sobrepunha à batida eléctrica do sucesso mais recente, era como um bom clássico dos anos 70 que nunca nos cansamos de ouvir quando a nostalgia nos vem bater à porta de mansinho, e esse marulhar reconfortava-o com a mesma ternura com que reencontramos um velho conhecido a bater no nosso tímpano, ligando-se directamente às nossas cordas vocais até em nós não restar mais do que a vontade de acompanhar o ritmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de vez em quando a madeira estala sobre os seus pés, ele sente o estertor a percorrer o seu corpo filtrado pelo acolchoado e a espuma do sofá vermelho onde se encontra. ao seu lado, num estertor semelhante, um casal abraça-se e vai trocando juras de amor eterno por entre gritos já que o som ambiente não permite mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a ele só lhe apetece mais um copo, e um pedido especial que ainda há-de fazer ao dj 6 minutos e quarenta segundos antes de se ir embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas antes desse pedido chegar ainda há que desfolhar lentamente, como uma margarida, as causas e os efeitos deste mundo e do outro que criaram o chamado destino e o guiaram ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as coisas começam muito cedo, numa explosão, eventualmente numa noite de sexo duro, daquele que acorda os vizinhos e os faz fantasiar sobre o que escutam. depois todos os eventos se encaminham para aquele desfecho, juntem-se umas quantas leis, ditadas ou proscritas, sonhadas no interior de insuspeitos gabinetes e anotadas nas margens por secretárias conscienciosas de mais para caírem num preconceito de género.&lt;br /&gt;anotam-se pois as piadas no verso, e vai-se desfiando uma após a outra como contas do rosário. à medida que se contam os dias escavam-se fossos entre nós, e nada pode ser como antes... preenchem-se de água e fazem-se oceanos, no final fica sempre aquela imagem distinta, intrinsecamente perfeita mas que nos lembra apenas do sítio de onde viemos e não do sítio para onde queremos ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e é aí que eu entro, para estragar a frequência, perfilo-me como um desses manequins, que te olham vazios através das montras cobertas de pó, se o dia é nosso e à luz do sol parecemos vivos, nesta noite, ou em todas as outras, somos apenas estátuas de cera que te olham através de aquários e te vêem ir quando o bilhete acaba e tens de sair por aquela porta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se tivesse coragem ainda te pedia para ficar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e por entre convulsões de pânico imaginaria fazer-te feliz à velocidade do som&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;chega-me a mim, chega-te a mim, e deixa que os perfumes se entrelacem como se entrelaçam os sons naquela pista, hoje somos luzes de néon e vamos ter a sua consistência, vamos imaginar que nada nem ninguém nos controla e podemos divagar por toda a pista, detendo-nos apenas nas pessoas que escolhermos amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deixa que engane a morte e a conveniência, hoje a noite é jovem e ainda nem cheguei ao fim do copo para nele encontrar o meu destino, hoje somos nós e não os outros e portanto prometeremos, sendo fiéis, que gostaremos um do outro pelo menos até a noite acabar, faremos amor neste sofá vermelho de damasco e confiaremos nos manequins e no seu olhar frio para nos guardarem enquanto dormimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;amanhã acordaremos sozinhos, e longe daqui, já só faltam 6 minutos e quarenta segundos para partir&lt;br /&gt;a última canção é para ti...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lady of the flowers&lt;br /&gt;they've been dead for hours&lt;br /&gt;interflora&lt;br /&gt;cause i  adore ya...﻿&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-4848759033089178138?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/4848759033089178138/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=4848759033089178138&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/4848759033089178138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/4848759033089178138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/07/6-minutos-e-quarenta-segundos.html' title='6 minutos e quarenta segundos'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-4932871795343816458</id><published>2010-07-02T23:43:00.003+01:00</published><updated>2010-07-03T00:12:57.029+01:00</updated><title type='text'>Lithium</title><content type='html'>A mão dele deslizava sobre as fotos com o mesmo desvelo com que folheava o álbum que a sua amiga lhe emprestara de véspera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Either side is sacred......&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas imagens que se sucediam apareciam sorrisos e apontamentos de festas, como decorações primaveris sobre buganvílias num solstício de Verão.&lt;br /&gt;Os dias sucediam-se e o que deles ficava era aquela película colorida que ponteava o percurso, desdobrando as margens e abraçando o rio, éramos jovens então, e como agora, sobravam-nos as razões para fazer o que fazíamos mesmo que o resultado entre o hoje e o ontem seja tão diferente.&lt;br /&gt;Éramos peixes, na margem do rio. E sonhávamos deter a corrente num cotovelo do curso. Éramos tão jovens então.&lt;br /&gt;Éramos tão jovens como cadernos de poesia apontados na margem, éramos tão jovens quanto os lápis de carvão que metíamos à boca e mordiscávamos nos intervalos das aulas. Fazíamos poesia, e discutíamos filmes à saída do shopping e quando nos cansávamos simplesmente recolhiamo-nos aos nossos quartos adjacentes para discutir rapazes em sussurros e sorrisos nervosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As tuas sardas faziam-te parecer mais velha, e por isso ficava ao centro.&lt;br /&gt;Em todas as fotos te encontro aí.&lt;br /&gt;E nós à tua volta, gravitando, no centro do nosso universo, ou de mil universos, um para cada gesto, ou um para cada instante, um para cada primavera e um para cada caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Natal trocávamos prendas antes de recolher a casa. Tudo nos parecia perfeito e de certa forma imutável. As pessoas de quem gostávamos permaneciam ali, ou sobreviviam dentro de nós por os querermos tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os nossos dias não se faziam de esperança mas de vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cut off...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"a sorte de qualquer homem, já que não pode escolher onde nasce, é decidir onde morre"&lt;br /&gt;verso em foto J&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-4932871795343816458?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/4932871795343816458/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=4932871795343816458&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/4932871795343816458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/4932871795343816458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/07/lithium.html' title='Lithium'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-3873583832962368893</id><published>2010-07-02T00:00:00.002+01:00</published><updated>2010-07-02T00:24:55.821+01:00</updated><title type='text'>She lost control</title><content type='html'>Prefiero que me mientas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, pela última vez vou limpar o pó à minha arma e carrega-la com algo mais do que pólvora seca.&lt;br /&gt;Hoje, pela última vez na minha vida, vou escovar o carregador e alinhar as balas com um beijo em cada ponta.&lt;br /&gt;Hoje na última vez que vejo o sol a nascer, vou testar o percutor uma e outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ao sair de casa, na parte de dentro do meu casaco, saberás que está lá o teu testamento e na minha mente a tua sentença de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E à medida que me aproximo de ti, inexoravelmente, acelerando o automóvel por aquela estrada de asfalto, prepara-te para carpir sobre a tua mortalha com o mesmo desvelo com que vou fantasiando sobre o teu último olhar que deitarás, um misto de dor e incompreensão atravessando o cano da pistola que empunho contra ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não saberias tu que os anos que dedicas-te à prostituição, os sorrisos com que acolchoavas a tua lassidão perante outros de menor valor, teriam um preço a pagar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu sou o anjo da morte, e distribuo justiça com a minha espada flamejante de 9mm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E enquanto naqueles corredores sobrarem corridas e desmaios conscienciosos todos verão os meus passos vermelhos e o meu olhar tranquilo enquanto decido quem ficará aqui ou quem partirá para outra vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os justos caminharão de volta, quando o ruído das televisões passar.&lt;br /&gt;E todos os injustos apertarão as mãos quando o seu coração levantar com estrondo a pena, e tiverem que passar para o outro lado respondendo pelo que fizeram nesta vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não fosse pelo tempo, pela eficácia e pela limpeza, preferiria (saberás isso quando me olhares...) cravar-te uma lâmina curva e cuidadosamente afiada no teu peito, torcendo devagar o punho para alargar as margens da ferida. E dizer-te enquanto cais que te odeio a cada batimento cardíaco, que cuspo na tua cara, na tua homosexualidade assumida, no teu arrastar de asa a crianças inocentes, na tua sabujice descarada, no teu sorriso falso e em todos os deuses que adoras ou intrujas, cuspo neles todos e para todos tenho reservado o mesmo destino que te aplico a ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tu não sabias que a cada passo me arrancavas vontade, que a cada movimento me secavas a fonte?&lt;br /&gt;Por acaso não sabias que me movimentava noutro plano e não tinha outra ambição para além de fazer aquilo para que estava destinado? E tu mudaste esse destino, juntamente com todos aqueles que vão morrer hoje, e eu não tinha outra alternativa senão sair na próxima estação...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nela descobri o teu (e o meu) destino, sobre um banco de jardim, materializada numa peça metálica que há-de cuspir 9 balas, cada uma com o seu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Substituíram em mim, o amor por ódio&lt;br /&gt;Não reclamem portanto que estas mãos já não saibam curar, mas sim matar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-3873583832962368893?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/3873583832962368893/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=3873583832962368893&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/3873583832962368893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/3873583832962368893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/07/she-lost-control.html' title='She lost control'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-2303966254893872694</id><published>2010-06-23T01:32:00.003+01:00</published><updated>2010-06-23T01:50:39.112+01:00</updated><title type='text'>Bigamia</title><content type='html'>Remetes-me para uma página de internet que se destrinça no google.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou parar lá por tédio ou por enjoo, vou ver o teu corpo despido entalado em roupas sugestivas que prometem sexo a cada olhar dengoso que emites em poses cada vez mais forçadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a razão da minha febre&lt;br /&gt;Esta é a razão da minha bigamia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-lhe para não sair de casa assim&lt;br /&gt;Chama-lhe de marta e fica a preparar-lhe um canto no teu recanto algo de próximo e que se torne o seu lar, ela nao quer chorar, como eu não quero chorar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fico a sonhar como ela trepa aos armários e me desfaz o sofá com as suas unhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na falta de força para sair da cama, vou troteando refrões ou dedilhando cordas, e navegando a World Wide Web à procura dessa dama do sinal que se desloca por entre espaços em corredores longínquos segurando cigarros escuros na ponta dos seus dedos e vendo o fim a cada um dos passos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;diz que os seus dias se compoem de noites e se desfazem em destroços, dizem que os instantâneos captam o momento e de certa forma propagam o alvor da madrugada que se capta nos seus olhos cansados e envelhecidos mas nunca na sua anca roliça a prometer desejo e ódio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dizem que é pornografia, todas as famílias lhe apontam um dedo erecto, e todos os olhos se cravam nela quando passa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dizem que parou o trânsito, ou que causou um acidente quando num cruzamento se deteve numa banca, dizem que foi alguém de valor que ficou com ela, dizem que ganhou o prémio a esforço e produziu uma filha de igual valor, dizem que essa é uma história como seriam outras tantas histórias, dizem que esta é só mais uma história de bigamia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dizem que ele é um homem e ela é uma mulher&lt;br /&gt;dizem que o lugar deles é numa cama, e nunca saírem de lá&lt;br /&gt;dizem que ele vai varar aquela virgindade com um falo certo e nu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"foi tão bom para mim como foi para ti?"&lt;br /&gt;pergunta-lhe ele no final&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dizem-lhe "!!é sexo!!" e há trabalho para fazer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;amarrem-no a uma cadeira e ensinem-no a cantar como um canário loas ao que há-de vir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é mais fácil, o mais fácil é dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mudas-te de penteado hoje?&lt;br /&gt;ou só de roupa interior?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje trocamos o rock pelo jazz e apetece-me ser romântico até me meter entre as tuas pernas&lt;br /&gt;e vou prometer-te amor eterno enquanto te traio por outra de menor preço&lt;br /&gt;fica sempre qualquer coisa por fazer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e nesta vida ou na outra, por entre trabalhos, comentários e juras, vou-me lembrar de ti&lt;br /&gt;para nunca mais mentir&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-2303966254893872694?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/2303966254893872694/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=2303966254893872694&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2303966254893872694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2303966254893872694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/06/bigamia.html' title='Bigamia'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-1720888533649875324</id><published>2010-05-01T02:37:00.003+01:00</published><updated>2010-05-01T02:49:13.164+01:00</updated><title type='text'>Constituição</title><content type='html'>não há nenhuma despedida, as coisas importantes continuam a viver em nós, mais não seja através daquilo que imaginamos delas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estou velho, e não o noto pelos cabelos brancos nem pela textura da pele, noto-o pela expressão indelével no olhar que me acompanha quando coloco em série as poucas fotos que tenho de mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há muito que encostei para um canto a máquina fotográfica que tenho há anos... será que subconscientemente saberia que não pretendia registar nada do hiato?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estou farto de perguntas e muito mais farto das respostas que quero alcançar, em mais verdade diria que o que mais desejo na vida é encontrar esse interruptor no cérebro que me permita adormecer e viver da vida os dias sem carregar os que me antecederam nem desejar para hoje o dia de amanhã&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e o mais constante será o louvor que presto à inadaptação... enquanto me sentir homem à parte significará pelo menos que não sou igual a eles...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando o for, pesem os meus dias todos e contraponham aquilo que deixei de bom, por piedade acrescentem um kilo, e depois deixem que o fiel da balança escolha o destino, já conheci o bem e o mal, se o que têm para oferecer é algo do mesmo deixem que os meus dias escolham o lado para onde cair.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-1720888533649875324?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/1720888533649875324/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=1720888533649875324&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1720888533649875324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1720888533649875324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/05/constituicao.html' title='Constituição'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-1118016953478358540</id><published>2010-04-19T00:38:00.003+01:00</published><updated>2010-04-19T01:09:19.613+01:00</updated><title type='text'>requiem for a dream</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=e2Ma4BvMUwU"&gt;n-ost&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;são partículas suspensas num líquido turvo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;preenchem milímetro a milímetro a escala graduada de uma seringa, aspiradas por um êmbolo que ascende em direcção ao céu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando o seu movimento se detém e inverte, o espaço é rasgado por uma curva líquida que se perde no tapete de damasco, as últimas bolhas de ar desaparecem dando tempo a que o garrote envolva o braço e adormeça a mão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a cefálica desperta sob duas palmadas vigorosas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e de repente é penetrada pela estéril agulha perfurada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o êmbolo desce e a vida termina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;são partículas suspensas num liquido turvo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os impulsos do nosso cérebro também não são muito diferentes, igualmente suspensos num líquido turvo de consciência procuram acender a noite em que mergulhamos com partículas luminosas e faíscas breves que mergulham na neve&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esperam por um êmbolo que as aspire e as derrame sobre o sangue, esperam que nos tornemos deuses sobre a nossa vida e decidamos o nosso destino com a mesma facilidade com que escolhemos a ementa para jantar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas eu já caí&lt;br /&gt;sobre um tapete de damasco vermelho&lt;br /&gt;e não tenho para prometer a mim mesmo mais do que esta noite&lt;br /&gt;não há manhã sobre a qual acordar amanhã&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há esta seringa, e estas partículas suspensas num líquido turvo e a oportunidade perfeita para fazer um bypass ao futuro e encontrar-lhe o sentido no ponto em que ele acabou&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-1118016953478358540?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/1118016953478358540/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=1118016953478358540&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1118016953478358540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1118016953478358540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/04/requiem-for-dream.html' title='requiem for a dream'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-7707090828864020899</id><published>2010-04-16T22:53:00.002+01:00</published><updated>2010-04-16T23:26:33.568+01:00</updated><title type='text'>Cabói Inglês</title><content type='html'>A vulgaridade não está marcada em nós como um sinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surpreende-nos a uma esquina da vida, como uma puta, tresanda a perfume barato e a súor e convida-nos a uma queca rápida entre os lençóis coçados de uma pensão barata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não escapamos a esse destino. É o destino que nos coloca uma nota no bolso quando perdemos a mão nessa fundura procurando mais uma desculpa do que um conto de réis. Ou então é o destino que nos desperta da cama e nos faz caminhar a horas em que todos os gatos são pardos. Ou talvez seja ainda o destino a turvar a nossa vista fazendo-nos crer que aquele par de pernas apertadas numa saia minúscula têm muito mais sensualidade do que varizes pulsantes desenhadas como rios em pernas velhas e cansadas de se abrirem ao primeiro que lhes apareça com dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vulgaridade surpreende-nos, saindo da esteira dos nossos próprios passos, saltando ao nosso caminho depois de apoiar uma mão no nosso ombro, fingimo-nos surpreendidos ou até mesmo revoltados, mas raspando o verniz à coisa irrita-nos mais a previsibilidade cénica da coisa do que o seu sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vulgaridade escapa como água por entre as palavras e faz com que os nossos passos se entrelacem e que os nossos pés tropecem um no outro enquanto se lhes vai o destino pelo dilúvio abaixo e se remetem como barcaças a suportar a corrente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vulgaridade aproxima-nos dos outros enquanto extende as noites até ao limite do possível para depois as preencher com solidão. Lembra-nos que não estamos sozinhos enquanto prolonga e multiplica os dias para que cada um nos lembre do anterior e nos prometa o próximo, prolonga e multiplica as pessoas para que cada uma nos lembre a outra e a outra nos lembre a nós próprios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A vulgaridade faz desta distância um fosso e preenche-o com oceanos, florestas e dragões mitológicos que cospem fogo com a mesma velocidade com que eu sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comum é uma benção, faz com que rodemos a vida como quem não pensa na morte, mas só pelos segundos em que penso na morte é que eu sei fazer as pontes que atravessam estes oceanos ou que derrubam estas árvores ou que empalam estes dragões, para depois as perder, para não ser sozinho estando só para não ser querendo ser igual...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a maior ironia da vulgaridade é prometer comunhão na solidão ascética de uma visão superior cuja única pretensão é sonhar contigo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AP&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-7707090828864020899?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/7707090828864020899/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=7707090828864020899&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/7707090828864020899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/7707090828864020899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/04/caboi-ingles.html' title='Cabói Inglês'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-1429391792650229894</id><published>2010-04-09T17:17:00.003+01:00</published><updated>2010-04-09T17:42:25.642+01:00</updated><title type='text'>Paranoid Android</title><content type='html'>Sou como um fantasma a passar no meio deles.&lt;br /&gt;O meu olhar só se crava na sua nuca, mas não se cruza com nenhum outro, perde-se contra as paredes ou contra as luzes de halogéneo que sobressaem do tecto.&lt;br /&gt;Sou como um fantasma porque não pertenço àquele espaço, expulsaram-me pelos sacrifícios que não sei fazer, pelas palavras que deveria ter dito e não disse, ou pela conveniência de quem se pacifica com pouco.&lt;br /&gt;Estou no meio deles e ainda assim estou longe, desloco-me para outro espaço que antes me parecia especial porque era meu, ou porque nele se guardavam velhas relíquias cobertas de pó. Hoje elas vendem-se ou trocam-se no mercado por um punhado de feijões mágicos. Ficou foi por inventar a terra onde, se plantados, cresceriam até ao céu.&lt;br /&gt;Reservam-me para mim, fantasma, um lugar afastado do centro, paradigma da trajectória elíptica e centrífuga que me expulsa deste lugar. No centro deste universo morre o sol e com ele desvanece-se a última réstia de luz e a última centelha de calor. Os planetas ficam pálidos e frios, neles não cresce vida e no entanto perduram na sua órbita fixa por uma rotina que já esqueceu que naqueles mundos já existiu um sol. E quando o sol explode para dar lugar a uma anã branca sinónimo do nível pelo qual se mede toda a qualidade aqui, afasta-me cada vez mais do meu destino negando-me que alguma vez tenha sido o meu, a sua explosão em fogo, sinónimo de morte abre outras portas e outros destinas enquanto inevitavelmente encerra o meu.&lt;br /&gt;E não lhe importa que em mim resida a esperança, ou pelo menos o desejo de acender de novo esta luz. Não lhe importa que em mim haja ainda uma centelha pronta a pegar fogo a uma estepe demasiado ressequida pela indiferença. A esfinge que guarda este mundo há muito que não se move por compaixão ou piedade.&lt;br /&gt;Eu sou uma centelha de vida que arde num interior de um fantasma.&lt;br /&gt;Sou a primavera adiada depois de um inverno tão longo.&lt;br /&gt;E vão retorquir como de costume que me move o desejo, ou o orgulho, ou crença cega numa boa estrela que parece ter ido de vez quando a destinei a velar por alguém num impulso abnegado que mais uma vez se disfarça de desejo.&lt;br /&gt;E dizem que o meu desejo é impossível ou mais uma vez adiado.&lt;br /&gt;Dizem que o meu desejo é como uma bola colorida que embate nos painéis de madeira da roleta que eles fazem girar.&lt;br /&gt;Dizem, ainda, que quer apostando 1 conto de réis ou a vida, é igual, será sempre a sorte a decidir em que casa paro.&lt;br /&gt;Mas não sabem que para mim, ou por ser fantasma ou por ver simplesmente mais longe, a recompensa nunca vai pagar a aposta, e ainda assim a desejo, desejo-a enquanto explode um sol e todos os mundos se queimam... desejo-a enquanto os outros decidem que o sol "já não faz falta brilhar"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;this is what you get&lt;br /&gt;this is what you get&lt;br /&gt;this is what you get&lt;br /&gt;when you mess with us&lt;br /&gt;karma police&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-1429391792650229894?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/1429391792650229894/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=1429391792650229894&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1429391792650229894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1429391792650229894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/04/paranoid-android.html' title='Paranoid Android'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-8331774219459770755</id><published>2010-04-06T22:31:00.002+01:00</published><updated>2010-04-06T23:02:38.700+01:00</updated><title type='text'>Lithium</title><content type='html'>volto-te as costas e contínuo a caminhar. e entre nós deixo cair um véu tecido com convicções. disponho-me à frente de um tribunal de caras conhecidas que atiram questões como gotas de chuva. para todas elas encontro uma resposta, seja ficcionada ou não, seja verdade ou não, seja real ou o seu oposto, sejam mentiras ou verdades o certo é que para cada uma das gotas que caiam existia sempre algo de mim para conter uma resposta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e no topo delas um sorriso cínico que sabia a desespero&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;são palavras reflectidas num vidro de diamante que escolta uma ampulheta e se dispersam sobre nós como pequenas nuvens brancas incapazes de esconder o sol, existe algures uma terra prometida, mas não é para nós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é todo esse espaço de dor que se estende no tampo de uma mesa e levanta os cantos de muitas folhas velhas espalhadas, e em todas elas um número como uma pessoa que estende os braços empurrando os outros para fora, e para todos eles os dias fazem-se assim em corredores pastel e em cadeiras estreitas, em esperas desesperadas e insignificantes sob o olhar de putas histéricas que os vão revolvendo em lume brando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e em todos eles me posso ver a mim, mas por todos eles não gasto lágrimas, vou gastando o meu sangue comigo e aspergindo gotas em corredores e contra as paredes vou desenhando círculos à sua volta detendo-me um pouco para os acariciar um pouco com o olhar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;somos todos feitos da mesma matéria, mas uns servem para servir, e outros servem para mandar, somos todos feitos da mesma matéria mas caminhamos sozinhos e desconfiados de quem está ao lado, temos todos o mesmo rótulo, mas nenhum de nós se importa pelo outro estar na prateleira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tenho uma consciência que me escorraça aos pontapés por uma viela escura e me faz desembocar nesse corredor para nele tratar um irmão como inimigo, é o ódio que nos separa mais ou menos intenso mas sempre presente é ele que faz as fronteiras entre nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não terei de dizer à tua mãe, nem ao teu pai ou à tua avó chorosa que te tirei a vida lutando por algo, pelo menos com isso conseguiria que o seu ódio se voltasse não contra mim mas contra a causa, não, não tenho isso para dizer, tenho para lhes dizer que te tirei o futuro e não o fiz para que alguém tivesse um futuro melhor, mas simplesmente fi-lo por causa de mim.&lt;br /&gt;e do mesmo modo, alguém, que me tira o futuro, fá-lo com a mesma indiferença com que te condeno ao vazio, aqui quem ganha algo ganha apenas aquilo que alguém perdeu, e não há solidariedade para aqueles para quem perder é apenas uma questão de método.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;destilo a minha vergonha junto à praia.&lt;br /&gt;agarro-me com ambas as mãos ao meu desejo enquanto caminho sabendo que a cada passo que dou atiro mais alguém para essas ondas sem lhes pedir perdão.&lt;br /&gt;sei que ao meu lado ou por trás de mim há alguém a fazer precisamente o mesmo comigo enquanto eu apenas desejo ter um pouco mais de sorte do que eles.&lt;br /&gt;é aí, enquanto uma onda se desfaz, que me recordo da tua imagem dessa tarde mesmo no momento em que te virei as costas&lt;br /&gt;como te posso convidar para este mundo se eu próprio não consigo viver nele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mãe, eu não quero crescer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AP&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-8331774219459770755?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/8331774219459770755/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=8331774219459770755&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8331774219459770755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8331774219459770755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/04/lithium.html' title='Lithium'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-2698562620252575432</id><published>2010-04-02T01:26:00.002+01:00</published><updated>2010-04-02T01:32:40.068+01:00</updated><title type='text'>Drain You</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=xr_sZjniZ2I&amp;amp;feature=related"&gt;&lt;br /&gt;Cover Sleeve - Coldfinger&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-2698562620252575432?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/2698562620252575432/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=2698562620252575432&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2698562620252575432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2698562620252575432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/04/drain-you.html' title='Drain You'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-8922703458302744935</id><published>2010-03-28T00:45:00.003Z</published><updated>2010-03-28T03:12:11.050+01:00</updated><title type='text'>c'est un pari que j'ai du faire dans une autre vie miserable</title><content type='html'>"meu sonho tem boca&lt;br /&gt;que o digam meus ossos&lt;br /&gt;tem 2 olhos&lt;br /&gt;sobre a nuca&lt;br /&gt;e reza todos os dias&lt;br /&gt;que em todas as horas&lt;br /&gt;houve um tempo&lt;br /&gt;sem mentira"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tropecei naquele comentário como poderia ter tropeçado noutra coisa qualquer, afinal não há nenhum acaso que se separe do final do copo da cerveja para erguer  uma esquina qualquer, onde menos esperamos, e onde inevitavelmente vai cair o nosso pé&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e então? dizia eu, entre soluços, e então? &lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;[censurado]&lt;/span&gt; é real!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se fosse gaja ainda podia aproveitar um canto de uma unha de gel para raspar à superfície a sua camada de verniz e expor sob a máscara a verdadeira face do mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;[censurado]&lt;/span&gt; enquanto comia a outra na parte de trás do carro &lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;[censurado]&lt;/span&gt; ainda lhe restava a coragem para &lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;[censurado]&lt;/span&gt; talvez por racionalizar que de certa maneira a &lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;[censurado]&lt;/span&gt; seria um outro caminho para &lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;[censurado]&lt;/span&gt; ou no final de contas, chegar à conclusão que trair com um corpo ainda consegue ser um pouco menos grave do que trair com uma mente&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt; [censurado] &lt;/span&gt;mas tais imagens não te vêem à ponta dos dedos &lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;[censurado]&lt;/span&gt; enquanto escreves num par de linhas a maior mentira de todas: &lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;[censurado]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;cut&lt;br /&gt;go&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sair à rua naquele instante seria como engolir de um trago aquele copo de absinto que tinha pedido num bar foleiro, enquanto brasileiras de má fama iam roçando as coxas que despontavam de saias florescentes excessivamente curtas, pedindo-lhe que lhes pagasse um copo com a mesma violência com que o convidariam para uma cama emprestada na pensão ao lado.&lt;br /&gt;sair à rua era precisamente o inverso daquilo que o tinha feito entrar naquele bar.&lt;br /&gt;mas estranhamente, o consumo mínimo que o letreiro afixado sobre a velha desdentada que guardava aquele antro não lhe dava o direito de passagem para uma outra margem onde a vegetação fosse mais verde, ou tivesse pelo menos uma outra cor com que iludir os seus olhos cansados e lacrimejantes pela alternância entre o cinzento do asfalto e o cinzento das pessoas que se cruzavam com ele.&lt;br /&gt;não, continuava na mesma margem. e nem se debruçando sobre o balcão do bar poderia ver do outro lado um pedaço do rio. e da mesma maneira, o empregado tristonho com o seu avental pontuado a nódoas ou uma daquelas putas importadas, tinham no seu aspecto algo de minimamente redentor que as transformasse num são cristóvão improvisado para nelas cavalgar até à outra margem do rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e as ondas sonoras que emanavam de umas colunas igualmente decrépitas apenas transportavam o cheiro a sémen, borracha, alc´´ol e perfume barato,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para ele todas as máscaras tinham caído pelo caminho, e aconchegavam-se aos montes de encontro às esquinas dos prédios empurradas pelo vento e degradadas pela chuva, e ainda assim face à evidência, o mundo continuava a funcionar, como se essa verdade ignorada fosse de certa forma o lubrificante ideal para fazer as relações funcionar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando saía, portanto, já não via o sorriso, ou as lágrimas comovidas, ou os beijos que os amantes trocavam em esquinas coloridas pelos letreiros de néon das sex-shops...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;merda- exclamava ele - devia ter atenção às palavras pequeninas no final dos contractos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tudo tinha começado 2 anos atrás, quando numa feira qualquer, enquanto procurava um produto contrafeito para o seu telemóvel se tinha detido numa pequena barraca montada mesmo à beira rio&lt;br /&gt;entrara mais pela curiosidade que tinha por ver o que se venderia ali, do que por esperança de que seria precisamente naquele local que encontraria o que procurava, em frente dele estendia-se um tapete encarnado com motivos florais que se encontrava disposto por cima dos seixos que naquele sítio se acumulavam e se prolongava até entrar mesmo dentro de água.&lt;br /&gt;estranhamente, e não saberia dizer com certeza absoluta que se devia à pouca luminosidade da tenda, a água ali parecia-lhe mais negra.&lt;br /&gt;à sua esquerda estava um estranho personagem que parecia aguardar por si já que se levantou como que impulsionado por uma mola mal todo o seu corpo tinha penetrado naquele sítio.&lt;br /&gt;o homem a rondar pelos 50 anos, tinha uma cartola negra que em tudo se assemelhava a uma daquelas que povoa o nosso imaginário como um depósito interminável de pombas e coelhos, acessório indispensável de qualquer mágico que se preze.&lt;br /&gt;de resto apenas se lembrava de uma gravata excessivamente grande e vermelha que parecia ocultar todo o peito do homem e nem sequer deixava entrever a cor da camisa que combinava com o fato escuro e de bom corte do sujeito&lt;br /&gt;já não se recordava das feições dele, mas poderia afirmar com certeza, que se não fosse pela gravata e pela cartola, aquela figura poderia figurar no cardápio de um banco respeitável como uma selecção confortável de um empregado servil e ordinário para checkar o balanço trimestral de uma conta a prazo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o tal homem convidara-o para experimentar, por um preço simbólico de um bilhete que tinha aparecido quase por magia do seu bolso, uma nova imagem de si próprio que combinava a exactidão de um espelho com a ondulação de um reflexo na água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e porque não, se o bilhete era barato e ainda tinha tempo para ir buscar aquilo que procurava, e de certa forma tinha que confessar que se tinha sentido intrigado pela estranha descrição da experiência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;adquirido o bilhete, que nunca chegou a tocar já que o homem rapidamente lhe rasgou um canto e fez desaparecer o que restava no mesmo bolso de onde o tinha retirado, viu como ele se encaminhou para o lado oposto da tenda para descobrir um espelho rectangular que se encontrava escondido debaixo de um pano que por ter a mesma cor que o interior da tenda o ocultava perfeitamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;rapidamente o homem, revelando uma força absurda para alguém do seu tamanho, atirou o espelho para a margem do rio com a parte reflectora dirigida ao céu, convidando-o em seguida para olhar para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele aproximou-se, e em vez de ver, como esperava, o seu próprio reflexo, viu reflectido o tecto da tenda e em segundo plano o próprio leito do rio... quando estendia a mão para tentar descobrir através do tacto o truque atrás daquela ilusão o artista interpôs-se entre ele e o espelho convidando-o para sair. após encolher os ombros saíu dali sem ter a certeza de dar por bem ou por mal empregue aquelas 3 moedas com que tinha comprado o direito a uma experiência no mínimo estranha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma semana após aquela experiência começaram os pesadelos, 33 dias depois começara a duvidar da sua própria sanidade ao descobrir que o que via na rua era profundamente diferente daquilo a que os outros viam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o pesadelo era sempre igual&lt;br /&gt;ele estava numa plateia enorme, sempre sozinho e extremamente assustado.&lt;br /&gt;decorriam 7 segundos e de repente todas as luzes se apagavam à excepção de um único foco que se dirigia ao palco.&lt;br /&gt;todas as noites pedaços da sua vida, da sua história, desfilavam uma após a outra em representações em que ele era actor e espectador&lt;br /&gt;e todos os dias tinha que suportar, como se fosse a primeira vez, todas as coisas boas e más que se tinham passado enquanto uma voz off irritantemente monocórdica descrevia os verdadeiros sentimentos e intenções dos protagonistas secundários&lt;br /&gt;noutras noites, apareciam as mesmas cenas, mas com 2 ou 3 pormenores trocados, mas em vez da história se reescrever a história repetia-se ad eternum até à náusea até esses momentos se despirem da sua solenidade única e irrepetível e se transformarem em peças recorrentes e banais e os seus intervenientes caricaturas grotescas que se alimentavam de si próprias e se reproduziam como balões vazios alinhados sob uma luz branca e igualmente vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando saía à rua, não era melhor.&lt;br /&gt;continuava a projectar as cenas que via no mesmo palco em que habitava todas as noites.&lt;br /&gt;as pessoas eram portanto actores, desempenhando um papel, transformando actos humanos em encenações lineares que ele podia ler inteiramente incluindo as notas acessórias que o cenógrafo tinha deixado à margem do guião principal ilustrando a verdadeira face ou intenção do seu personagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eram portanto, todos os dias, desfiles intermináveis de actores, monólogos sem fim e coreografias repetidas, pessoas que lhe apareciam sem máscara, desprovidas de talento como as suas palavras se tornavam desprovidas de verdade para se transformarem em lubrificante que tanto serviria para promover o acto em si mesmo como em promover todas as constantes e variadas posições sexuais com que os homens penetravam mulheres ou outros homens ou animais ou outras coisas quaisquer que a imaginação humana, e muito menos a sua, teria sido possível conceber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e no final já não existia a pergunta de como seria aquilo possível, mas simplesmente a certeza que as coisas apenas poderiam funcionar daquela forma e não haveria seguramente na sua imaginação ou na imaginação de outra pessoa qualquer maior que si mesmo uma outra forma daquilo funcionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;era precisamente na máscara e dissimulação que residia a pedra angular daquele mundo que ele encontrava quando saía à rua e era ele, simplesmente por saber, que se excluía dele pretendendo inventar um outro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-8922703458302744935?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/8922703458302744935/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=8922703458302744935&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8922703458302744935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8922703458302744935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/03/cest-un-pari-que-jai-du-faire-dans-une.html' title='c&apos;est un pari que j&apos;ai du faire dans une autre vie miserable'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-4105921063715807393</id><published>2010-03-26T22:21:00.005Z</published><updated>2010-03-26T23:12:44.418Z</updated><title type='text'>do me a favour</title><content type='html'>tenho frio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os momentos ficam mais escassos, como pessoas que se cruzam no mesmo vão de escadas porque habitam no mesmo prédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;trocam um olhar rápido e um bom dia afável sem convidar a uma intimidade feita num qualquer banco de café, deixam aquele ponto a caminho doutro qualquer, traçando linhas num mapa sem verdadeiramente descobrir o x que assinala o tesouro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;são as linhas que se sobrepõem a esta cidade, cruzando-se ocasionalmente nas suas ruas e detendo-se nos parapeitos a admirar o rio que passa mesmo no seu coração, são outras tantas linhas que inventam outras tantas fugas para longe daqui e em qualquer ponto da vida, opta-se por um mais do que por outro caminho de fuga sem perceber que é no emaranhado de linhas, e nos pontos de intersecção, que se desenha a complicada teia que nos aprisiona aos costumes e às memórias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje em dia, escolho, como já antes escolhi porventura outros, aquele caminho de fuga em detrimento de outro qualquer, sei para que lado vai e onde termina, apenas me falta a coragem para lhe apanhar o ponto de início com o qual desenrolaria o novelo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sei para onde vai e o destino parece-me tão breve como um encontro no fim de umas escadas, numa antecâmara de uma saída (ou será de uma fuga?), num ponto que me afasta, e se não as desço antes é porque não quero apressar o momento do fim e disfarço a inevitabilidade atirando uma palavra repetida contra uma parede que apenas me sabe devolver um tremendo desconforto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estou rodeado de verde, de plástico, de canetas, cercado com estantes de papel, envidraçado em montra, estou preso e pronto a desfazer a pontapés o contraplacado que me separa da rua, e resisto à raiva repetindo incessantemente que o destino está tão perto e ainda assim tão longe como se estivesse do outro lado do mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e com raiva poderia desenhar outros caminhos, desenhá-los com o sangue que escaparia pelos cortes que faria ao deslizar nos intervalos entre sonho e realidade, desenhá-los com ou sobre a minha pele, substituir esta cidade pelo meu corpo e as suas artérias pelas minhas, mas persisto lentamente como se estas linhas não fossem cabos de aço mas sim teias e eu com demasiado medo para rasgar o véu que nos separa, e é com calma que pretendo estender os segundos para além dos seus limites, esticá-los de encontro às cordas para que me permitam fazer o que sonhei no dia anterior... mas o ponteiro devolve-me com um tremor a rápida transladação do ponteiro sobre o seu eixo, devorando uns instantes como os meus passos devoram escadas, rápidos para te encontrar quando acabarem os desníveis e com eles os obstáculos e com eles o tempo e com eles as linhas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as mesmas linhas que os teus olhos derramam mostrando-me uma fuga, provando que existe um destino fora daqui, como um pormenor trágico de última hora que descubro mesmo antes de perder...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AP&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=nFl0nlHaWa4&amp;amp;feature=fvw"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-4105921063715807393?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/4105921063715807393/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=4105921063715807393&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/4105921063715807393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/4105921063715807393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/03/do-me-favour.html' title='do me a favour'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-6124144535998631847</id><published>2010-03-25T22:22:00.002Z</published><updated>2010-03-25T22:34:24.079Z</updated><title type='text'>Despair in the departure lounge</title><content type='html'>"&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ZLS8ffCYN80"&gt;Yesterday I saw a girl&lt;br /&gt;Who looked like someone you might knock about with&lt;br /&gt;And almost shouted&lt;br /&gt;And then reality kicked in within us&lt;br /&gt;It seems as we become the winners&lt;br /&gt;You lose a bit of summat&lt;br /&gt;And half wonder if you won it at all&lt;/a&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AP&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-6124144535998631847?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/6124144535998631847/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=6124144535998631847&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/6124144535998631847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/6124144535998631847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/03/despair-in-departure-lounge.html' title='Despair in the departure lounge'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-8345646084812872219</id><published>2010-03-23T17:17:00.003Z</published><updated>2010-03-23T17:53:01.828Z</updated><title type='text'>Fireflies &amp; Empty Skies</title><content type='html'>... se nem naquela vez que te atravessaste no meu caminho a meio do corredor se repetiu o olhar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele, com a unha, vai raspando os cantos amarelecidos de um pedaço de fita cola que segurava um poster na parede do seu quarto, poderia, como sempre, traçar um caminho mais curto para o seu destino e de uma vez rasgar aquilo da parede, mas de certa forma apesar dos múltiplos caminhos para chegar ao mesmo resultado era aquela coreografia de gestos encenada como um ritual, o único que ele conhecia para por fim àquela ideia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os pedaços rasgados poderiam sem desprimor nenhum forrar a parte do fundo do caixote de lixo daquela semana, e no entanto restava-lhe apenas nas mãos a paciência infinita de enrolar aquele pedaço de cartão num cilindro perfeito rematado com mais um pedaço de fita cola não muito adesiva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e não seria seguramente porque ainda tinha na sua mente uma secreta esperança de o voltar a desenrolar um dia para o fixar de novo a uma parede, ou melhor, a outra parede que não aquela, sabia que inevitavelmente para aquele pedaço de papel não existia mais nenhuma parede em nenhum lugar no mundo onde o pendurar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;são, como tal, rituais que perduram, como velas acesas num corredor escuro para iluminar o caminho sem revelar o destino final, são, portanto, cinzas que se esgotam enquanto a cera não acabar, são, no fundo, locais fora do sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e nessas trocas voluntárias, de coisas por promessas e de promessas por coisas, restam imagens, ou uma simples criança transida de medo na parte de trás de uma casa que sempre foi sua sem na sua memória haver espaço para recordar que naqueles corredores que agora lhe parecem tão escuros outrora existiu o seu sorriso tão cristalino como a luz do sol derramada através das vidraças polidas pelo tempo e por um pano velho mas impecavelmente limpo, existiam brincadeiras, existia espaço para imaginar que as paredes se estendiam para além do jardim e desenhavam um deserto, ou uma floresta escura, consoante a sua imaginação alternava entre um cowboy apostado em exterminar índios ou, por outro lado, um intrépido explorador que irá descobrir pela certa, no meio de umas ruínas há muito esquecidas pelo homem, um tesouro escondido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vens, e como sempre dás a mão à criança e acalmas com o teu sorriso as sombras bruxuleantes que as velas projectam no chão, já não são os monstros que se escondem nas sombras mas mesmo que fossem, confiava na tua força para os derrotar, ou pelo menos, confiava que me darias a força para os vencer...de certa forma, agora que penso nisso, acho que a segunda hipótese é mais plausível, o maior presente que me davas não era a força por mim, mas a força para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e de certa forma percebo ainda através do teu sorriso nervoso ou da tua planificação serena que era mesmo aquilo que procuravas... não te faziam falta os conselhos que eu poderia ter em abundância para te dar, nem um consentimento tácito para que avançasses, nesse aspecto eras como eu, recusavas-te a que outros passos percorressem o trilho que tinhas escolhido para ti, apenas querias, como eu, a certeza que avançava atrás de ti carregando a confiança que te faltava ou apenas aquele sorriso de orgulho que de vez em quando olhavas de relance sobre o ombro sem parar de caminhar, querias, como eu, que eu estivesse ali para te segurar se tu caísses, para te ajudar a levantar ou simplesmente te mimar enquanto mostravas o teu lado mais frágil, tu não querias, tu merecias simplesmente, e não estou sequer a dizer que sou eu, alguém para acreditar quando não conseguisses, alguém para aplaudir quando chegasses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não serei a peça que fica no canto e que dá origem ao ordenamento das outras, nem sequer posso ser (não me apetece!!!) a imagem que fica na caixa para te guiar, és tu que vais recortando as peças nos teus dias e que as vais dispondo da maneira a que faça sentido, e o jogo continuará comigo ou sem mim, sou apenas uma tesoura velha pousada no tampo da escrivaninha da casa da nossa infância, da qual nunca gastarás o fio a fazer dos teus dias destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...partes do encontro para parte incerta..levas-me contigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AP&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-8345646084812872219?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/8345646084812872219/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=8345646084812872219&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8345646084812872219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8345646084812872219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/03/fireflies-empty-skies.html' title='Fireflies &amp; Empty Skies'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-6006676881854099788</id><published>2010-03-20T01:11:00.004Z</published><updated>2010-03-20T01:34:22.587Z</updated><title type='text'>Letra Morta</title><content type='html'>és como uma estrela encerrada num quadro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não se sabe porque estás ali, mas basta olhar para ti de relance para perceber que não é aquele o teu lugar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;também não pertences ao espaço que fica entre o quadro e o seu olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para isso reservas toda uma coreografia de gestos destinados a proteger o teu espaço daquela a quem querias convidar a entrar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e ainda assim ela entra, por entre frestas, como água derramada em 2 mãos formando uma concha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tenho saudades tuas, tão real como as duas forças contrárias que lutam dentro de mim contrariando a aposta, só me empenho em perder enquanto aposto todo o meu coração no lado oposto da batalha, e tu, não sei se por pressentir a luta que em mim decorre, deixas cair o teu olhar mesmo no meio da batalha, no ponto onde ela se torna mais grave, permitindo que o pêndulo que mede o meu estado de alma balance sem se inclinar definitivamente sobre as palavras que mais do que quaisquer outras teimam em sair em silêncio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não és tu que fazes as horas curtas, ou as sextas pontos de exclamação a mais outra semana perdida, sei apenas que se arrasto os pés à beira do rio quando te deixo é apenas porque grande parte de mim fica ali contigo e a essa parte não lhe digas para se ir embora, nem para desaparecer como um recurso, nem sequer lhe digas para desviar o olhar, diz-lhe apenas que o seu lugar não é ali, mas noutro espaço, num outro tempo ou até noutro corpo qualquer, mas não ali...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e enquanto chove e as palavras se misturam com a água descendo sobre o meu peito, interligadas e quentes, se quando passam na minha boca elas me sabem a sal e a terra, se elas ainda desprendem o teu perfume porque o guardaram daquele outro momento impossível em que atravessaste o meu mundo, se elas ainda existem e porque provam que ainda há esperança...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não esperança para mim, e muito menos para nós, esperança para poder sonhar e tornar a espera mais curta, ou a tua ausência possível, ou então outra coisa qualquer, mais não seja a prenda que embrulho com os pequenos pedaços que ainda sobraram de uma sensibilidade perdida, existe a esperança que em mim existam pequenos pedaços, e com eles a possibilidade de fazer qualquer coisa, mais não seja... mais não seja... mais não seja eu, por uma vez livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AP&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-6006676881854099788?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/6006676881854099788/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=6006676881854099788&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/6006676881854099788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/6006676881854099788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/03/es-como-uma-estrela-encerrada-num.html' title='Letra Morta'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-8738935925293313321</id><published>2010-03-14T23:45:00.002Z</published><updated>2010-03-15T00:12:26.985Z</updated><title type='text'>"pode descer" por Manuel Cruz</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: verdana;font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;estive há dez minutos atrás na varanda do meu quinto andar a observar a cúpula invisível entre o céu e o enorme lego de betão e a sentir-me um inquilino passageiro desta pensão de uma estrela perdida na imensa cidade negra a que damos o nome de universo.&lt;br /&gt;&lt;div id="div_letra"&gt;&lt;br /&gt;curiosamente parece que é o único sítio que temos para passar a longa noite que nos espera e é aí que eu saio para apanhar a frequência como que a comer um ponto e a cagar um verso, no meu prisma, a encaixar, provavelmente no de outros feito um filósofo de merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas a vida é isso mesmo, um monte de gente a fazer de conta que se entende e ninguém sabe dizer o que viveu e por isso nos pedem que caminhemos alegres para o precipício, sem questionar, porque estaremos sempre longe. mas o longe rapidamente fica perto e perto rapidamente passa por nós. eu não quero mandar-te para baixo, mas eu sei que me entendes, tu também tens medo de morrer, toda a gente tem só que normalmente evocamos nomes de problemas para nos convencermos que estamos ocupados a resolver uma situação importante quando não tem importância nenhuma entretanto o tapete rola e nós irritamo-nos com a inevitabilidade, e nos nossos sonhos dizemos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"-torna-me imortal! torna-me imortal! eu não vou aguentar deixar de existir!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e é aí que eu entro para sair da frequência, seduzir-te com os meus sonhos, tu não vês como empreendo? e como eu mais um milhão de sonhadores leva com ele muitos braços de outros, acéfalos, na lotaria dos ideais, descrentes, beijando o número do bilhete. mas quero dizer-te que a viagem é tua, e eu não quero empurrar-te à força para a rua. se eu falhar eu vou passar de deus a carrasco, embalsamado e metido dentro de um frasco, para te lembrares da mentira, mas a verdade é que ganhamos sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-8738935925293313321?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/8738935925293313321/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=8738935925293313321&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8738935925293313321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8738935925293313321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/03/pode-descer-por-manuel-cruz.html' title='&quot;pode descer&quot; por Manuel Cruz'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-3396143423929397667</id><published>2010-03-14T01:28:00.004Z</published><updated>2010-03-14T02:02:29.966Z</updated><title type='text'>the prestige</title><content type='html'>Estás à minha frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E enquanto entrelaças os teus dedos e levantas um bocadinho o canto da boca num sorriso que tem tanto de nervoso como de incómodo por te veres naquela situação estou à tua frente tentando procurar na pouca coragem que me resta um pouco de vontade para te encarar de frente e para me deixar apaixonar por esses olhos verdes da cor de um mar vivo marulhando de encontro ao cais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi por tua causa que passeei junto ao rio naquela noite, e também foi por ti que entrei no quiosque velho que fica ao lado da ponte para pedir um maço de tabaco de menta. Comprei daqueles fininhos, daqueles que gostava que estivessem na ponta dos teus dedos igualmente esguios.Vinham num maço branco e comprido que guardei entre a carteira e o meu peito, guardei-os para depois, para o momento em que deixava por um momento a carapaça que me protege da banalidade dos outros, para os acender num momento de calma e segurança, num desses momentos que agora rareiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acendi-o e ao contrário do que esperava não me soube papel velho e queimado, daquele que eu uso para marcar na minha pele uma promessa de que tudo vai ser diferente a partir daí, soube-me a menta e por um momento ia jurar que o sabor refrescante que me chegava à parte de trás da minha garganta me renovava como poucas coisas o tinham feito até ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E enquanto apertava o casaco porque já se levantava aquela humidade fria que aparece sempre no início da primavera fixava um ponto no chão e deixava que a minha imaginação te desenhasse de encontro à noite... era assim que me apetecia ver-te, ou por outras palavras, era assim que me apetecia ter-te, sozinha para mim, naquela noite, de encontro à solidão daquela noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ainda muito cedo para ter pormenores que cheguem para fazer deter essa imagem mais do que escassos segundos, foges da minha mente do mesmo modo como entraste na minha vida, num acaso fugaz que aparece a quem já não espera outra coisa dali, e se irracionalmente te procuro, um pouco como quem persegue uma luz quando se está a afogar sem poder parar para pensar que essa luz é tão simplesmente a lua,  desculpa, culpa o Inverno que se vai ou a inconstância das marés, mas não me culpes a mim porque intimamente saberás que para ti reservo um espaço especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se me resta, ao final da noite, o travo amargo da raiva, seja porque saberei intimamente que nunca saberás, seja porque já não acredito em milagres, ou seja simplesmente porque amar-te é simplesmente olhar para o meu reflexo sem poder desviar o olhar, desculpar-me-ás também esta falha, porque sabes que sobrevives apenas como ideia, porque o acesso ao teu coração está trancado e eu engoli a chave e já não restam em mim as forças ou o talento para tentar escapar, como ilusionista, de um tanque fechado onde me afogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AP&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-3396143423929397667?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/3396143423929397667/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=3396143423929397667&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/3396143423929397667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/3396143423929397667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/03/prestige.html' title='the prestige'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-1449939430508681319</id><published>2010-02-28T02:31:00.002Z</published><updated>2010-02-28T03:35:12.639Z</updated><title type='text'>even in his youth</title><content type='html'>He was born, for your brew&lt;br /&gt;I've got nothing left to prove&lt;br /&gt;If i die, before i wake, hope i dont come back again&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;even in his youth.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma fracção de segundo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o meu olhar pode parecer colado a uma lua vermelha de fim de verão, mas na verdade é todo o meu corpo que se engasta e escorre pelas prateleiras de madeira de um armário que dantes apenas tinha plantas mas que agora conta com mais uma adição conta com o meu corpo escorrendo lentamente em direcção ao chão para se estender como um tapete sob os teus pés&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não sou eu que estou aí, é antes uma ideia de mim que prevalece como farol de uma terra ao mesmo tempo prometida e proibida prometida porque outrora nalgum ponto da minha vida a vi habitar dentro de mim e proibida como todos os sonhos são proibidos por existirem fora de nós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não não me reconheço nas palavras nem nos caminhos nem nos acasos nem nas injustiças nem aquilo que torna mundano o chão que ambos pisamos de certo já não te trato pelo nome próprio mas por um apelido que eu escolhi para ti quando deixaste de caber no desenho a regra e esquadro que eu tinha preparado para mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;chamo-te por esse nome mas por não ser teu já não irás responder nem te irás voltar atrás para pelo menos ver quem te chama passas tão rápido como o teu motor te permite acelerando numa pequena subida e contornando a curva para te perder num caminho enquanto eu sigo por outro dizendo que é o acaso que me guia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e se te colo à pele tantas coisas que não são tuas vais perdoar a minha inexactidão como perdoarias um bocejo a alguém que está cheio de tédio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a pessoa que agora recrio tem tanto de ti como de mim mas selectivamente não precisando de ajuda para compor um cadáver ainda me detenho procurando provas irrefutáveis de que há qualquer coisa de vivo neste mundo para além desta legião de mortos vivos parasitários capazes de te sugar num instante para te cuspir no seguinte procurando a próxima vitima entre os muitos que se oferecem para tal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e dizia eu que se recrio corpos é por deformação de um talento que outrora esculpia mundos e partia gaiolas talvez por querer aquilo que está para além da liberdade acabei por fechar o ciclo e encontrar no príncipio de todas as coisas a caixa de pandora que nunca deveria ter aberto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como tal dizia eu já não me revolta o que o meu talento deformado produz ele é tão esquizo quanto o poderia ser eu se porventura achasse ou escolhesse outra porta que não aquela que o destino escolheu por mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não me revolta que ele se detenha em pesquisas supérfulas e se prolongue uma e outra vez no mesmo ritual de auto punição e esquecimento de certa forma fui ficando indiferente às substâncias procurando nelas um prolongamento de mim como saberás presas à sua natureza terrena não vão desiludir porque como eu estão programadas para um efeito geral ou específico que é sempre e de todas as vezes aquele que procuramos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;portanto se abordamos dois dos pontos importantes para a questão que nos atrai para 2 linhas paralelas capazes de se tocar no infinito a revolta e a substância não estranharás que na mesma linha sanguínea se ache o mesmo espaço seguro cada vez mais reduzido à sua esquadria de madeira e ferro mas que ainda assim me pode prometer num naipe de posições que nunca diferem muito da fetal o mesmo espaço seguro que antes encontrava um pouco pelo mundo inteiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e poderia falar de pânico ou de como ele se atravessa nos corredores ou se esconde atrás das portas a diferença está em mim pois se eu antes ainda me atrevia a surpreendê-lo também e a persegui-lo pela casa fora rindo-me como uma criança com um brinquedo novo e sensitivo agora já não possuo a mesma coragem e sinto como o meu coração se acelera e a minha respiração se torna mais profunda quando ele me surpreende a uma esquina qualquer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e poderia dizer que seria por esse facto para evitar a surpresa que me restrinjo um pouco todos os dias na mente e na acção espreitando de vez em quando por cima do ombro para ver se mesmo assim ele me persegue mas saberias como isso é falso não é o pânico que me move ou que me paralisa sou eu próprio que pairando sobre mim tenho sempre um dedo apontado para o caminho sem nunca ter a vontade de usar a mesma mão que aponta para ajudar a que o meu pé se coloque à frente do outro e aprenda de novo a caminhar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se me movo já não é a esperança a guiar o meu passo nem a pessoa escondida que paira sobre mim não há futuro quando não existe o presente mas apenas uma sucessão de dias que vão alternando o clima em padrões cada vez mais comuns&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vêm-me à cabeça nestes dias como não poderia deixar de ser certas palavras com as quais me tornei oráculo de mim mesmo é claro que na altura não o sabia nem o poderia saber e pensava que qual fórmula mágica aquela conjugação de palavras seria capaz de apanhar toda a realidade como uma pá apanha o lixo depois de varrido pela vassoura para a depositar num caixote que já tinha um tema escrito à muito tempo é de certa forma engraçado que elas se devolvam de volta à parede para se iluminarem como fogo ou néon e se acenderem repetidamente sobre mim como que para me lembrar que aquilo que eu destinava ou predizia sobre os outros recaiu inteiramente e com justiça sobre mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não não estranho agora que as palavras se confirmem talvez o último acto da minha estrela foi morrer derramando a última luz sobre o futuro para que ele se abrisse claro para mim o erro estava em que na minha pouca maturidade não tinha porventura a clareza de espírito capaz de perceber que a mensagem apenas me tinha a mim como destinatário e não a ti&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se entretive essa morte ou se procurei nos dias uma nova lente para os meus olhos cegos é coisa que não poderei responder pois já me falha a voz e não me preocupam as coisas nem os versos nem as putas que entretanto se entretinham a tecer um fio forte com que tecer todas as coisas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu sou o mundo mas já não sou eu e repetidamente me assustaria se essa capacidade permanecesse em mim com o que descubro nesta prisão mas afinal porque é que procuro a culpa se sei que a vingança não há-de ser minha ou porque é que procuro as grades se sei que sou eu que as faço crescer de dentro para fora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e ainda assim é com a culpa que entretenho os meus dias se os tivesse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com isso e com outras coisas quaisquer tudo aquilo que faça com que as horas permaneçam mais curtas e se disfarcem de senhoras com quem tomo o chá e vou debatendo as mais recentes modas de Paris os mais recentes cochichos ou em suma uma descontracção de fim da tarde ocioso que desmaia como o sol sobre o horizonte para se apagar no mar e deixar atrás de si uma longa noite de são joão a saber a sardinha e manjerico e porque não a fogo de artificio derramado sobre o douro onde o meu corpo se debruça já não sei procurando o quê&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quero liberdade sem a ter dentro de mim ou uma vontade qualquer que não seja esta quero que o tabaco seja como as pessoas de outrora e me saiba ao sabor da época ou àquilo que a minha língua desejava tocar não quero que me saiba ao vício vazio de agora como as pessoas transparentes que insistem em desfilar à minha frente a sua nudez disfarçada de virtude mostrando como um murro no estômago que a verdade está neste mundo e não no outro e que não há nada de melhor ou mais justo ou mais limpo a esperar daqui&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e não me recrimines por querer voltar atrás a uma idade da inocência essa vontade como outras vai morrendo um pouco todos os dias quero que me citem a bíblia como no filme de série B que vi já vai uma data de tempo em que se dizia que se os teus olhos te insultam se os teus olhos pecam porque não os cegas para poder ver o mundo do outro mundo e enquanto corro à procura do primeiro pau incandescente com que possa espetar esta substância gelatinosa que me permite ver o que há e não ver o que eu desejaria que fosse deixa-te estar num caminho que vai para outro lado que não para o lado onde for porque não te quero aqui comigo e se pudesse escolher escolheria que eu próprio deveria estar proibido de me acompanhar porque não quero ser nem estar onde estou sem ter a vontade de estar noutro sítio qualquer e faltando-me a coragem para definir como raiva a minha vontade de viver e fazer por isso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pois se a lição mais importante que poderia ter aprendido contigo seria essa mesma a de aprender a viver com raiva aprender que a primeira prova que se exige em tribunal é precisamente essa a de provar em primeiro lugar a nós mesmos para poder enfrentar o mundo sacrificando feitos no nosso próprio altar como quem sacrifica cordeiros na Páscoa esqueci-me de a aprender contigo e persisto se esse não fosse um erro fundamental na minha própria catequese de medo fama e punição palavras suaves que usamos como quem usa rótulos de papel para colocar em pequenos frascos recheados com o doce feito com a fruta da época para dizer que tudo é feito pelo orgulho, ou falta dele, e o único açúcar que o une é a vaidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-1449939430508681319?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/1449939430508681319/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=1449939430508681319&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1449939430508681319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1449939430508681319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/02/even-in-his-youth.html' title='even in his youth'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-8682129158446234740</id><published>2010-02-22T01:16:00.002Z</published><updated>2010-02-22T01:17:41.527Z</updated><title type='text'>the movie on your eyelids</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/S4HbKwEbTnI/AAAAAAAAALs/_J_EkGzP7K0/s1600-h/P6050020.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/S4HbKwEbTnI/AAAAAAAAALs/_J_EkGzP7K0/s320/P6050020.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5440870802588913266" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-8682129158446234740?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/8682129158446234740/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=8682129158446234740&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8682129158446234740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8682129158446234740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/02/movie-on-your-eyelids.html' title='the movie on your eyelids'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/S4HbKwEbTnI/AAAAAAAAALs/_J_EkGzP7K0/s72-c/P6050020.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-7198070417776826446</id><published>2010-02-16T11:18:00.002Z</published><updated>2010-02-16T11:44:45.070Z</updated><title type='text'>Cover Sleeve</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;"No Tempo em que festejavam o dia dos meus anos,&lt;br /&gt;            Eu era feliz e ninguém estava morto.&lt;br /&gt;            Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,&lt;br /&gt;            E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Álvaro de Campos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os aniversários comemoravam-se há muito tempo assim, sentado na poltrona do escritório, acendendo a lareira com a madeira que sobrava depois de ter partido uma das últimas cadeiras pesadas que restavam da velha e escura mobília que compunha a sala de jantar da igualmente velha casa senhorial sobrante de um passado distinto, onde nada mais restava do que apenas uma fotografia a sépia com mais de 100 anos, onde um respeitável senhor, de bigode retorcido e postura altiva, compunha uma figura antológica como que para amedrontar as gerações vindouras, incutindo-lhes uma noção de responsabilidade que ia muito para além do apelido com que os dotara no berço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acendia um charuto nessa lareira, depois de lhe cortar a ponta com uma faca de abrir cartas feita em prata. Inspirava lenta e repetidamente o fumo, expirando-o depois em fiapos leitosos que iam primeiro rápido, depois lentamente, em direcção à lareira, onde pairavam e se iam enrolando e misturando com o fumo que a lenha exalava para partirem pela chaminé em direcção a um céu já negro pela noite que caía.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um aniversário, e como nos anteriores, depois do charuto fumado e esmagado de encontro a um pesado cinzeiro castanho, mergulharia nas chamas e nas brasas que ainda restassem procurando um renascimento pelo fogo, ou um renascimento qualquer, um renascimento possível, mais possível do que aquele que o tempo eternamente prometia sem concretizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como nos anos anteriores, sentiria como em primeiro lugar o fogo o livraria da roupa com que se escondia do frio e do mundo, envolvendo maternalmente o seu corpo nu, enquanto ele se enrolava na posição fetal com que tinha passado aqueles 9 meses longe da consciência e entregue ao universo, em sintonia com as poucas cordas da harpa que ao tocadas, inventavam todo o futuro, passado e presente quer da matéria física quer da metafísica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, seria a pele que se transformaria em cinza e se depositaria no fundo da lareira, sem se distinguir em nenhum ponto da outra cinza que a madeira de carvalho encerada tinha deixado momentos antes no mesmo lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por último, seria todo o seu corpo a desaparecer por entre as chamas que ajudava a criar... sonhava e aproximava-se cada vez mais desse objectivo... mas como em qualquer aniversário, chegava sempre o tempo em que a aniversariante chegava para soprar sobre a chama que se erguia das velas formulando um desejo. Depois da chama apagada, a convidada ia desenhar um sorriso brilhante, comemorando mais um ano, arrancando as velas do bolo, cortando-o para depois o servir com uma taça de champanhe aos seus amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aquele aniversário sem excepção, confirmaria que à última da hora, quando o corpo em chamas abandonaria por um momento a inevitabilidade dos aniversários para pensar que seria naquele ano que por fim a chama iria chegar ao fim e reduzir o tempo a cinzas, a convidada chegaria, e soprando levemente sobre ele, apagaria a chama e com ela a última vontade da matéria em se transformar em cinza, deixando sobre a lareira apenas e só, um corpo humano terrivelmente queimado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Where is my mind?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-7198070417776826446?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/7198070417776826446/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=7198070417776826446&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/7198070417776826446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/7198070417776826446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/02/cover-sleeve.html' title='Cover Sleeve'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-8747604130142314775</id><published>2010-01-07T23:36:00.003Z</published><updated>2010-01-07T23:52:16.864Z</updated><title type='text'>Libendai</title><content type='html'>Sem voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos ambos naquele café.&lt;br /&gt;Tu a tagarelar enquanto bebias a tua chávena de chá e eu fumando cigarro atrás de cigarro tentando-me esconder por entre o fumo que este fazia, como se quisesse ou pudesse estar noutro lado qualquer longe dali.&lt;br /&gt;Vamos rasgando, entre palavras, o papel de parede que existe entre nós. Como duas divisões da mesma casa que se desconhecem entre si.&lt;br /&gt;Do que cada um falava não importava. De facto, como sempre, estávamos mais entretidos a ouvir-mo-nos a nós mesmos do que a ouvir quem estava ali mesmo à frente de nós. Já era assim há muito tempo, era-nos mais útil de certa forma representar o papel que tinhamos imaginado do que nos darmos ao trabalho de apenas nos sentarmos na plateia, um por entre muitos como sempre odiamos, a ver representar o outro.&lt;br /&gt;Aquele era mais um capítulo do mesmo conto de sombras com que cozinhávamos o nosso ódio em lume brando desde que matamos o nosso filho afogando-no na lama que transbordava da nossa própria desilusão.&lt;br /&gt;De certa forma mantínhamos o rito, como nos mantínhamos à tona nos dias que passavam, por mero instinto de sobrevivência, por ordens invisíveis que partiam do nosso cérebro e que nos obrigavam a respirar mesmo que não restasse em nós qualquer vontade de continuar.&lt;br /&gt;O meu discurso desconexo fazia por penetrar numa concha de indiferença que espalhavas em direcção à mesa onde as nossas chávenas repousavam, quanto mais as palavras faziam por se desiquilibrar na ténue corda onde caminhavam mais o teu sorriso as empurrava de novo na direcção certa, em direcção à corda. Ao mesmo tempo, corda de segurança e cama de rede para elas e eu gastando os últimos cartuchos do amor que me restava para tentar alcançar o pequeno espaço vazio situado entre uma e outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se nem tu me deixaste cair, nem eu teria a coragem para arriscar empurrar-te contra uma parede para ver se ela resistiria ao teu impacto ou se cederia, como tudo cedia ao teu encanto, se nele colocasses um pouco do teu esforço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não sou coisa nem nada..."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-8747604130142314775?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/8747604130142314775/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=8747604130142314775&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8747604130142314775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8747604130142314775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2010/01/libendai.html' title='Libendai'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-25441917032263881</id><published>2009-12-24T13:40:00.004Z</published><updated>2009-12-24T14:02:40.283Z</updated><title type='text'>Damaged Good</title><content type='html'>"meu sonho tem boca&lt;br /&gt;que o digam meus ossos&lt;br /&gt;tem dois olhos...&lt;br /&gt;sobre a nuca&lt;br /&gt;e reza todos os dias&lt;br /&gt;e em todas as horas&lt;br /&gt;houve 1 tempo&lt;br /&gt;sem mentira&lt;br /&gt;sem&lt;br /&gt;sem mentira"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocupo um espaço transparente entre 2 mundos complexos.&lt;br /&gt;Um deles é aquele que quase todos vocês atravessam, o outro é aquele sobre o qual  apenas poucos sonham.&lt;br /&gt;Não sei de qual deles falo quando digo que numa rua qualquer, em qualquer mundo, me tenho que desviar de todos os acidentes de percurso que acontecem à minha frente como fragatas encalhadas por falta de farol.&lt;br /&gt;A minha agilidade desenvolve-se de acordo com essas subtis variações de sentido que o futuro imediato me prepara entre passos nos limites incandescentes de uma estrela gigante... sim podemos dar-lhe uma cor, e chamar-lhe de estrela gigante azul.&lt;br /&gt;E de repente lançam-me um anzol, algures de cima há quem mergulhe um pontão de chumbo atado a uma linha e esta atada a um fino filamento de metal curvo que se há-de enganchar na minha boca para me retirar do meu meio natural.&lt;br /&gt;O pescador, um pouco duro de ouvido por sempre ter estado a pescar junto ao velho motor de diesel fumegante, ignora o maralhar das ondas que pressagia uma luta difícil para trazer o peixe a bordo. Contrariamente a um bom aviso, insiste na luta, sob condições que, para qualquer outro lobo do mar, estariam mais próximas do fracasso do que de uma empresa com sucesso capaz de trazer a comida até à mesa de quem fica em casa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um velho idiota, talvez não cego mas certamente surdo, ignora os sinais que o mar lhe dá e resolve, ainda assim, lançar o isco. Com tanta falta de aviso não o deveria surpreender que em vez de um peixe calibrado, preparado, e certamente saboroso, lhe saiu este peixe miúdo que pouco mais serve do que para servir de isco a outras presas melhores.&lt;br /&gt;Mas ainda assim, depois de me arrancar o anzol com um alicate de pontas, ou por ser surdo ou por ser simplesmente idiota, o velho decide atirar-me para o fundo de um cesto praticamente vazio para a companhia de peixes com mais valia. Não me devolveu ao mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E naquele Natal, uma família pobre sem poder comprar um bacalhau mais graúdo, fez a sua ceia com um magro e pobre exemplar dessa espécie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro mundo o peixe apenas maldizia a sua sorte por não haver no mundo outros tantos idiotas, surdos ou simplesmente cegos que o condenem a um azar igual, por mais uns dias, em vez de o devolver liminarmente ao mar como o [insira o título aqui] que ele era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;/Violet colour&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-25441917032263881?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/25441917032263881/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=25441917032263881&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/25441917032263881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/25441917032263881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2009/12/damaged-good.html' title='Damaged Good'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-5688937974827238205</id><published>2009-12-22T21:26:00.002Z</published><updated>2009-12-22T21:28:04.283Z</updated><title type='text'>|Back|</title><content type='html'>Porque acabamos, de uma forma ou de outra, a voltar ao início de todos os caminhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The Way...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-5688937974827238205?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/5688937974827238205/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=5688937974827238205&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/5688937974827238205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/5688937974827238205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2009/12/back.html' title='|Back|'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-1710253607541072615</id><published>2008-04-05T00:56:00.001+01:00</published><updated>2008-04-05T00:58:33.970+01:00</updated><title type='text'>Guide to a Moving Target</title><content type='html'>A antologia de 5 textos "Guide to a Moving Target" encerrará este blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A todos os que leram e comentaram aqui, um obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será colocado em breve um link para o meu novo espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hasta...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-1710253607541072615?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/1710253607541072615/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=1710253607541072615&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1710253607541072615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1710253607541072615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2008/04/guide-to-moving-target.html' title='Guide to a Moving Target'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-18297627533117528</id><published>2008-04-05T00:37:00.003+01:00</published><updated>2008-04-05T00:56:34.210+01:00</updated><title type='text'>5. Ghost Canyon</title><content type='html'>Version 1.5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Guide to a moving target"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Start... Now:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não vejo qualquer coisa de novo aqui já faz tempo...&lt;br /&gt;Mas entretenho os dias com os rearranjos fúteis na ordem temporo-espacial das coisas procurando uma nova ordem aqui que me satisfaça...&lt;br /&gt;Digo que cada coisa que possuo é feita de memórias, mas o que é certo é que tudo me pesa demais, e na realidade desfazia-me de grande parte delas sem olhar para trás.&lt;br /&gt;As coisas mais importantes estão a um canto seladas, e o resto parece uma paródia inocente a um tempo que já passou.&lt;br /&gt;Digo que estou bem aqui, porque conheço os cantos de memória, porque digo que me excito com o desfile interminável das coisas que aqui fiz...&lt;br /&gt;Mas já não tenho espaço para coisas novas... e agora que faço?&lt;br /&gt;Queria uma máquina de café, e mais do que um parapeito...&lt;br /&gt;Queria começar uma garrafeira de brancos e outra de tintos e sem comprar nenhuma!&lt;br /&gt;Tudo isto porque redescobri o prazer de salvar vidas... e tenho na ponta dos meus dedos uma magia especial cá guardada...&lt;br /&gt;Por cada fluxo negativo explodindo em mim, como uma onda na praia, e ficar a ver aspergir-se lágrimas de sal em tudo o que existe e sempre existirá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu tenho uma magia... na ponta dos meus dedos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E um dia só por os conseguir estalar farei desaparecer desta casa o hábito e deste corpo o medo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vou espalhar como sementes as coisas novas que hão-de vir.&lt;br /&gt;E hei-de vê-las florir...&lt;br /&gt;Quando em mim terminar a ganância pelo passado...&lt;br /&gt;E esta incessante desilusão com vocês todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Version 1.5.&lt;br /&gt;Stop Script&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-18297627533117528?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/18297627533117528/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=18297627533117528&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/18297627533117528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/18297627533117528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2008/04/5-ghost-canyon.html' title='5. Ghost Canyon'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-2652856502477010534</id><published>2008-04-05T00:11:00.002+01:00</published><updated>2008-04-05T00:36:03.512+01:00</updated><title type='text'>4. Lasers go through Monkeys</title><content type='html'>Version 1.4.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Guide to a moving target"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Start... Now:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me como se fosse uma outra era.&lt;br /&gt;E visse aquelas imagens como retratos tirados a sépia de gente respeitável em pose séria sustentada pelos seus bigodes farfalhudos e os seus trajes vitorianos.&lt;br /&gt;Era mais ingénuo na altura e como tal mais disponível a lutar e a importar-me menos com as agruras.&lt;br /&gt;Lembro-me que estava noutra cidade, quase não conseguindo respirar entalado com o nó de uma gravatinha rosa numa pessoa habituada a andar de ténis na rua.&lt;br /&gt;Ainda sentia o rosto quente das lágrimas da véspera quando me abandonaram lá dizendo que era o melhor que fazia(m).&lt;br /&gt;Devia-me recordar de outra coisa, mas recordo-me de como tinhas dito que se eu pedisse à Lua vermelha uma coisa que desejasse muito ela encarregar-se-ia que eu a conseguisse...&lt;br /&gt;Fiz mal, pedi-lhe para estar naquela cidade em vez de lhe pedir para estar contigo.&lt;br /&gt;A lua se sabia que eu não podia ter as 2 coisas ao mesmo tempo, não mo disse, e deixou-me ficar com uma.&lt;br /&gt;E eu iludido pensava que já tinha ganho a outra.&lt;br /&gt;E como tal, estava ali na outra cidade. Sozinho, esperando as 9h da manhã.&lt;br /&gt;Chegaram como um vendaval, e por entre as novidades íam insinuando as mentiras que eu tinha de vender.&lt;br /&gt;Aos poucos comecei a trocar a consciência por acessórios de cabedal e portáteis novos.&lt;br /&gt;E enquanto ardiam cigarros, ardia com eles a minha paciência para me aturar.&lt;br /&gt;Dizem que cresci quando eu lá estive. Fosse pela inveja ou pelas lições, eu cresci mesmo.&lt;br /&gt;Mas não gostei muito de me ver já gente crescida à frente ao espelho a fazer a barba de manhãzinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então, tornei-me terrorista!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha primeira bomba explodiu bem lá no fundo (devia ser quê? Um velho sotão talvez) seria por causa da minha sorte de principiante talvez, mas o que é certo é que o edificio rui com estrépito por lhe ter atingido as fundações.&lt;br /&gt;A segunda bomba já foi mais complicada e exigiu detonador à distância... arquitectei a peça sozinho, enquanto conduzia interminavelmente nem eu sabia bem para onde. Quando premi o gatilho ainda demorei uma semana para ver a explosão...mas senhores... se valeu a pena! As ondas de choque duraram anos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois já não havia mais nada a estourar... e cai no tédio...&lt;br /&gt;Não me levantava da cama e esqueci-me que os dias passavam.&lt;br /&gt;Tinha imenso medo, mas não sabia do quê... seria pelos meus anos no submundo, pensava que ainda me apanharia a polícia (aquela dos radiohead?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acordei (ou seria um sonho ainda?) estava num lugar onde quase tudo tinha começado e apertavam-me a mão.&lt;br /&gt;Eu estava a sorrir mas não sabia bem de quê.&lt;br /&gt;Nunca percebi aquele gesto...&lt;br /&gt;Estaria cego por aquela parede de granito fechando-se sobre mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Version 1.4.&lt;br /&gt;Stop Script&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-2652856502477010534?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/2652856502477010534/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=2652856502477010534&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2652856502477010534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2652856502477010534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2008/04/4-lasers-go-through-monkeys.html' title='4. Lasers go through Monkeys'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-2001963356380956015</id><published>2008-04-04T23:56:00.002+01:00</published><updated>2008-04-05T00:09:07.903+01:00</updated><title type='text'>3. Yeduhi Lights</title><content type='html'>Version 1.3.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Guide to a moving target"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Start... Now:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alcoolismo de fim de semana, ou uma doce sensação de loucura pulsante entre a violência e uma perda irreparável.&lt;br /&gt;Ou então lembrar-me da tua excelente dicção, da tua enciclopédia oscilante, da tua arte postal.&lt;br /&gt;Das inúmeras maneiras como me querem moldar a um certo molde que têm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou a luz.&lt;br /&gt;E vocês a sombra...&lt;br /&gt;Eu sou a luz da manhã.&lt;br /&gt;A luz que desperta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me alimentem com óleo, não queimem os restos fossilizados de plantas para que eu arda brilhante, não cortem nenhuma árvore para dela fazer lenha, por favor não façam carvão.&lt;br /&gt;Combatam me de manhã, no campo de juncos, desembainhem as espadas e manchem o aço com o meu sangue.&lt;br /&gt;Porque nenhum de vocês percebeu que é isso que me dará vida.&lt;br /&gt;Não me coloquem amarras, eu quero ser livre, não me prendam à esperança, matem-na antes que a contenda comece, não esperem por mim, venham ao meu encontro pelas colinas, venham ao meu encontro pelas montanhas, pelas planícies.&lt;br /&gt;E lutem como se não houvesse amanhã, como se quisessem salvar-se a si próprios e não me quisessem salvar a mim.&lt;br /&gt;Não tremam perante o meu golpe, algo mais forte do que eu parará a minha mão antes que embata, não confiem que o meu escudo pesado é mais forte, nem que o meu machado de guerra pesado. Combatam-me com lanças ou com as vossas próprias mãos núas. Retirem peça por peça a armadura e deixem-me estendido no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se prepararem para dar a estocada fatal, vejam então como os meus olhos pedem que seja directo ao coração.&lt;br /&gt;E aí enterrem com força a lâmina no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me matarão, mas ganharão o estandarte que defendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as chaves do castelo inexpugnável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a luz que eu sou brilhará de novo.&lt;br /&gt;Quando tiver que brilhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Version 1.3.&lt;br /&gt;Stop Script&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-2001963356380956015?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/2001963356380956015/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=2001963356380956015&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2001963356380956015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2001963356380956015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2008/04/3-yeduhi-lights.html' title='3. Yeduhi Lights'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-8157352689655965349</id><published>2008-04-04T23:42:00.002+01:00</published><updated>2008-04-04T23:56:26.503+01:00</updated><title type='text'>2. Polaris</title><content type='html'>Version 1.2.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Guide to a moving target"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Start... Now:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É este o planeta em que vivemos.&lt;br /&gt;Histórias descabidas de lealdade e corrupção, o universo paralelo, onde tudo parecerá fazer sentido, e onde mais importantemente a uma acção seguirá uma reacção consentânea, existem para lá da tua mente.&lt;br /&gt;Este é o universo paralelo, entra guiado pela minha mão.&lt;br /&gt;Vê como a minha razão lhe desenhou as leis e é a minha vontade a servir de gravidade.&lt;br /&gt;Eu é que lhes explico as leis, e faço chover quando me apetece.&lt;br /&gt;Se eu estou em dia não, farei trovoar porque me apetece.&lt;br /&gt;E se porventura o acharem injusto, não se iludam, ele é tão arbitrário como as leis que me regem o comportamento.&lt;br /&gt;Se não gostarem inventem vocês o vosso, e chamem-lhe o que quiserem desde que não me convidem a lá entrar.&lt;br /&gt;Sou físico demais para me importar.&lt;br /&gt;Sou intransigente demais para não me queixar da cor que deram ao céu.&lt;br /&gt;Sou metafisico bastante para lhe ler as sombras e não gostar de vocês.&lt;br /&gt;Sou irreverente demais para não levar comigo o meu leitor de MPtrês e não escutar o vosso monólogo dançante, preferindo a isso os sons melódicos de god is an astronaut.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me encham de vocês que eu não preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me peçam palavras que eu não as tenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou o habitante número 10 deste planeta e quero-me matar para inventar o próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Version 1.2.&lt;br /&gt;Stop Script&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-8157352689655965349?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/8157352689655965349/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=8157352689655965349&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8157352689655965349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8157352689655965349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2008/04/2-polaris.html' title='2. Polaris'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-3295804010153634914</id><published>2008-04-02T00:12:00.000+01:00</published><updated>2008-04-02T00:13:05.028+01:00</updated><title type='text'>Cover Sleeve</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/xr_sZjniZ2I&amp;amp;hl=en"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/xr_sZjniZ2I&amp;amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-3295804010153634914?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/3295804010153634914/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=3295804010153634914&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/3295804010153634914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/3295804010153634914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2008/04/cover-sleeve.html' title='Cover Sleeve'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-8239236581933042921</id><published>2008-03-31T21:38:00.002+01:00</published><updated>2008-03-31T22:00:36.744+01:00</updated><title type='text'>1. Frienemies</title><content type='html'>Version 1.1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Guide to a moving target"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Start... Now:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que custa assim tanto.&lt;br /&gt;Por um momento ser mau?&lt;br /&gt;Não pedes nada a ti próprio, que outros, no lugar de oponente não fizeram com grande proveito.&lt;br /&gt;Mas será assim o resultado tão importante que justifique o meio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haverá entre esses, aqueles que acordem todos os dias de manhã, sem se preocuparem demais com quem os vai receber no final do dia...  se a sua própria consciência fria e cortante como o vento do qual se abrigam, se um igualmente frio resultado, tão sincero e concreto como a jarra de vidro que têm à entrada da sua casa num móvel antigo que veio do lugar que negaram à muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque um dia regressas de uma rotina marcada, e num inspirado reflexo de fim do dia vês naquele horizonte o sol a pôr-se e tu sem a certeza de que alguma vez o vais ver a levantar de novo. E de certa forma vês claramente, de olhos semi-cerrados por causa daquele disco alaranjado que te cumprimenta no final da estrada, o que te andaram a fazer estes dias todos... E de certa forma pedes-lhe que sejam como tu, e tenham príncipios, porque até ao contrário do que acreditavas, são mais as vezes em que te salvam os princípios dos outros do que as vezes que são os teus próprios princípios a salvarem-te, pedes-lhes que não tenham esperança, ou no minimo pedes-lhes que se as tiverem, que as passem pelo menos pelo crivo equilibrado da consciência, acrescentas que se o não fizerem podem olhar para as tuas cicatrizes internas e externas como prova viva de que criticamente não há veneno possível que mate os teus fantasmas... mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se reduzirmos tudo á essência... resta a esta questão, um ponto de coerência...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamem-lhe confiança e ofereçam indiferença, ou hábito, ou rotinas ou mesmo uma cidade, um país, ou outro continente... ofereçam-lhe tudo o que conta para alguma coisa... ou não ofereçam nada, resistam! Resistam à passagem dos dias indiferentes... enquanto esperam que a rotina os apanhe... ofereçam confiança...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sequer no futuro... não ofereçam confiança no futuro... ofereçam confiança a vocês próprios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo... mas tudo... vai correr bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando não correr... blame it on the black star...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite sabiam intimamente mas não o queriam confessar que algo de muito bonito morreria alí por entre o orvalho nocturno de final de verão e a ponta do cigarro que partilhavam abraçados.&lt;br /&gt;Já nem a cama podia ser a mesma de outras vezes, já não escolheram um lugar estranho para o fazer...&lt;br /&gt;Foi mesmo alí, no único espaço que restava por não ser deles.&lt;br /&gt;Fizeram amor...&lt;br /&gt;E ficaram abraçados a ver morrer o dia...&lt;br /&gt;Morreram com ele.&lt;br /&gt;E no outro dia acordaram diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Version 1.1.&lt;br /&gt;Stop Script&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-8239236581933042921?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/8239236581933042921/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=8239236581933042921&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8239236581933042921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8239236581933042921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2008/03/1-frienemies.html' title='1. Frienemies'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-8993772700490560806</id><published>2008-03-30T18:41:00.003+01:00</published><updated>2008-03-30T18:45:50.142+01:00</updated><title type='text'>Far From Home</title><content type='html'>Nothing as it seems&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:180%;"  &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; don't feel like home, he's a little out...&lt;br /&gt;and all these words elope, it's nothing like your poem&lt;br /&gt;putting in, inputting in, don't feel like methadone&lt;br /&gt;a scratching voice all alone, there's nothing like your baritone&lt;br /&gt;it's nothing as it seems, the little that he needs, it's home&lt;br /&gt;the little that he sees, is nothing he concedes, it's home&lt;br /&gt;one uninvited chromosome, a blanket like the ozone&lt;br /&gt;it's nothing as it seems, all that he needs, it's home&lt;br /&gt;the little that he frees, is nothing he believes&lt;br /&gt;saving up a sunny day, something maybe two tone&lt;br /&gt;anything of his own, a chip off the cornerstone&lt;br /&gt;who's kidding, rainy day&lt;br /&gt;a one way ticket headstone&lt;br /&gt;occupations overthrown, a whisper through a megaphone&lt;br /&gt;it's nothing as it seems, the little that he needs, it's home&lt;br /&gt;the little that he sees, is nothing he concedes, it's home&lt;br /&gt;and all that he frees, a little bittersweet, it's home&lt;br /&gt;it's nothing as it seems, the little that you see, it's home...&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;\&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:78%;"&gt;no sound, just the lyrics under water.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-8993772700490560806?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/8993772700490560806/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=8993772700490560806&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8993772700490560806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8993772700490560806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2008/03/far-from-home.html' title='Far From Home'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-3561340312749444125</id><published>2008-03-23T20:53:00.002Z</published><updated>2008-03-23T21:04:00.001Z</updated><title type='text'>White days and Martini Bars</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/R-bEflSHciI/AAAAAAAAAHs/2V3GhJxnUqA/s1600-h/IMG_0057_2_p.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/R-bEflSHciI/AAAAAAAAAHs/2V3GhJxnUqA/s320/IMG_0057_2_p.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5181044468199420450" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;...Something borrowed...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Something blue...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Every me and Every you...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;\me junto do bar...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-3561340312749444125?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/3561340312749444125/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=3561340312749444125&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/3561340312749444125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/3561340312749444125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2008/03/white-days-and-martini-bars.html' title='White days and Martini Bars'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/R-bEflSHciI/AAAAAAAAAHs/2V3GhJxnUqA/s72-c/IMG_0057_2_p.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-3360288882727605890</id><published>2008-03-16T14:47:00.003Z</published><updated>2008-03-16T15:13:35.847Z</updated><title type='text'>Fire Flies and Empty Skies...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/R904vsoszdI/AAAAAAAAAHk/W4qTIuvknlg/s1600-h/FirefliesOverviewSmall.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/R904vsoszdI/AAAAAAAAAHk/W4qTIuvknlg/s320/FirefliesOverviewSmall.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5178357538632814034" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;And all is Violent&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And all is Bright...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reflicto sobre palavras.&lt;br /&gt;Palavras como invólucros vazios de balas que uma vez disparadas apenas testemunham o tiro e nunca o alvo.&lt;br /&gt;E no entanto, não seriam essas carcaças vazias, ainda fumegantes e quentes da pólvora que explodiu no seu interior, aquilo que mais interessaria a quem as recolhe do chão para não deixar prova do crime.&lt;br /&gt;Seria talvez o corpo morto, estendido no chão e o seu sangue, também este quente, que vai formando um pequeno charco debaixo dele.&lt;br /&gt;Mas nunca o podemos ver, vemos as palavras, como invólucros de balas, e desenhamos o alvo, ou o corpo estendido no chão, com a limitação cega e alguma imaginação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São como estas teclas que bato, pensando no corpo.&lt;br /&gt;Por cada letra impressa aqui é mais um invólucro que cai... e vou-me entretendo com o som do aço ressaltando no chão enquanto o meu olhar se desvia para as faíscas que espalha pelo ar o percutor batendo naquele ponto minúsculo que libertará a bala.&lt;br /&gt;E o meu olhar perde-se do alvo e já não o reconhece (estará tão distante assim?...), prefere concentrar-se nos desenhos que traçam no ar aquelas faíscas brilhantes desenhadas contra o negro do céu, prefere escutar o som metálico-vazio que enche o ar e abafa o grito, prefere olhar para os invólucros por serem o único testemunho que sobra da sua arma vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transcendentemente ainda pensaria nas razões que me levaram a disparar a arma, se estas não fossem tão casuais e arbitárias como o trajecto visível das faíscas no ar...&lt;br /&gt;Impreterivelmente marco hora e ocasião para traçar o projecto das suas motivações secretas, da alquimia imperfeita da mistura explosiva, da impetuosidade com que rasga o espaço...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais importante escapa-nos pelo canto do olho apesar de pressentido, olhamos o ar.&lt;br /&gt;Apanhamos palavras como invólucros de balas, aspergidos no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E são tão insignificantes que as recolhemos às mãos cheias, sem destino que lhes dar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ao menos as balas comunicassem connosco, não por palavras, mas por todos os sentidos, inventados ou não, que se tem para se conhecer alguém, como uma força invisível que nos levasse a fundir com a vítima e fazer entender com o nosso próprio corpo o que é sentir uma bala a entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ao menos não fossem as palavras, mas sim a sua ausência, que de algum modo dessem sentido às coisas, que de algum modo permitissem encher o céu com mais qualquer coisa do que faíscas breves de algo a explodir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginamos tudo, para preencher as vagas incompletas daquilo que não sabemos ou queremos ver, e a cada coisa atribuimos o sentido, um sentido muito próprio que não passa de um reflexo distorcido de cada um de nós...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de certa forma inventamos igualmente um sentido...&lt;br /&gt;Que nada poderá ter de real, desenhando-o a metal e a fogo, desenhando-o apenas, contra o céu que continua vazio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu não sei ver, porque não penso nessas coisas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretenho-me a ver as faíscas a cruzar o ar como fogo de artíficio incompleto celebrando algo, que dificilmente poderei entender...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;/me on intervalo pulsante (...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-3360288882727605890?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/3360288882727605890/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=3360288882727605890&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/3360288882727605890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/3360288882727605890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2008/03/fire-flies-and-empty-skies.html' title='Fire Flies and Empty Skies...'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/R904vsoszdI/AAAAAAAAAHk/W4qTIuvknlg/s72-c/FirefliesOverviewSmall.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-4028190800295802099</id><published>2008-03-13T00:04:00.006Z</published><updated>2008-03-13T00:44:09.387Z</updated><title type='text'>Bouquet</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/R9h4AsoszcI/AAAAAAAAAHc/jEktIBYaziw/s1600-h/black_rose_buds.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/R9h4AsoszcI/AAAAAAAAAHc/jEktIBYaziw/s320/black_rose_buds.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5177019725039586754" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço de palavras contraditórias uma estrada estreita por onde encaminho os meus passos vacilantes rumo a um destino do qual desconheço a forma, muito embora lhe conheça o nome.&lt;br /&gt;Serão os outros, todos aqueles que respiram como um pássaro assustado entre duas mãos fechadas, todos esses que do alto da sua invunerabilidade me olham como um exemplo de algo que não pretendem que esteja com eles no dia a dia, na azáfama quotidiana de querer abarcar um mundo só com a força de o querer para eles...&lt;br /&gt;Falo de palavras ou da ausência delas quando me apanho em contradição gritante, quando o mundo revoltado regurgita certos factos insustentavelmente leves, flutuando à minha frente como núvens, como um nevoeiro demasiado espesso onde me afundo sem ter qualquer força ou intenção de me debater para sair e que mesmo assim me afogam, e que mesmo assim me confortam com a vaga esperança ou ideia que nunca perdi de que haverá algo ainda que resiste, bem lá no fundo de todo e qualquer coração humano, onde permanecerá intocado uma réstia de dignidade humana ou de respeito.&lt;br /&gt;Surpreendem-me pelas noites, ou pelos dias, ou pela obrigação matinal não esperada cumprida veladamente do alto da minha impotência, do alto da minha vulnerabilidade humana, da minha condição descrente, da minha humanidade imperfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deito-me no chão e aconchegam-me várias mãos sem eu sequer ver as caras dessas pessoas que me aconchegam no leito e me cobrem vagarosamente com um material fofinho e aconchegante, mas não, não me deixo dormir, quando é o que eu queria, não me abandono à ideia sempre presente em mim de chaga aberta em culpa, não é que propriamente lute, mas antes me conformo àquele espaço restrito do qual quero fazer todo o meu mundo.&lt;br /&gt;Mas puxam-me lá para fora as conveniências, todo um espaço onde só eu sei existir e para o qual anseio voltar, como um espaço de vida, como o meu espaço de vida. Agora os meus limites não se fazem de tecidos suaves mas paredes frias e assépticas, de uma desumanização gritante... por vezes fazem-se de corpos de encontro ao meu, corpos onde eu procuro sem encontrar aquele ponto chave central de onde irradiará todo o movimento (inclusivamente o meu) para a frente, sempre para a frente, irreversivelmente para a frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serão os estados de espirito ou as palavras que me lançam, surpreendentes como flocos vagarosos de neve caindo no meu dia de anos, fechadas e mortas como um ramos de flores, incapazes de ressuscitar por qualquer truque mágico num qualquer vaso com terra onde possam permanecer &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ad eternum&lt;/span&gt; alimentadas, seguras e hidratadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São como sonhos, todos aqueles ramos compostos a explodir entre o verde. São esperanças que explodem e cristalizam em pétalas, são dificuldades em cada espinho cortante onde quero espetar as minhas mãos para que a dor me recorde que estou vivo, para que o meu sangue escorrente se disfarce de água e terra e lhes devolva a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o silêncio do espaço entre quatro paredes quando todas as folhas pedem um instante de vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu estou nesse intervalo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem acreditar.&lt;br /&gt;Contrario-me.&lt;br /&gt;E porque me contrario consigo acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho razões, ou argumentos, são tão pretenciosos como uma folha de papel que envolva o ramo, é apenas mais um frame da moldura, mais um intervalo do tempo que cristalizou aquele quadro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se só pertenço ali, querendo também pertencer cá fora, procuro essa terra também para mim, uma terra capaz de devolver à flor a planta, de lhe devolver o calor e a esperança de que nunca irá ser cortada agora que arrefece a cada segundo que passa entre as mãos de quem no fundo só lhe quer bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É impossível.&lt;br /&gt;E, todavia, contrario-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dedicado a M.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;\me on "sunrise on aries" God is an Astronaut&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-4028190800295802099?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/4028190800295802099/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=4028190800295802099&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/4028190800295802099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/4028190800295802099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2008/03/bouquet.html' title='Bouquet'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/R9h4AsoszcI/AAAAAAAAAHc/jEktIBYaziw/s72-c/black_rose_buds.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-6956826117738163277</id><published>2008-03-07T00:50:00.003Z</published><updated>2008-03-07T00:58:16.974Z</updated><title type='text'>Mars</title><content type='html'>Um bacalhau bem temperado por entre copos de tinto carrascão numa tasca perdida entre o hospital e o Porto ainda dá para fazer um bom final de dia. A 5€ a festa, é crime chorar a jorna...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o Benfica não ter perdido e ficava perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por entre as estórias mais crúas sai-se um tal de terapeuta Fonte com uma verdade incontestável:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Na casa onde se ganha o pão, não se come a carne"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mainada- enquanto empurrava uma argana de bacalhau com um bom trago do tinto e via o Mantorras a marcar um golo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soubesse isso antes e aturava menos malucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o lema é mesmo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;" Se a XXX é para ser, para o estouro a XXX"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tralala mais fotos, provavelmente para os cacifos, quem me conhece já sabe que eu gosto destes aforismos, pelo que me citam constantemente na minha frase mais célebre "vaca presa também pasta", pelo que é mais uma a cravar na memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom ser homem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-6956826117738163277?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/6956826117738163277/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=6956826117738163277&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/6956826117738163277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/6956826117738163277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2008/03/mars.html' title='Mars'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-8891769361767722960</id><published>2008-03-01T03:34:00.004Z</published><updated>2008-03-01T04:10:16.682Z</updated><title type='text'>Far From Refuge</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/R8jXHTCQe4I/AAAAAAAAAHU/8BZmNDP4xS0/s1600-h/tsemoon_Gartstein_f.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/R8jXHTCQe4I/AAAAAAAAAHU/8BZmNDP4xS0/s320/tsemoon_Gartstein_f.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172620692403813250" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;V.P.F. God is an Astronaut&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V.P.S.F.F.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma daquelas sextas-feira que se ganha após uma luta ingrata contra o sono e a neblina matinal de um sábado prévio que prolonga a minha semana de trabalho para 6 dias ininterruptos encerrado entre 4 paredes tendo por companhia mais um daqueles doentes em coma que procuramos salvar contra todas as probabilidades e vontades, incluindo as nossas.&lt;br /&gt;Fuck&lt;br /&gt;I want to shout it loud&lt;br /&gt;And I'm not black, and i'm not proud&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interno a minha vontade e deixo que a curarizem.&lt;br /&gt;Semanas de febre ininterrupta cozem o meu cérebro no interior do meu crâneo como um ovo.&lt;br /&gt;Fui cardiovertido 6 vezes, ressuscitei por volume mais umas quantas.&lt;br /&gt;O meu sangue é filtrado por máquinas e a força do coração controlada por drogas.&lt;br /&gt;A paciência... bem a paciência deixo-a esvair de mim, como o meu sangue, espero que inventem o filtro, ou o soro capaz de lhe devolver a pureza, para que quando chegue a este coração, ou a este cérebro, renove a sua vontade de viver...&lt;br /&gt;Mas não, espera um pouco.&lt;br /&gt;Mas se sou eu a fonte do veneno.&lt;br /&gt;Deixa o meu corpo arrefecer e não o aqueças...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A consciência já me abandonou à muito e espera por mim no sítio onde repousarei quando todos percebam que eu já não tenho vontade de continuar.&lt;br /&gt;Quando todos deixarem de acreditar, mais do que eu, na minha própria esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive um tempo de vida e é para lá que quero regressar. Inteiro. Muito antes de me retirarem aquilo que voluntariamente destruí. Muito antes de insistirem comigo e me apontarem as razões que tenho para continuar. Selei o meu destino, e o meu corpo já decidiu onde repousar a melhor parte de si, deixem também cair esta concha vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ainda discutem se o meu olhar se dirige, por favor saibam que ele se concentra no tecto para projectar no último quadrado branco da minha existência os momentos bons pelos que passei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que já não tenho sítio ou corpo para o qual voltar... deixei-o corromper, e não há nada por que valha a pena voltar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os motivos pelos quais o fiz são válidos ou não, não vos compete a vós julgar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insistem para que eu volte atrás quando eu já preparo os meus argumentos para quem os pode julgar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não quero viver, quero ser julgado, quero saber se tenho direito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... direito a voltar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não neste corpo que eu deixei corromper.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não neste corpo onde travais a vossa última batalha, sem que eu tenha interesse nenhum em que ela seja ganha, por qualquer um de vós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;What's wrong with this picture?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dopa kind of life&lt;br /&gt;Nora kind of beat&lt;br /&gt;Dobuta kind of soul&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-8891769361767722960?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/8891769361767722960/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=8891769361767722960&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8891769361767722960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8891769361767722960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2008/03/far-from-refuge.html' title='Far From Refuge'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/R8jXHTCQe4I/AAAAAAAAAHU/8BZmNDP4xS0/s72-c/tsemoon_Gartstein_f.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-856715379554048675</id><published>2008-02-15T15:10:00.002Z</published><updated>2008-02-15T15:44:08.039Z</updated><title type='text'>Rotinas.</title><content type='html'>Há, perto do sítio do qual me quero despedir, certo café de bairro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(e é isto que me encanta no Porto, ambicionando ser cidade grande, cosmopolita, seja pela população ou pelas majestosas obras e produções desde o estádio do Dragão à casa da música, tem aquele espirito bairrista, aldeão até, em que numa simples freguesia, as dinâmicas sociais que aparecem têm a ver com uma cumplicidade de vizinhos que se habituam a ver, como num simples café, que não ficaria mal perdido numa aldeola qualquer do nosso país, onde os clientes habituais se conhecem pelo nome e cumprimentam, jogam jogos de azar e oferecem finos, estranhando se num ou noutro dia um deles não aparece por lá)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...onde aparece regularmente certo personagem, aparentando ter saído de um qualquer conto de Edgar Alan Poe.&lt;br /&gt;Este homem senta-se habitualmente no balcão, não precisa de pedir nada, trazem-lhe sem pedir nada os 3 copos habituais.&lt;br /&gt;1 deles traz água, o outro um compal de pêssego e o último é um balão, com uma dose generosa de aguardente de uma qualidade mais apropriada à desinfecção de feridas do que à ingestão humana.&lt;br /&gt;Enquanto vai alternando a ingestão das 3 bebidas, deixando sempre para o fim o copo de água, o homem puxa de uma banda desenhada da Dysney e vai lendo enquanto murmura comentários imperceptíveis, ainda não percebi muito bem se sobre o que está a ler ou sobre a vida.&lt;br /&gt;Uma vez por outra, vem apetrechado de um leitor de Mp3, ouvindo qualquer coisa enquanto o mesmo ritual é cumprido.&lt;br /&gt;Não sei se todos os dias, nem eu tenho vida para lá estar como ele na mesma moldura humana que parece fazer parte da mobilia da casa, mas na maioria das vezes que eu lá vou, encontro-o sempre, cumprindo com fervor quase religioso aquela sequência de eventos com a qual a vida lhe parece fazer sentido.&lt;br /&gt;Não tenho, como já deu para ver, grande esperança na raça humana. Não gosto particularmente das pessoas. Com este tipo em particular, encontro um certo divertimento em observar a sua rotina perfeitamente ensaiada assim como a indiferença ou reprovação dos olhares que caem sobre ele.&lt;br /&gt;Não me parece muito diferente, no que concerne à forma, do que tudo o que os outros fazem por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma certa genuinidade na loucura, menos hipocrisia até.&lt;br /&gt;Ainda bem que não há muitos como eu, para que este mundo aparente funcionar...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-856715379554048675?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/856715379554048675/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=856715379554048675&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/856715379554048675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/856715379554048675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2008/02/rotinas.html' title='Rotinas.'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-8587774856724651869</id><published>2008-02-10T01:01:00.000Z</published><updated>2008-02-10T01:59:42.931Z</updated><title type='text'>La Décadence...</title><content type='html'>On va parler en Français, parce que c'est la plus beaux langue to dire,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La Décadence,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não olho para trás porque tenho medo de tropeçar nos meus próprios pés se o fizer. O caminho faz-se inexoravelmente para a frente, num passo ritmado e não confio particularmente em mim, ou nos meus próprios passos, para desviar o olhar do meu próximo objectivo que é somente aquela nesga de terra em frente onde o meu pé caiba para dar o próximo passo.&lt;br /&gt;Interrompo a corrida para um café descontraído numa tarde de Inverno onde coube o sol. Mexo vagarosamente o café maldizendo a puta da lei que num café vazio não me permite agarrar um cigarro para o acomodar o estômago. Assim resta-me aquele travo amargo do qual me quero desprender no fundo da língua, que irritantemente transforma o meu discurso numa coisa muito mais vagarosa que não condiz comigo. Por um lado é bom, penso eu, permite-me pesar as palavras, nos dias que correm a nossa mão não pode ser muito ávida a agarrá-las podendo cair decepada pela lâmina afiada de uma condescendência paternalista que nos rebaixa.&lt;br /&gt;Falamos de banalidades, como cinema... ou futebol... ou até mesmo gajas... noutro dia (seria noutro tempo talvez) ainda as trataria como iguais, mas não, resta-me aquela ponta de cinismo solitário, amargo talvez, por não compreender as preocupações comezinhas de quem faz de lugares comuns o ponto fulcral a partir do qual irradia a existência. Mas a nossa mente, resvalava perigosamente para esse olhar despretencioso a partir do qual perpectivamos as coisas.&lt;br /&gt;Loucas, repetia eu, insistentemente, perante a ainda resistente esperança de quem espera mais da vida, loucas, as pessoas são loucas, enquanto inumerava histórias e desvendava motivações, encenando um palco, dispondo as luzes e os adereços, por acaso quero ser ministro de uma religião anti-social por não me adequar ao mundo?&lt;br /&gt;Talvez num outro mundo, ou noutro tempo, tivesse eu a consciência para tal, e revoltar-me-ia com aquela indolência de final da tarde, com os matizes cinzentos com que ainda perspectivávamos as coisas apesar do dia estar de sol. Mas como sou, como sou, pergunto-me a mim mesmo sem achar resposta, ou mesmo sem achar resposta no interlocutor, quem nos ensinou a nós o cinismo ou a maldade, a hipocrisia e a falsidade. Mais do que isso, perguntaria se achasse que por acaso existe uma resposta para isso, o que nos levou a aceitar essas lições como verdadeiras e válidas integrando-as em nós?&lt;br /&gt;Será só desilusão, ou tão só, falta de esperança?&lt;br /&gt;A melhor resposta para isso reside naquele travo, como o do café proibíndo o cigarro, de injustiça que nos parece perseguir como um fantasma.&lt;br /&gt;Crescemos acreditando que a um esforço válido se seguiria uma recompensa proporcional. Como a escalada dificil a uma figueira arriscando a repreensão do nosso avô, somente porque no topo estariam aqueles figos pretos a adquirir negrume bastante para fazerem deles um fruto não excessivamente doce.&lt;br /&gt;No mundo real, ou da gente grande, como lhe quiserem chamar, não abundam recompensas, abunda, isso sim, frutos esparsos, apetecíveis, mas sem ramos para lá chegar que não os da sorte, fortuna, influências ou status. E a esses, caro amigo, de pouco vale o esforço ou compaixão.&lt;br /&gt;E não se fazem de queixas os nossos dias, mas de uma cristianíssima vontade de dar a outra face.&lt;br /&gt;Se depois de outro estalo, outro estalo se segue, resta-nos uma última tentativa do orgulho para permanecer de pé, e uma solidariedade bastante que nos compele a bater com a mão no ombro do nosso amigo e dizer-lhe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"tu já passaste por muito..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;\me on god is an astronaut "far from refuge"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-8587774856724651869?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/8587774856724651869/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=8587774856724651869&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8587774856724651869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8587774856724651869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2008/02/la-dcadence.html' title='La Décadence...'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-5839582705909818593</id><published>2008-02-02T00:57:00.000Z</published><updated>2008-02-02T01:35:10.876Z</updated><title type='text'>Pós-Modernos.</title><content type='html'>Sinto-me velho.&lt;br /&gt;E não o digo por me pesarem os dias, ou as pernas, ou qualquer outra parte de mim que se arrasta no tempo.&lt;br /&gt;Digo-o porque no dia de hoje ainda me estranho com a intemporalidade das coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de uma vez, há já muito tempo atrás, ler numa aula um conto qualquer de Eça de Queiroz. Estabelecia-se um paralelismo com uma frase batida de um pensador que eu só li um par de anos depois de ter lido aquele conto. Esse pensador, Nietzsche, dizia que aquilo que não contas ao teu maior amigo, contas com maior facilidade a um estranho numa estalagem. Isto para dizer que provavelmente só saindo dessa imagem que criamos para quem queremos que goste de nós é que podemos falar dos segredos mais profundos...&lt;br /&gt;Mas voltando ao nosso bem mais português Eça, contava ele sobre certa figura escorreita, de olhar digno e pose certa, metido dentro de um fato barato mas digno, barbeado na perfeição, que se deliciava com um cálice de Porto após uma regrada refeição, sobre este, insisto eu, tudo se falava, ou indicava, uma rectidão moral à prova de bala, um carácter granítico, um homem de honra portanto. E sobre ele caíria uma tragédia como que provando o seu carácter, para ver se a sua vontade cederia perante as várias tentações da carne... acho eu... que a esta hora a memória já não é certa quanto a factos ou argumentos. Se a história não for assim que me perdoem o erro, mas se a reinvento aqui, é tão só para provar a afirmação de que estou velho, ou pelo menos ultrapassado, e que pouco valor tenho excepto para uma qualquer colecção de museu perdido, destinado a visitas de estudo ou turistas nipónicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou, um pouco, do tempo dessas histórias de rectidão e honra. Não viesse eu de um lugar onde por uns palmos de terra ou umas quantas palavras mal medidas, se retirassem vidas humanas à frente de uma caçadeira de duplo cano e chumbo grosso.&lt;br /&gt;Sou desse tempo em que as pessoas, mesmo aquelas que faziam parte do imaginário popular como as mais desafortunadas ou dignas de escárnio, eram insubstituíveis por serem únicas, por trazerem à vida colectiva uma nota particular que fazia do conjunto algo de muito mais harmonioso e regrado. Um pouco como uma paróquia de aldeia, onde tão insubstituível seria o pároco bonacheirão que colectava pela páscoa as dúzias de ovos com as quais mataria a fome às governantas e afilhados, como o doidivanas que se abrigava à noite no palheiro dos ricos, e que durante o dia mendigava uma côdea de pão enquanto assustava as crianças.&lt;br /&gt;Sou desse tempo, dos apertos de mão e dos homens sérios, de bigode e camisas de linho branquinhas coradas à beira do rio... bem... talvez não seja tão velho assim... mas pelo menos sou do tempo em que as pessoas importavam, ou pelo menos valiam qualquer coisa, e eram estimadas por isso, onde seguramente, após um esforço grande teriam uma recompensa consentânea.&lt;br /&gt;Custa-me ser mais deste tempo, onde as coisas são complicadas. Porque se o esforço ainda se faz à luz do dia, e todos vêem, os interesses jogam-se nas sombras, e são sempre esses a decidirem o resultado final das contendas.&lt;br /&gt;Já não chega mostrar para se ter, já não há palavras como sacríficio, ou honra, ou entrega, quando cinicamente se esconde, ou jogam cartas, consoante os interesses profundos, perversos, ou mesmo animalescos dos grandes deste país.&lt;br /&gt;E no final de tanto cinismo, a simplicidade paga-se caro, paga-se em lágrimas outra vez derramadas à luz, para todos verem, por entre os abraços hipócritas de todos aqueles que jogaram nas sombras para os resultados serem tão reais quanto aquelas lágrimas que aparam num ombro que nada tem de amigo.&lt;br /&gt;Estamos todos vendidos, porque temos nas nossas curtas vidas, demasiadas coisas a perder, e cedo percebemos que quem ganhou ganhou o que alguém perdeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu estou velho para perceber estas coisas, e não sei ver para além do que a luz me mostra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um dos poucos ombros que recebe as tuas lágrimas sem nada ter feito para as provocar. E tu sabes disso. E por isso me procuras de noite, na hora em que tu sabes que eu saio do sítio que é teu... por ser mais teu do que daqueles todos que ficam.&lt;br /&gt;E esperas por mim, sabendo que eu sou o último... e sou igual a ti... vou perder o que tu também perdeste, e na consolação da perda resta-nos o ombro mútuo e aquele abraço que trocamos quando as luzes se apagaram e me disseste "eu tenho medo" e eu não soube dizer, porque tenho honra e não te minto, que em mim não tenho forças que cheguem para te proteger.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dedicado muito especialmente à Rute.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-5839582705909818593?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/5839582705909818593/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=5839582705909818593&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/5839582705909818593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/5839582705909818593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2008/02/ps-modernos.html' title='Pós-Modernos.'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-2848765884446083764</id><published>2008-01-13T23:59:00.000Z</published><updated>2008-01-14T01:11:12.192Z</updated><title type='text'>Flatline</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/R4q2qL3Mh-I/AAAAAAAAAHM/rx72KgDKgys/s1600-h/flatline.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/R4q2qL3Mh-I/AAAAAAAAAHM/rx72KgDKgys/s320/flatline.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5155133559334012898" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Saí do jantar à noite e pensei que já há muito tempo que não via um céu tão estrelado como aquele.&lt;br /&gt;Era tão só um jantar de trabalho, daqueles que se fazem para agradar as chefias com a ideia de que o cimento que une a equipa é um pouco mais do que as convivências normais de trabalho e que trancende este para se substanciar lá fora.&lt;br /&gt;Não sou amigo da maioria daqueles tipos, com as suas gravatas impecáveis e os seus dentes brancos polidos. Arrogantes e confiantes ao volante do carro que a empresa pagou para eles, confiantes nas suas palavras, passando por aí altivos arrastando consigo um odor familiar a um perfume caro.&lt;br /&gt;Não me apetece agradar-lhes e nem por isso me apeteceu vestir uma gravata mesmo para aquele jantar social.&lt;br /&gt;Sai do jantar já farto de falar das suas conquistas e das suas proezas.&lt;br /&gt;Cansei-me de os ouvir desfiar as suas conquistas, sejam de gajas, carros ou clientes por entre garfadas de um bacalhau com broa demasiado salgado para o meu gosto.&lt;br /&gt;Achei particularmente irritante o sujeito nervoso que chefia o departamento. Um tipo de palavras caras e bom gosto que encarrilou a vida depois do seu master em gestão. Contava ele, a pretexto de uma qualquer bugiganga que trazia como adorno, de como tinha levado a sua namorada a um país qualquer da américa do sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me interessava particularmente isso. Não por um sentimento qualquer de inveja, mas por um simples sentimento de tédio que me davam todas essas histórias de felicidade alheia promovida a estatuto social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí à rua e já nem sequer pensava em todas aquelas palavras que eram ditas, em todas aquelas histórias e sorrisos.&lt;br /&gt;Pensava como o céu tinha estrelas e cantarolei uma qualquer canção que me falava disso, já sem saber muito bem quem a cantou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no parque de estacionamento, um lugar ermo e mal iluminado, deixei-me ficar para o fim, e esperei que aquele ventinho que se levantava de norte, não se transformasse numa saraivada de facas afiadas que mal permitiam manter os meus olhos abertos.&lt;br /&gt;Muito depois do último carro ter partido, saí do carro para mais um cigarro saboreado ainda com o travo do café e os olhos pregados no céu.&lt;br /&gt;À minha frente apareceste-me tu, arrepiada no meio do teu casaco de penas que te fazia um pouco mais gorda.&lt;br /&gt;Ficas-te a olhar para mim à distância de um metro e todo o teu corpo tremia pedindo um pouco do calor do meu. Seria por vergonha ou um pudor muito próprio, mas a única coisa que me pediste foi um cigarro do meu maço que acendeste com o prazer muito próprio de alguém que não sente um sabor assim desde muito tempo atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começaste a falar de ti, como se eu não te conhecesse de lado algum. E de novo me relembraste de todas as pequenas coisas que te marcaram a pele como se a ponta desse cigarro que seguravas na ponta dos teus dedos finos se encostasse à tua pele por cada desvio do caminho que tomavas em algum ponto da tua vida.&lt;br /&gt;E sem qualquer sobressalto, porque a preparação era desnecessária, passaste ao que realmente interessava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-mas então... e tu que contas... o que tens feito?&lt;br /&gt;-nada em especial, trabalho ocasionalmente e mascaro-me de risos que tornem mais suportável o meu dia àqueles que se atravessam à frente. Ocasionalmente fodo e continuo a fumar um cigarro depois como bem sabes. Ocasionalmente compro qualquer coisa para casa e perco uma tarde inteira a pensar como vou reorganizar as coisas de maneira a encaixá-la lá. De vez em quando cozinho um prato especial, acendo uma vela e abro um bom vinho tinto que deixo respirar 15 minutos antes de o servir numa mesa posta para 1... de vez em quando...&lt;br /&gt;-chega.&lt;br /&gt;-Já te chegou?&lt;br /&gt;-sim.&lt;br /&gt;-mas não tinhas perguntado porque querias saber?&lt;br /&gt;-sim, mas como sempre fazes falas demais... não me interessa como passas os teus dias... quero saber o que se passa contigo.&lt;br /&gt;-mas eu só sei falar do que faço, o que queres que fale, queres que fale de mim?&lt;br /&gt;-quero que fales de tudo o que importa...&lt;br /&gt;-e se eu não tiver nada que importe?&lt;br /&gt;-dá-me mais um cigarro para o caminho e deixa que me despeça de ti assim... se quiseres continuar o jantar tens amanhã, ou o dia seguinte, mas esta noite és meu e eu mereço mais do que isso...&lt;br /&gt;- mas eu para ti... já não tenho palavras...&lt;br /&gt;- então... porque é que as usas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma trovoada ouviu-se ao longe e ao som do primeiro trovão, apagaram-se as poucas luzes que ainda suportavam a atmosfera daquele parque. Depois tudo se fundiu na noite como os nossos corpos se fundiram um no outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordo vagamente um abraço, e várias lágrimas gordas que lhe molharam as costas. Instintivamente as minhas mãos souberam procurar o seu corpo e souberam coisas que por palavras seriam inexprimíveis.&lt;br /&gt;Enquanto lhe tirava a roupa vagarosamente, despia-me a mim mesmo da carapaça dura com que me revestira ao longo daquele deserto.&lt;br /&gt;Quando a penetrei, rompi com qualquer coisa em mim e percebi desde logo que não a queria reparar.&lt;br /&gt;Quando tivemos um orgasmo comecei pela primeira vez a sentir.&lt;br /&gt;E depois abracei-a encostando o meu peito às suas costas envolvendo-a por trás sem perceber onde terminava o meu corpo e começava o dela, ficamos a ouvir a chuva a cair enquanto adormeciamos devagarinho.&lt;br /&gt;Nenhuma palavra foi dita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem para dizer adeus, quando no dia seguinte ela teve que partir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-2848765884446083764?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/2848765884446083764/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=2848765884446083764&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2848765884446083764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2848765884446083764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2008/01/flatline.html' title='Flatline'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/R4q2qL3Mh-I/AAAAAAAAAHM/rx72KgDKgys/s72-c/flatline.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-8067897705276822916</id><published>2008-01-06T03:37:00.000Z</published><updated>2008-01-06T04:14:48.094Z</updated><title type='text'>...for a friend...</title><content type='html'>Is that thing about diamonds isn't it? 'cause if they're real they can cut trough glass 'nd make lasers slice trough monkeys... that's why they're so valuable... 'cause they make lasers go trough monkeys or something...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já perdi a conta aos cigarros que fumei...&lt;br /&gt;Provavelmente tantos que destacaram alguém da ASAE para me seguir para todo o lado a ver se piso a linha... Se esse senhor me estiver a ler que descanse por um bocado que me faltam uns quantos milhares de euros na conta para ocupar as minhas noites no casino de Espinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sei o que quero:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero alguém que me ajude a ver para além do dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que chegava lá por outros lados mais amigos dos meus pulmões, mas andei perdido por caminhos travessos.&lt;br /&gt;Estar perdido por 2 anos, não chega para ser record pois não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto são condições minimas de humanidade, não preciso de estar aqui a escrever pois não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem quiser o cargo que me contacte amanhã... Não pode ser para depois de amanhã, porque é precisamente para isso, para que me recordem que existe esse dia, que eu quero alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teu maior truque, esse do qual nunca me libertaste foi dares-me a certeza que de certa forma podia deixar-me dormir, porque no outro dia encontrava o mundo ainda melhor do que o deixava, estavas lá para o cuidar por mim, para lhe por mais uma flor, ou destapar o véu de nuvens que encobria o céu.&lt;br /&gt;Desculpa quando eu deixei de acordar todos os dias...&lt;br /&gt;Houve esse dia em que acordei... e acordei sozinho...&lt;br /&gt;E encontrei o mundo um lugar bem pior, porque já não cuidavas dele e assim tinha de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico com o meu blog e os meus cigarros, a minha falta de esperança e cobardia.&lt;br /&gt;Engulo tudo o que vem e sabe-me a verdade.&lt;br /&gt;Ah... e tenho 1 certeza, inabalável.&lt;br /&gt;Fica para quando eu morrer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-8067897705276822916?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/8067897705276822916/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=8067897705276822916&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8067897705276822916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8067897705276822916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2008/01/for-friend.html' title='...for a friend...'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-8198018581924736728</id><published>2007-09-20T22:41:00.000+01:00</published><updated>2007-09-20T22:48:23.871+01:00</updated><title type='text'>18</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/RvLpjiR0u6I/AAAAAAAAAG8/Cy0pEqfVuYE/s1600-h/massattack3.GIF"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/RvLpjiR0u6I/AAAAAAAAAG8/Cy0pEqfVuYE/s320/massattack3.GIF" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5112405323725192098" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Fui ver estes senhores ao Coliseu do Porto, dia 18. (Massive Attack)&lt;br /&gt;Um daqueles concertos fetiche, a minha vida não estaria completa sem os ver ao vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Actuação demasiado "clean", continuo a achar que tocam muito bem, mas falta-lhes improviso e conectarem com o público nas actuações ao vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alas, pese embora os 40º de febre, foi o momento alto da semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri uma banda Portuguesa excelente, vai editar um novo álbum no próximo mês, até lá podem espreitar os&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.myspace.com/theallstarproject"&gt;The All Star Project&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito bom, fiquei fã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-8198018581924736728?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/8198018581924736728/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=8198018581924736728&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8198018581924736728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8198018581924736728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/09/18.html' title='18'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/RvLpjiR0u6I/AAAAAAAAAG8/Cy0pEqfVuYE/s72-c/massattack3.GIF' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-680298591710947714</id><published>2007-09-15T20:52:00.000+01:00</published><updated>2007-09-15T21:31:50.731+01:00</updated><title type='text'>11 garrafões de mim...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/RuxBJMmYThI/AAAAAAAAAG0/9CrisEYZRXY/s1600-h/Painting_of_a_Greek_Warrior_Defending_Hellas_-_Watercolor_over_graphite_underdrawing_-_Benaki_Museum_Museum_-_Athens.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/RuxBJMmYThI/AAAAAAAAAG0/9CrisEYZRXY/s320/Painting_of_a_Greek_Warrior_Defending_Hellas_-_Watercolor_over_graphite_underdrawing_-_Benaki_Museum_Museum_-_Athens.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5110531303415500306" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Hoje acordei ressacado, com o sabor amargo da vingança colado ao céu da boca, por muito esforço que fizesse não conseguia descolar a língua, pronunciar qualquer som.&lt;br /&gt;Descobri que o que me arrasta da cama, pelas manhãs submersas, pelas madrugadas que acordo depois de horas insuficientes de sono, é incomparavelmente mais forte que o mais forte sentimento de vingança que me mova.&lt;br /&gt;Por isso não me levantei à hora certa, não consegui encontrar um ritmo, não conseguia abrir os olhos que permaneciam colados não querendo ver o dia a nascer...&lt;br /&gt;Arrastei-me para o banho onde me demorei mais do que o que devia, vagarosamente escovei os dentes e dei um jeito ao cabelo, olhando como se nunca as tivesse visto para as minhas olheiras, para o meu rosto cansado.&lt;br /&gt;Saí de casa tardíssimo, sem me preocupar muito com o tempo, incomodava-me todo o excesso de ar, todo o excesso de luz e de espaço que me separava do meu objectivo final.&lt;br /&gt;Tomei um café vagaroso, demorando-me a acender um cigarro. O seu sabor acre e forte, mesmo esse, não me conseguiu arrancar nenhum som, não me pacificou, não me soube bem.&lt;br /&gt;Acelerei para lá, pedindo sangue. Por vezes a melhor recompensa que se tem na vingança não é a morte do adversário mas sentir o sabor da sua carne entre os nossos dentes, sobre a nossa lingua, sentir o sabor do sangue ainda quente a escorregar pela nossa garganta humedecida pelo excesso de saliva.&lt;br /&gt;No ar estava aquele cheiro metálico que se eleva dos campos de batalha, aquele silêncio perturbador antes do primeiro grito de guerra. Não fazia nada excepto preparar-me para esse instante perfeito em que cravaria na carne de todos os que me fizeram mal, uma lança afiada, uma lança afiada pelo meu ódio, uma lança vagarosamente esculpida nos dias em que sofria, em que não dava conta da sua passagem entretido que estava a construir esse fio de vida que apenas significava morte. Era uma lança comprida, uma lança comprida pelo tempo, pelo alcance do sentimento, uma lança que de um lado dizia "sucesso", dizendo do outro lado "dor".&lt;br /&gt;Entrei no espaço sabendo ao que ia, avançava destemido com toda a confiança que o meu escudo e o meu pouco medo da morte me davam.&lt;br /&gt;E de súbito não estavam lá.&lt;br /&gt;Não estavam lá.&lt;br /&gt;Não estava lá quem me tinha ferido, não estava lá quem me tinha matado, não estavam lá os assassinos, os perversos, os cretinos, não estavam lá as pessoas, os heróis da mediocridade, os hipócritas, os falsos, os vendidos...&lt;br /&gt;Mas de repente dei conta...&lt;br /&gt;Eu também não estava lá...&lt;br /&gt;Estava um desconhecido armado, desejando sangue e o término das coisas... procurava um ponto final vermelho para uma história trágica, procurava fechar aquele selo no calor da batalha...&lt;br /&gt;O que aquele desconhecido queria era matar-se não era matar.&lt;br /&gt;E como todos os condenados à morte, prolongou os seus últimos momentos em vida...&lt;br /&gt;Agora que o seu algoz faltava à sua própria execução, descobrira, que todo o seu esforço teria sido em vão.&lt;br /&gt;Descobria que se não fosse tão cobarde como temia que fosse, o único destino a dar à lança seria a de a cravar no próprio peito, matando à partida um desconhecido que apenas conhecia o sabor da batalha e que nunca na vida descobriria como viver em paz.&lt;br /&gt;A essas pessoas, desconhecidas, resta uma morte honrosa em batalha com que justificar os seus dias...&lt;br /&gt;Ao próprio, ao conhecido de mim, falta a coragem para partir a lança no peito do desconhecido de mim...&lt;br /&gt;E entre esses dois há esse confronto velado, como dois inimigos frente a frente, tão equilibrados que acordaram tacitamente em não se atacar por não quererem destruir o mundo em que vivem.&lt;br /&gt;O desconhecido virou costas e saiu.&lt;br /&gt;Hoje, pelo menos para ele, não haveria batalha a travar.&lt;br /&gt;Saiu tão contrariado como o conhecido tinha entrado ali.&lt;br /&gt;Saiu respirando rápido e destilando ódio. Há falta de pessoas para matar, esbracejava tentando atingir os seus próprios fantasmas. Passou o resto do dia mal, olhando de soslaio para o conhecido, avaliando a sua própria capacidade para inflingir dor e se esta bastava para acabar de vez com aquele cobarde que não lhe dava um destino merecido.&lt;br /&gt;O conhecido sentou-se a um canto e esperou pela noite chorando, queria ter a capacidade para o libertar daquele destino guerreiro, queria matá-lo. Mas ao contrário do outro, não tinha ocupado os seus dias a esculpir lanças, nem a afiar uma espada que pudesse utilizar agora.&lt;br /&gt;Só havia um destino, matar ou ser morto ali, por todas as batalhas perdidas reclamando vingança seja pela espada ou pela indiferença.&lt;br /&gt;Mas ambos persistem em campos opostos... e na paz armada que se vive, o que sobra é uma intensa revolta que quer desfazer o mundo e quem lá vive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunto-me se quando decidiste quebrar as tuas próprias tréguas, quando um dos teus lados venceu, porque não aproveitas-te aquele ímpeto para matar um de mim?&lt;br /&gt;Mas agora que penso...&lt;br /&gt;Agora que penso nisso, e não sei se é a verdade, é apenas a minha resposta... não foi esse ímpeto que me dividiu em dois?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-680298591710947714?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/680298591710947714/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=680298591710947714&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/680298591710947714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/680298591710947714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/09/11-garrafes-de-mim.html' title='11 garrafões de mim...'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/RuxBJMmYThI/AAAAAAAAAG0/9CrisEYZRXY/s72-c/Painting_of_a_Greek_Warrior_Defending_Hellas_-_Watercolor_over_graphite_underdrawing_-_Benaki_Museum_Museum_-_Athens.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-6476485936825172297</id><published>2007-09-06T23:50:00.001+01:00</published><updated>2007-09-07T00:18:11.303+01:00</updated><title type='text'>A Essência</title><content type='html'>"... e descobriram que não podiam trabalhar por ele, teriam de trabalhar sempre COM ele..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enchem-se de gritos pela noitinha.&lt;br /&gt;Mostram as medalhas enceradas das suas vitórias pessoais a quem só sabe responder com o desdém de um sentido de humor elevado.&lt;br /&gt;Revoltam-se com isso e gritam ordens como impropérios.&lt;br /&gt;Saraivada de uma chuva de verão, depois disso o silêncio e uma paisagem que transcorre ao longo de uma estrada sem carros.&lt;br /&gt;Procuram-se aliados nos corredores e conspira-se. Se um clama por aquela ajuda divina sabendo que não vem, os outros todos esgotam-se em estratégias conspirativas e punhaladas nas costas.&lt;br /&gt;Contra toda uma muralha de pragmatismo, vagas sucessivas de nomes, palavras gritadas, ordens e insinuações. E um sorriso brilhante com os olhos clarinhos da cor de um mar tropical.&lt;br /&gt;Quando a vara não chega aliciam com promessas e doces comprados numa espelunca rançosa ao virar da esquina, falam do que não sabem ou erguem-se sobre a ponta dos pés procurando ser notados na sua magnífica insignificância,... mas parem... têm medalhas bem à frente no peito, e não se encerram em casa, antes passeiam na rua com todos os seus traumas e cicatrizes esquecendo todos aqueles esqueletos de culpa e remorso que deixaram em casa.&lt;br /&gt;Chamam-lhe de exemplo e oferecem-no a cada gesto sem perceberem que a maioria já viveu muito mais do que aquilo e que mesmo aqueles que não viveram estão demasiados interessados nas suas batalhas pessoais para se importarem com recordações de batalhas passadas de uma guerra que não tiveram.&lt;br /&gt;Falam de coragem, excepto daquela que lhes falta para abrirem a porra dos olhos e verem que o essencial não se muda, o essencial permanece muito para além da ferrugem que já começa a corroer os bordos de medalhas antigas.&lt;br /&gt;Tens o momento, e tudo aquilo que te falta para atingir o próximo. E não se trata da suprema arrogância com que me fitas, nem do teu suposto pudor que te acolhe quando o rubor aparece na tua cara quando vestes os calções curtinhos e utilizas a mão para tapar tudo aquilo que não queres que se veja.&lt;br /&gt;Não me mudas nem por um segundo e pedes-me que te mude por completo num só toque, queres de mim milagres quando eu só sei oferecer truques de algibeira, não, o que te move é tão diferente de mim como a noite é diferente do dia, e não, nunca precisei da tua autorização para saber como sorrir.&lt;br /&gt;Há quem me diga, no outro universo que fica do outro lado da rua, que a verdadeira natureza de uma pessoa nunca se altera. Eu acrescento, mas a essência evolui.&lt;br /&gt;Evolui quando lutam comigo num campo de batalha pequenino e se surpreendem por terem perdido estrondosamente e eu que nem sequer tive que apresentar um peão no campo de batalha.&lt;br /&gt;O meu jogo faz-se de armadilhas e embuste, de dissimulação e engano, e como tal sou estratega, venço batalhas escavando poços quantas das vezes para me enterrar a mim próprio.&lt;br /&gt;Fervem por sangue e querem pintar todos os machados e lanças de vermelho vivo, e eu que nem um escudo apresento.&lt;br /&gt;Por tanto quererem lutar, olham sempre para baixo, olham sempre para o chão, se apenas se dessem ao trabalho de olhar para cima conseguiriam ver-me tão claro e transparente quanto a água que corre aos seus pés, mas não o fazem, mas nunca o fazem.&lt;br /&gt;Por tanto quererem vencer, nunca se apercebem do fácil que seria e enredam-se irremediavelmente em todos os meus fios sem perceberem que quanto mais lutam mais eu me afasto de mim.&lt;br /&gt;Quando encontram o meu fantasma, julgando conhecer-me já perderam a guerra julgando ter ganho a batalha.&lt;br /&gt;Não lhes tirem a satisfação da vitória, nem a mim todo a bendita espessura deste manto com que cubro o que sou dos olhos do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-6476485936825172297?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/6476485936825172297/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=6476485936825172297&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/6476485936825172297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/6476485936825172297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/09/essncia.html' title='A Essência'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-5267812313248676687</id><published>2007-09-04T23:59:00.000+01:00</published><updated>2007-09-05T00:39:35.156+01:00</updated><title type='text'>Departure Lounge</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/Rt3qPiciDGI/AAAAAAAAAGs/9ojPIP5syCY/s1600-h/a-ilha.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/Rt3qPiciDGI/AAAAAAAAAGs/9ojPIP5syCY/s320/a-ilha.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5106495105173425250" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ele não é um nome, é um número.&lt;br /&gt;Não chega a ser uma pessoa, ele é um facto. É um acontecimento fortuito, um produto do acaso.&lt;br /&gt;Ele não chega a ser, mas persiste.&lt;br /&gt;Dizem que não fala nada de interesse, que insiste em dar trabalho por se agarrar demais à vida, dizem que o seu tempo já passou, que ele não é deste mundo.&lt;br /&gt;Dizem que lhe falta originalidade, criatividade, bom senso, dizem que só está bem quando bebe, ou quando fuma, ou quando anda, se senta simetricamente e faz as coisas certas pela família de bem.&lt;br /&gt;Dizem que cada nódoa negra é culpa de outrem, diz que não viram, que são doentes e perversos, que lhe querem mal, que não o suportam nos dias, que não o conseguem ouvir durante as noites.&lt;br /&gt;Mas sobretudo, dizem que a cabeça lhes dói quando acordam, e não se vão levantar...&lt;br /&gt;"Deixá-lo ir"&lt;br /&gt;Enganado&lt;br /&gt;"Vai, mas não voltes"&lt;br /&gt;Perde-te no caminho, morre, pára de vez.&lt;br /&gt;Morre.&lt;br /&gt;Isto é um assalto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela permanece calada quando ele lhe toca.&lt;br /&gt;E quando vem trazer de mansinho, o copo de água que lhe pediu.&lt;br /&gt;Ela não tem nada que seja seu, e no entanto persiste, indivisivel.&lt;br /&gt;Ele pediu-lhe para lhe roubar o corpo aos pedacinhos, ela assentiu.&lt;br /&gt;Contando que demoraria toda uma vida, protelou, até que o fez um dia e descobriu, que em uma hora apenas já possuia todo o seu corpo, e a aridez que entrevia entre os poros se assemelhava a um deserto de ideias que nada faria supor.&lt;br /&gt;Desiludiu-se pensou, de facto, nada lhe interessava para além do corpo que segurava com as mãos sobrando-lhe espaço para levar qualquer coisa à boca, sería um cigarro talvez.&lt;br /&gt;Bocejava.&lt;br /&gt;Nada daquilo lhe interessava para além da rotina de a ter entre os dedos, insignificantemente entrelaçada. Pensava que romperia qualquer vinculo que fosse com um simples afastar dos seus dedos, que ela lhe escaparia por entre eles até ao chão, partindo-se em todos os bocadinhos que ele um dia foi buscar, todos os bocadinhos que se varrem para baixo do tapete da memória, e que se esquecem ao final do dia sentado à beira mar.&lt;br /&gt;Ela surpreendeu-o quando lhe disse "não te quero ver aqui" depois da noite.&lt;br /&gt;Se soubesse que aquela teria sido a última, ter-se-ia comportado melhor.&lt;br /&gt;Se soubesse que aquela teria sido a última, teria aproveitado mais.&lt;br /&gt;Assim, apenas acordou ao lado dela como um desconhecido acorda numa ilha deserta.&lt;br /&gt;Deu-lhe meia hora para aprender a fazer fogo, pescar peixes com um pauzinho afiado e descascar cocos com uma pedra afiada.&lt;br /&gt;Depois disso lançou-o ao mar, e disse-lhe "não te quero ver aqui" jamais.&lt;br /&gt;Ele engoliu as primeiras gotas de água pela manhã e souberam-lhe a sal.&lt;br /&gt;Soube que estava no meio do mar e que tinha que aprender a nadar.&lt;br /&gt;Enquanto aprendia a nadar, esqueceu-se de como se fazia fogo, de como se pescavam peixes e se abriam cocos.&lt;br /&gt;Quando a boca lhe soube a terra, deitou-se de costas, para descobrir que aquele sol queima mais do que esperaria e lembrou-se dela.&lt;br /&gt;Durante 100 anos, não vais poder voltar, disse-lhe o mar.&lt;br /&gt;Durante os teus 100 anos terás de aprender a pescar, caçar, fazer fogo, e abrir a fruta com pedras.&lt;br /&gt;Quando te cortares, sangrarás por 100 anos.&lt;br /&gt;Depois dos 100 anos curarás as tuas feridas com sal.&lt;br /&gt;Por cada ano, 100 cicatrizes.&lt;br /&gt;Por cada ano tirar-te-ei 100 dias de vida.&lt;br /&gt;Até o teu corpo doer e te pedir paz.&lt;br /&gt;Eu dar-te-ei 100 anos.&lt;br /&gt;E nunca, mas nunca, poderás voltar.&lt;br /&gt;Mas tens uma ilha... e duas mãos para usar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;" Well I never came from no ghetto&lt;br /&gt;But it wasn't nowhere near here&lt;br /&gt;Well-spoken girls in stalletoes&lt;br /&gt;Aren't something to fear"&lt;br /&gt;Arctic Monkeys, Cigarette Smoker Fiona&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-5267812313248676687?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/5267812313248676687/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=5267812313248676687&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/5267812313248676687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/5267812313248676687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/09/esfinge.html' title='Departure Lounge'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/Rt3qPiciDGI/AAAAAAAAAGs/9ojPIP5syCY/s72-c/a-ilha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-6247144365017352834</id><published>2007-09-01T17:35:00.000+01:00</published><updated>2007-09-01T17:46:59.070+01:00</updated><title type='text'>Indícios.</title><content type='html'>Quando encontro pessoas conhecidas na rua, pessoas que tenho que forçosamente cumprimentar, quando por mais do que uma vez me perguntam indicações, e pior, muito pior do que isso, eu as sei dar detalhadamente e em pormenor, tudo isso me indica que o meu tempo aqui já passou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-6247144365017352834?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/6247144365017352834/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=6247144365017352834&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/6247144365017352834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/6247144365017352834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/09/indcios.html' title='Indícios.'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-499679065937984434</id><published>2007-08-31T10:35:00.000+01:00</published><updated>2007-08-31T10:47:46.132+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Quais são as memórias que tenho de ti?&lt;br /&gt;Antes dos caminhos divergirem como sempre divergem, quando na mesma cidade nunca tivemos mais do que um encontro ocasional, quando escolheste a tua vida formatada, regrada e produtiva e eu escolhi desfazer-me aos bocadinhos lançado para os lados do caminho.&lt;br /&gt;Existirão memórias?&lt;br /&gt;Ou aquele sentimento venenoso de inveja, por seres sempre o preferido das familias, com o teu sorriso branco impecável, a tua moral do trabalho e o teu percurso sem espinhas.&lt;br /&gt;Ou aquele sentimento perverso de submissão, por eu ser o contrário, ou uma cópia falsa de um original.&lt;br /&gt;Eu não tenho sequer uma memória de ti.&lt;br /&gt;Mas tenho-te na minha pele, uma cicatriz, que me vai lembrar sempre de ti até ao fim dos dias.&lt;br /&gt;E agora que parece que queres encurtar os teus...&lt;br /&gt;Faz-me uma outra cicatriz para provar que estás aqui...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque eu sou parvo e nunca te disse... mas quando fiquei sem veneno e cresci para ser criança outra vez... eu tenho tanto orgulho em ti...&lt;br /&gt;Ainda te vou dizer isso outra vez não vou?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-499679065937984434?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/499679065937984434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/499679065937984434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/08/quais-so-as-memrias-que-tenho-de-ti.html' title=''/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-8851780123163891534</id><published>2007-08-31T10:25:00.000+01:00</published><updated>2007-08-31T10:35:21.801+01:00</updated><title type='text'>Subtitles in a never wining situation</title><content type='html'>&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;Look, this is my way,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;Lost in words and years&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;Of decaying,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;Look, this is the prize&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;We’re paying,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;For always wanting to be better&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;No space for humanity,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;Personal vanity thrives&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;Among small people&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;And we are all the same,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;The price is paid before&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;The sells&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;And all we’ve got&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;Is this useless gold,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;In a desert island of ours&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;Lost&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;Is a meaningless word,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;In a sin&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;The only thing that counts&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;Is the price to pay&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);" lang="EN-GB"&gt;Seven years of bad luck&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;is a small price to pay&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;For a broken soul&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st1:place&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;Porto&lt;/span&gt;&lt;/st1:place&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;st1:date year="2006" day="31" month="1"&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;31/01/2006&lt;/span&gt;&lt;/st1:date&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-8851780123163891534?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/8851780123163891534/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=8851780123163891534&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8851780123163891534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8851780123163891534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/08/subtitles-in-never-wining-situation.html' title='Subtitles in a never wining situation'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-1310801660551271931</id><published>2007-08-23T22:10:00.000+01:00</published><updated>2007-08-23T23:06:28.380+01:00</updated><title type='text'>Jesus</title><content type='html'>O pôr-do-sol, em tons rosados, convidava a espraiar a mente pelo beiral de cimento.&lt;br /&gt;Era como se o dia se despedisse de nós assomando-se ao parapeito, brilhando discretamente prometendo voltar amanhã.&lt;br /&gt;Ao lado esquerdo da porta, de cabeça ao lado como sempre, estava J acompanhado pela sua mulher, esperando pacientemente pela sua 7ª hora.&lt;br /&gt;Os seus olhos são azuis, como sempre, azuis como as suas queixas encobertas, azuis como a sua prédica constante por um Jesus que produz a piada fácil e costumeira. E ao seu lado, como se lá estivesse desde sempre, a mulher persiste em limpar um fio de baba que constantemente lhe escorre pelo lado direito da cara.&lt;br /&gt;Sobra o seu comentário estóico, que apenas a mim consegue arrancar um sorriso, e as suas mãos queimadas pelo couro dos sapatos. E aguenta os processos com que lhe arrancam qualquer coisa mais para conforto da consciência do que de seu real valor.&lt;br /&gt;Hoje peguei-lhe nas pernas e levei-o pelo ar até ao limite do seu mundo.&lt;br /&gt;Jesus não apareceu, acho que foi de férias.&lt;br /&gt;Digam-lhe, quando voltar, que o J estava cansado e apenas queria voltar para o conforto daquilo que conhece. Não precisava de escutar as queixas de quem trabalha demais por coisas a menos. Não precisava de escutar argumentos, ele não pediu este sol.&lt;br /&gt;Já lhe bastaram todos aqueles que inclementes lhe queimaram a pele até a deixarem tisnada e a saber a pão com o qual matava a fome aos filhos.&lt;br /&gt;O que me dirias se falasses, se o tempo me sobrasse, se te levasse a tomar café a um local da tua escolha e te ajudasse a pegar nas cartas para uma suecada com os teus melhores amigos.&lt;br /&gt;Por acaso não te saberia melhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me venham portanto dizer que sou bom, mendigar as minhas mãos esperando uma cura, não me elogiem por tão pouco, vocês não fiquem aí...&lt;br /&gt;Acendam o cigarro e consolem-se com os 20% que restam.&lt;br /&gt;Se a vida se esvai no 1% ao dia, não o passem aqui.&lt;br /&gt;Eu faço-vos a todos companhia, enquanto a vontade for maior que o meu corpo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-1310801660551271931?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/1310801660551271931/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=1310801660551271931&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1310801660551271931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1310801660551271931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/08/jesus.html' title='Jesus'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-4663044674920092243</id><published>2007-08-15T13:39:00.000+01:00</published><updated>2007-08-15T14:29:21.319+01:00</updated><title type='text'>A Fuga</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/RsL_jZiRUPI/AAAAAAAAAGk/JcTcYoGrJm0/s1600-h/250+ngurundjeri%27s+wife+jacob+stengle.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/RsL_jZiRUPI/AAAAAAAAAGk/JcTcYoGrJm0/s320/250+ngurundjeri%27s+wife+jacob+stengle.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5098918711751954674" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Deram-me um registo persistente, tudo o que eu quero são os meus momentos de fuga.&lt;br /&gt;Insistente, como a minha ideia de escudo, a minha transformação numa ideia, a minha pele como penúltima fronteira, no fundo tudo o que eu sou empurrado para canto, num espaço indefínido, mas bem longe daqui.&lt;br /&gt;E toda a gente insiste no meu stress, na minha correria diária... Haverá stress na paixão?&lt;br /&gt;É tão só o meu corpo discinético, que se move num espaço conhecido, mesmo assim desconfortável, mesmo assim querendo mais, querendo arriscar um pouco em cada gesto, romper com a rotina uniforme.&lt;br /&gt;Se me importo?&lt;br /&gt;Mas é claro que me importo, não o faria por menos, se em tudo o que faço coloco grande parte de mim.&lt;br /&gt;A discinésia está no espaço que não controlo, entre aquilo que eu quero, e aquilo que as regras (malditas regras) me dizem para fazer.&lt;br /&gt;E elas dizem-me que o meu corpo tem limites definidos, que precisa de um descanso, que se queixa da sua dor, que quer relaxar quando a vontade lhe pede que contraia, que quer uma fuga para não queimar.&lt;br /&gt;E eu ofereço-lhe a espaços um túnel de vento.&lt;br /&gt;Sozinho, como eu gosto de lá estar, quase despido, sentindo o vento em todo o meu corpo, fechando os olhos, traçando um, disfrutando a sombra, querendo calar as vozes que se ouvem no fundo, mergulhar noutro espaço. Eu quero sair. Eu preciso.&lt;br /&gt;Preciso desse instante esquecido, dessa minha suspensão no espaço, eu quero sair.&lt;br /&gt;Quero matar as ideias e a lógica subjacente, não quero ter coragem, não preciso de bravura, não me incomodam os julgamentos, as amizades, os preceitos, as conversas do dia a dia, os relatos, as paixões comezinhas, os almoços, o stress, as praias e o tabaco. Eu só quero sair.&lt;br /&gt;Quero o meu túnel de vento para me conhecer por dentro e por fora.&lt;br /&gt;Quando me dão um registo, em que eu insisto, em que eu persisto, no qual me desgasto, ofereçam-me também um túnel de vento, e uma pausa de 5 minutos para poder respirar.&lt;br /&gt;Em todo o resto do tempo, sou apneico, e o meu coração pára por alí, sou uma ideia que preenche um corpo e empurra o que sou para bem longe dali.&lt;br /&gt;E quando me canso, digo um até já à rotina e transcendo.&lt;br /&gt;Sinto a cabeça a cair.&lt;br /&gt;E dou as boas vindas ao meu mundo, que não estranha a minha ausência, ao meu espaço onde não existem fórmulas porque o tempo parou. E se colho uma flor, ou me deito indolente sobre uma árvore frondosa, sou eu que escolho o momento.&lt;br /&gt;Ultimamente chove muitas vezes, e eu resguardo-me da invernia, no meu jardim de Inverno, sabe-me bem aquele calor húmido da estufa, e o som da chuva a cair no resguardo... tenho uma chaise longue amarela-torrada e um chávena de chá a aquecer, tenho uma manta escocesa, e tabaco de enrolar com 2 mortalhas e um filtro.&lt;br /&gt;À minha frente coloquei uma tela branca e fico a vê-la iluminar-se a espaços com a minha própria imaginação.&lt;br /&gt;Debaixo dos meus pés, como um cão indolente que repousa, fica toda a minha existência.&lt;br /&gt;E quando desconfia, levanta a cabeça e fica atento ao ar que passa, e se ele lhe sabe a derrota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou no limíte das minhas forças e a balança tarda em parar.&lt;br /&gt;Para que lado pende, não se decide, de que lado fica a vontade, já eu decidi à muito.&lt;br /&gt;E ofereço a mim mesmo uma linha de fuga.&lt;br /&gt;No meu meio dia ocupado, no registo enquadrado, todo o espaço fora da caixa é a melhor parte do dia e uma promessa de redenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje descanso as mãos sobre um livro e fico a ouvir os acordes a embalar a minha própria preguiça, está a chover lá fora e eu não quero pensar...&lt;br /&gt;Pensar é uma doença da alma, sendo a cura sonhar...&lt;br /&gt;Tremo, e escondo a cara entre os braços, e fico sentado no parapeito sem saber se o que existe lá fora é real ou não...&lt;br /&gt;É a fuga...&lt;br /&gt;Exactamente como estou a precisar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-4663044674920092243?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/4663044674920092243/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=4663044674920092243&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/4663044674920092243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/4663044674920092243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/08/fuga.html' title='A Fuga'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/RsL_jZiRUPI/AAAAAAAAAGk/JcTcYoGrJm0/s72-c/250+ngurundjeri%27s+wife+jacob+stengle.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-3132577196572414160</id><published>2007-08-09T23:37:00.000+01:00</published><updated>2007-08-10T00:01:15.137+01:00</updated><title type='text'>Expansível</title><content type='html'>Saio à rua à noitinha, hoje tenho o céu por minha conta.&lt;br /&gt;De repente a minha alma cresce para fora de mim, tanto que estas quatro paredes não bastam, tanto que a sinto escapar por uma janela aberta perante a tranquilidade da noite...&lt;br /&gt;Hoje uma parede em branco não é suficiente, hoje escolho uma tela em negro ponteada de luz.&lt;br /&gt;Parece tão alta, tão longe daqui, tão ofuscada pela luz amarelada da grande cidade, e no entanto, parece que lhe posso tocar se me der ao trabalho de levantar um dedo.&lt;br /&gt;Não o faço, hoje não quero tocar no céu, quero vivê-lo.&lt;br /&gt;Quero que todo este manto negro seja iluminado por mim, quero ser o director dos meus sonhos.&lt;br /&gt;Já não me chega uma parede em branco, not anymore.&lt;br /&gt;Hoje o corpo pede-me descanso, e insiste em dormir. O corpo queixa-se do esforço dispendido e ameaça doer.&lt;br /&gt;- Tem paciência, diz ele, só tens este barco que te vai levar a lugar algum, quando embarcaste foste dos poucos que comprou bilhete inteiro e pagaste o extra para viajares na coberta. Querias ver o mar, o céu e o horizonte, não te chegava o beliche apertado contra a parede do porão, tu querias mais, querias o sal a bater-te na cara quando as pernas se queixam de estares demasiado tempo em cima delas.&lt;br /&gt;Tenho paciência, mas não obedeço, contrario as minhas pálpebras que se querem fechar e abro bem os olhos, os sentidos, hoje eu quero viver.&lt;br /&gt;Hoje custa-me a adormecer os sentidos, para acordar algum tempo depois e pensar que já se foram 6 horas de vida.&lt;br /&gt;-Tens os sonhos.-Insiste.&lt;br /&gt;Pois sim, tenho os meus sonhos nocturnos que se vão esbatendo com os primeiros raios de sol.&lt;br /&gt;E tenho os meus sonhos diurnos, que vou pintando devagarinho a pincel, com uma tinta mágica que não imprime nada mas que desenha os contornos de um mundo que abarca grande parte de mim.&lt;br /&gt;Hoje saí à rua, e era de noite.&lt;br /&gt;E está calor lá fora e eu não o sinto.&lt;br /&gt;Há quem olhe ostensivamente para o meu sorriso e se pergunte, será este homem normal?&lt;br /&gt;Não, não o sou. Eu sou doente. Padeço de vários males e todos eles são complexos.&lt;br /&gt;Como uma ligação directa entre mundos.&lt;br /&gt;Tanto que o medo vem e vai, como ondas que se desfazem na praia e nunca ficam.&lt;br /&gt;Tanto que me pergunto se o que existe cá dentro, e que continuamente tenta rasgar caminho até cá fora, encontra por certo um mundo onde possa existir.&lt;br /&gt;E não se pergunta se a atmosfera é correcta, ou se o solo é estável ou lhe permite voar, não o assusta a gravidade, muito menos a resistência do ar.&lt;br /&gt;Ele não se pergunta.&lt;br /&gt;E o instinto prevalece de mão dada com os sentidos.&lt;br /&gt;Tem todas as ferramentas que precisa para entender.&lt;br /&gt;E não o faz.&lt;br /&gt;Inclina-se para a frente e rasga caminho.&lt;br /&gt;E eu ofereci-lhe um céu para voar, e uma tela negra para imaginar.&lt;br /&gt;Esta noite.&lt;br /&gt;Não dorme.&lt;br /&gt;É livre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-3132577196572414160?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/3132577196572414160/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=3132577196572414160&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/3132577196572414160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/3132577196572414160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/08/expansvel.html' title='Expansível'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-8622667124275522305</id><published>2007-08-06T22:32:00.000+01:00</published><updated>2007-08-06T23:13:00.510+01:00</updated><title type='text'>7AM-12PM</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/Rrecx5iRUOI/AAAAAAAAAGc/BHZ7R9ASmQk/s1600-h/ponto.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/Rrecx5iRUOI/AAAAAAAAAGc/BHZ7R9ASmQk/s320/ponto.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5095713884465090786" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O dia era, já de si, perturbador.&lt;br /&gt;Ideias ou sonhos infiltrados no meu caminho pela manhã, como fotografias afixadas aos postes, prontas a lembrar-me de um espectáculo ao qual seguramente faltaria.&lt;br /&gt;Não era fácil arrancar-me ao meu sono, muito menos quando o meu Kicker tardava em aparecer para abrir as hostilidades.&lt;br /&gt;Hoje nem com um café lá íria.&lt;br /&gt;Para ajudar, os esquemas confusos de sempre, uma coisa que não se espera, ou uma novidade indigesta servida como sobremesa.&lt;br /&gt;Podiam ter-me poupado a isso.&lt;br /&gt;Mas não.&lt;br /&gt;Começo contrariado, e mais umas vez as imagens, infiltradas em mim. Não estava puro, não tinha deixado de fora todas as ideias e sentimentos, por uma vez ao tirar a roupa não me despi de mim mesmo para abraçar uma ideia, talvez por pensar que o que guardava no cacifo era importante demais para me contentar em espreitar a espaços.&lt;br /&gt;Não aquela ideia, não aquela imagem.&lt;br /&gt;Arranco a espaços, sem nunca apanhar o ritmo. Como sempre agitam-se ao meu redor e eu tomo o meu tempo, processo devagar como que a dar à minha pele uma consistência que não sinto cá dentro. A todo o momento penso que irá ceder sob qualquer peso.&lt;br /&gt;Subo lentamente, carregando um peso. Como um lastro que venço em guinadas heróicas de consciência.&lt;br /&gt;Entro num quarto. Estava destinada para mim mas é como se a visse pela primeira vez. Estava a chorar, segurou a minha mão com a mão que lhe restava e na impossíbilidade da palavra verbal contou-me uma história bonita enquanto afagava insistentemente o látex sobre a minha mão. Tirei a luva porque não saberia fazer outra coisa.&lt;br /&gt;Por um momento, como de manhã, esqueci tudo o que sabia de monitores, de regras e condutas, para me concentrar numa imagem colada a um poste de iluminação.&lt;br /&gt;E no meio de tantas impossibilidades castradas pelas certezas, restam-me os limites da minha imaginação.&lt;br /&gt;Como um puto pobre sonha com doces numa noite de natal quando nem sequer sabe se terá pão para a próxima refeição, eu sonhei com a história que ela me contava, como antes sonhava com uma imagem colada a um poste.&lt;br /&gt;E o meu maior palco ainda consegue ser uma simples parede em branco, onde projecto os meus sonhos.&lt;br /&gt;Não entrarei naquele teatro pela noitinha, embalado pelos meus cinco sentidos despertos sobre um lago feito do meu próprio gelo. A ela faltaram-lhe as palavras para me contar a sua história.&lt;br /&gt;E no meio disto tudo, restou-nos a cada um de nós, uma imaginação muito própria expandida pela nossa própria experiência. Várias histórias no fundo.&lt;br /&gt;Nunca competirão, nunca se saberão, nunca serão reais.&lt;br /&gt;Mas debaixo de uma luva, ou como uma imagem colada num poste que ninguém vê excepto eu, não duvido que existiram, pelo menos aqui, dentro de mim.&lt;br /&gt;E foram a melhor parte do dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-8622667124275522305?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/8622667124275522305/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=8622667124275522305&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8622667124275522305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8622667124275522305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/08/7am-12pm.html' title='7AM-12PM'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/Rrecx5iRUOI/AAAAAAAAAGc/BHZ7R9ASmQk/s72-c/ponto.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-8453823661493734262</id><published>2007-07-30T23:10:00.000+01:00</published><updated>2007-07-31T00:08:39.357+01:00</updated><title type='text'>As Segundas Feiras</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/Rq5uSJiRUNI/AAAAAAAAAGU/UvRP3KvhsGI/s1600-h/glen_quagmire.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/Rq5uSJiRUNI/AAAAAAAAAGU/UvRP3KvhsGI/s320/glen_quagmire.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5093129486678970578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Já pouca coisa me espanta, ou deveria espantar, cada vez mais concordo com a visão de Kusturica acerca do mundo, sobretudo quando em episódios do meu dia parece que a única coisa que falta é mesmo uma banda no fundo da sala a tocar excelentes acordes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo o meu dia de manhã bem cedo, acordo como sempre, um banho em água fria para retemperar forças, e aí vou eu para um dia de trabalho.&lt;br /&gt;Como é habitual chego sempre cedo demais. Por defeito de fabrico penso sempre que demoro imenso tempo a fazer as coisas, dando uma margem de segurança que chega a ser rídicula.&lt;br /&gt;Uma das minhas primeiras pacientes da manhã está numa box indívidual a acabar um tratamento. Ao seu lado está uma senhora com os seus 30 anos a ser tratada à anca. Alguém me explique como se eu fosse muito burro ou demasiado puritano, quem é que vai fazer tratamentos a um anca usando uma peça de roupa interior mínima, vermelha e transparente???&lt;br /&gt;Como não é minha paciente, para além do cumprimento da praxe, não lhe disse mais nada. Pelos vistos a senhora parece que estava a minha espera para se queixar dos choques eléctricos que estava a receber... quer dizer queixar não é bem o termo pois segundo palavras da própria "levar assim uns esticões de vez em quando até que sabe bem"... o alarido e as queixas só terminaram enquanto eu lhe tirava aquilo enquanto ela se inclinava excessivamente sobre mim.&lt;br /&gt;Compreendi desde logo que a intensidade era demais e que a corrente, seguramente, lhe tinha queimado uns quantos milhares de neurónios.&lt;br /&gt;Adiante.&lt;br /&gt;A minha hora zen com os meus miúdos lindos da neonatologia tinha de ser estragada por uma conversa metafísica sobre fé e religião.&lt;br /&gt;Certo indivíduo cruzou Herman Hess com Jesus Cristo e inventou a roda. O problema não está aí, o problema está em tentar-me convencer de teorias New Age recicladas, e fazer disso uma bioética estranha e desviada. Por mim tudo bem, mas escusava de me estragar o melhor momento do dia com divagações.&lt;br /&gt;É que não há nada mais chato do que escutar monólogos assertivos de pessoas repletas de certezas.&lt;br /&gt;E hoje como o dia foi mais comprido, fui fazer a boa acção do dia tratando um amigo do meu pai, com os seus 53 anitos que se queixava de uma lombalgia persistente.&lt;br /&gt;A história que ele me contou perante o olhar atento da sua esposa e filho não batia muito bem com os sintomas, mas nada de extraordinário, avaliei, tratei, receitei alguns exercícios e saí dali com a consciência tranquila por ter feito um bom trabalho.&lt;br /&gt;De facto o senhor estava melhor.&lt;br /&gt;Tanto que se ofereceu para me acompanhar ao carro.&lt;br /&gt;Aproveitando aquele momento a sós confessa que tem algo para me contar.&lt;br /&gt;Afinal uma lesão ao sair do carro, transformou-se na versão mais genuína de uma lesão traumática por sexo extraconjugal praticado no chão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"ela lá se desviou, ou eu apoiei mal o braço, o certo é que depois estava eu a tomar o meu banhinho e senti uma pontada aqui de lado, que me descia até à perna"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pronto, pensei eu, isto faz muito mais sentido, enquadra-se, é um caso clássico de lesão traumática, mas porquê os pormenores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"é que pronto, eu estou a contar isso ao Daniel porque sei que isto é a mesma coisa que falar com o médico, sabe como é, uma pessoa casada à tanto tempo tem vontade de experimentar coisas novas, dar assim umas facadinhas, ainda para mais ela é mais nova e tal, puxa mais por mim"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MAS PORQUÊ OS PORMENORES???&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"olhe... (pausa comprometedora, enquanto a esposa acenava do 8º piso para me deixar ir embora que eu tinha alguma pressa)... é que estou aqui a pensar, eu não quero ficar pior, mas  não queria ficar tanto tempo sem dar uma queca, acha que para a semana já posso ir ter com a minha amiga?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ahhh, já te estou a perceber) "em princípio sim, veja como se encontra amanhã e se estiver sem grandes dores no fim de semana já pode recomeçar com calma, mas nada de exagerar, tente fazer uma coisa mais calminha" (tipo, experimente com a sua mulher antes, não é a mesma coisa, mas sempre dá para fazer o test drive)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"claro, claro, daquela vez é que a gente se entusiasmou e tal, da próxima vez é na caminha, que eu tenho que me poupar"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realidade consegue ser mesmo melhor que qualquer ficção.&lt;br /&gt;E hoje é só segunda feira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-8453823661493734262?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/8453823661493734262/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=8453823661493734262&amp;isPopup=true' title='11 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8453823661493734262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8453823661493734262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/07/as-segundas-feiras.html' title='As Segundas Feiras'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/Rq5uSJiRUNI/AAAAAAAAAGU/UvRP3KvhsGI/s72-c/glen_quagmire.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-5539036543427578343</id><published>2007-07-29T19:13:00.000+01:00</published><updated>2007-07-29T19:43:55.904+01:00</updated><title type='text'>Inércia</title><content type='html'>Devolveu-me a chave partida pela manhã.&lt;br /&gt;A culpa não foi minha, disse-me ela, a chave encravou enquanto rodava, quando a tirei, já metade tinha ficado lá dentro, presa no seu interior.&lt;br /&gt;Fitava-a enquanto segurava na mão um canhão novo, pensando insistentemente se em casa teria todas as ferramentas necessárias à substituição. Respirei fundo, aspirando o seu perfume e o aroma do tabaco, porventura alguma feromona encontrava-se misturada naquele bouquet, o certo é que não me conseguia incomodar por tão pouco.&lt;br /&gt;Voltei para casa, com o embrulho, mas insistentemente sozinho. Nem a culpa que ela me queria passar caminhava comigo. Entrei em casa pela porta que tinha deixado aberta, e resolvi entreter-me com um martini antes que a vontade chegasse para me pôr ao trabalho.&lt;br /&gt;Segurava numa das mãos aquele pedaço de metal retorcido ao qual faltava a ponta, pensando como aquela poderia ser uma excelente metáfora se me desse ao trabalho de pensar no seu significado.&lt;br /&gt;O certo é que estava por minutos a substituição, e as poucas cópias das chaves daquele canhão, permaneceriam todas comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordas-te quando me ofereceste a chave?- perguntava ela num entardecer junto à janela.&lt;br /&gt;Disse-lhe que sim, que me recordava.&lt;br /&gt;Não sou homem para me emocionar muito com grandes gestos, apesar de deixar fluir o que eu sinto em gestos naturais de continuidade. A chave não caíu de nenhum avião, não apareceu no meio de rosas, nem sequer me dei ao trabalho de lhe preparar um embrulho condizente com tão solene momento. Apareceu naquele momento, porque era preciso que aparecesse.&lt;br /&gt;Como a chave de uma saída de emergência trancada numa discoteca em chamas.&lt;br /&gt;A música pode continuar a ser boa, mas toda a gente parou de dançar, de beber e de engatar para se acotovelar junto à saída... e eu sou apenas o tipo que apareceu com a chave.&lt;br /&gt;Disse-lhe isso, mas seguramente, não era essa a resposta que estava à espera.&lt;br /&gt;Não me surpreendeu, desde o primeiro encontro, em que falávamos de trivialidades numa esplanada em frente a duas bebidas de sabor exótico, tirei logo as medidas ao alcance das tuas palavras.&lt;br /&gt;Naquele diálogo de surdos disse-te o que querias ouvir e não tive remorsos. Afinal tu ditaste as regras e eu aceitei segui-las, para quê fazer grande alarido acerca disso?&lt;br /&gt;Aquela não era a resposta que querias, mas confesso que me cansa o nosso diálogo de surdos em que a única saída possível sería um monólogo infínito com breves apontamentos meus para quebrar a rotina.&lt;br /&gt;Não tenho paciência para ser uma parede no teu jogo de ténis.&lt;br /&gt;Por muito bem que fiques de saia, do alto desse par de pernas fantásticas.&lt;br /&gt;E como não sou homem a espaços, não gosto de me esconder enquanto falas.&lt;br /&gt;Acendo o cigarro que te cravei e fico a ver o néon a acender e a apagar naquela espelunca que fica em frente a minha casa. Atiro a chave para um canto e equaciono se uma noite dormida com a porta aberta será tão má assim.&lt;br /&gt;O sono não me tira de certeza, não sou fã da segurança, com sorte o ladrão que aqui entrar vende-me meio conto de ganza para embalar esta inércia.&lt;br /&gt;Que se foda.&lt;br /&gt;Dou uma última olhada no telemovel, sabendo desde já que se encontra vazio.&lt;br /&gt;Eu sei que não me ligas, não depois do que fizeste.&lt;br /&gt;Acabo o martini e apago o cigarro num cinzeiro improvisado que arrumo na cozinha.&lt;br /&gt;A porta ficou aberta.&lt;br /&gt;Mas nada entrará por lá, excepto os pesadelos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-5539036543427578343?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/5539036543427578343/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=5539036543427578343&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/5539036543427578343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/5539036543427578343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/07/inrcia.html' title='Inércia'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-8000541611183439993</id><published>2007-07-29T12:08:00.000+01:00</published><updated>2007-07-29T12:19:05.229+01:00</updated><title type='text'>Preso por Fios</title><content type='html'>Quero agradecer a todos os trabalhadores conscienciosos que trocam um salário modesto e 8h de jorna por transformarem a minha identidade num número.&lt;br /&gt;Fico-lhes grato enquanto preenchem formulários formatados, enquanto diligentemente vão fazendo cruzinhas na identidade de género, enquanto arquivam uma folhinha num arquivador gigantesco.&lt;br /&gt;Não lhes posso agradecer o suficiente por gerarem os meus impostos, ditarem as minhas rotinas, subjugarem-me a um número mecanográfico.&lt;br /&gt;E como lhes poderei agradecer as estatísticas, os desvios padrão, o trespasse de infomação?&lt;br /&gt;E continuo a agradecer a toda a indústria do marketing por definirem o meu gosto, por me indicarem o meu perfil, por me hierarquizarem segundo o meu rendimento, estrato social, idade e sexo, por me encherem a caixa de correio de publicidade endereçada ou não.&lt;br /&gt;E aos senhores das alfândegas o meu muito obrigado por desenharem uma linha no chão e decidirem que para aqui fica Portugal, e do outro lado a anarquia. Não lhes reconheço o suficiente por me protegerem desses ilegais indocumentados que por aqui aparecem, por decidirem que uma folha carimbada é igual a dignidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por todos os cartões que tenho, acendo uma velinha.&lt;br /&gt;E agradeço por haver tanta luz a iluminar a minha vida (conformada em direcção à cova).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-8000541611183439993?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/8000541611183439993/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=8000541611183439993&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8000541611183439993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/8000541611183439993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/07/preso-por-fios.html' title='Preso por Fios'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-1113096538297007875</id><published>2007-07-21T15:58:00.000+01:00</published><updated>2007-07-21T16:39:50.263+01:00</updated><title type='text'>Karma</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/RqIospiRUMI/AAAAAAAAAGM/RPURcGk1pm8/s1600-h/Guardian-Angel.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/RqIospiRUMI/AAAAAAAAAGM/RPURcGk1pm8/s320/Guardian-Angel.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5089675276411031746" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Nem sempre temos aquilo que queremos, mas por vezes conseguimos ter aquilo que precisamos"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não esperaria, não esperaria que me atraísse a calma pela manhã embalada pelo sol.&lt;br /&gt;Não esperaria que encontrasse paz num caminho ladeado de árvores e com as minhas mãos fazendo as margens de um rio.&lt;br /&gt;Não esperaria que a minha voz fosse mais doce num sussurro, nunca esperei comover-me.&lt;br /&gt;Não, nunca eu. Do alto do meu reino gelado, do alto do meu trono de indiferença, na minha metafísica, na minha bipolaridade, na minha separação entre mundos.&lt;br /&gt;Não nunca eu, não a pessoa que aqui está, não me conheço.&lt;br /&gt;Nunca esperei ter de ser lento, envolvente, delicado, mas como sempre, por um sorriso consigo sê-lo.&lt;br /&gt;E pensaria um dia em mim contrariado, assustado, encurralado a um canto, desperto para uma agressividade latente, como um bicho selvagem encurralado numa armadilha profunda.&lt;br /&gt;Não esperaria que do outro lado do ódio existisse um amor.&lt;br /&gt;A minha mão não tremeu quando avançava, é estranho, sempre pensei que tremeria.&lt;br /&gt;A minha alma não duvidou quando tocou na tua, o que é estranho, sempre pensei que duvidasse.&lt;br /&gt;E enquanto sorrias, ainda de olhos fechados (era tão de manhã...) não conseguias ver como eu estava sozinho ali naquela divisão a rir também, para ti.&lt;br /&gt;E eu não te soube dar o melhor de mim, eu dei-te o que não tinha, o que não existia em mim.&lt;br /&gt;Eu não te podia dar o que não tenho, mas por um sorriso teu, eu soube ir lá buscá-lo, a partes de mim que não existem.&lt;br /&gt;E tu não sabias (como poderias?) mas voltei a olhar para uma parede em branco e ver lá o teu sorriso (como saberias?) e lá estavas tu, a sorrir para mim... e eu de novo a descobrir que aquilo que não tenho ainda é a melhor parte de mim.&lt;br /&gt;Como a chama onde ainda arde a minha culpa, essa eterna chama que apenas existe para produzir sombra, não me desarmas, não me tiras as sombras, não apagas essa linha indelével com que se fazem os meus fantasmas, mas por aqueles instantes, mesmo rodeados por gente, nunca estive tão sozinho... e desconfio que o teu mundo terminava onde as minhas mãos começavam, e que, mesmo frias, geladas pelos anos de indiferença, aquilo que as aquecia era muito maior do que eu.&lt;br /&gt;E não me recordas de ninguém, o nosso maior segredo é que eu já consigo ver o que um dia serás, ler-te como um livro aberto o qual nunca ninguém ousou ler é a minha capacidade escondida que resistiu, sabe-se lá como, aos tempos em que me afundava lentamente nesse líquido espesso de mentira.&lt;br /&gt;Mas não te falo disso porque o nosso diálogo jamais se fará de palavras, porque na forma como comunicamos se desconhecem os recipientes para transportar tão maus presságios.&lt;br /&gt;E podemos sorrir no silêncio, ou ouvir sussurrar-te ao ouvido uma canção de embalar, escutarás talvez um dia, porque eu sei que o fazes, através das paredes, dos pisos e dos kilómetros o único som das minhas lágrimas a baterem no solo, e não são por ti, são por todas as coisas que não tenho, nem nunca poderei ter, são por todas as coisas que existem ali muito, mas mesmo muito longe de mim, e que eu, não sabendo como, as soube ir lá buscar, por um único sorriso teu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-1113096538297007875?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/1113096538297007875/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=1113096538297007875&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1113096538297007875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1113096538297007875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/07/karma.html' title='Karma'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/RqIospiRUMI/AAAAAAAAAGM/RPURcGk1pm8/s72-c/Guardian-Angel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-2639214467927872251</id><published>2007-07-11T23:39:00.000+01:00</published><updated>2007-07-12T00:13:15.070+01:00</updated><title type='text'>Efemeridades.</title><content type='html'>É fodido mudar o curso das coisas.&lt;br /&gt;Que me desculpem os intervenientes, mas é fodido.&lt;br /&gt;Que se mude a orientação do sol, o tempo das coisas, ou que se descubra uma razão para o inexplicável ainda vá que não vá, é coisa de milagreiro, agora mudar a ordem das coisas é completamente fodido.&lt;br /&gt;Sobretudo quando me dizem para esperar para cumprir qualquer coisa.&lt;br /&gt;Eu só respondo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amanhã a UCI vai continuar cheia, e eu com muito para fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedem-me para ter paciência, ou alcançar coisas em tempos razoáveis, ou protelar as decisões que eu acho inoportunas para tempos mais favoráveis. Lixam-me com as conveniências é o que é.&lt;br /&gt;Como os meus colegas que discutem as taxas de juro por uma casita que vão pagar em 30 anos, ou o melhor sítio para comprar a marca X pelo melhor preço.&lt;br /&gt;Que me desculpem a antipatia mas não sei fazer assunto de trivialidades.&lt;br /&gt;É que me atrai mais o Sr. M. quando me conta a melhor maneira de fazer uma canja com uma galinha caseira, ou o saliva que produz quando aguça o apetite para um bacalhau cozido com bróculos que já encomendou pelo seu regresso ao fim de 3 meses.&lt;br /&gt;Não sei falar do sudoeste quando eu estive há bem pouco tempo em Paredes de Coura, mas consigo ter grandes conversas com o Sr. J que para além de me odiar e de não dizer uma palavra, tem as 2 horas mais animadas do dia quando está comigo.&lt;br /&gt;Não percebo quem se preocupa mais com aquilo que aparece no meu crachá ou com as designações mesquinhas e progressões de carreira, do que em perceber que a ao seu lado está uma pessoa de carne e osso.&lt;br /&gt;Chamam-lhe a leveza do ser.&lt;br /&gt;Sou o tipo mais pesado do serviço, porque não sei viver entre horários e entre vidas, não sei funcionar com esquemas e dinâmicas, com casas e contas para pagar, com roupa, fodas e noitadas. Mas não espero pelo elevador para subir ao 8º piso nem regateio minutos entre pacientes para sair 20 minutos mais cedo.&lt;br /&gt;De resto tenho fracas mãos, sei pouco e sou homem de poucos sorrisos, não trabalho para ter amigos e não paro para uma conversa de circunstância com a médica do serviço.&lt;br /&gt;Ah e já agora, que compreendam todos que para mim tanto vale um doutor como um senhor aplicado no momento certo, não tenho pretensão de ser um vibrador para masturbar mentalmente aqueles que andam por aí a montar circos de vaidade.&lt;br /&gt;E detesto estagiários assertivos que vomitam sebentas e são os melhores amigos dos pacientes desde o momento que eles entram pelo serviço dentro.&lt;br /&gt;Mas eu sou pesado e não sei viver nos intervalos.&lt;br /&gt;E tenho tanto de pesado como de inconformado.&lt;br /&gt;Quando me sentir leve e realizado, desconfio que a minha morte está próxima.&lt;br /&gt;O mesmo quando pensar que vou comprar qualidade de vida com o salário que recebo ao fim do mês.&lt;br /&gt;Porque de hoje para amanhã a UCI não vai esvaziar e nunca vi lá ninguém que não suasse e tremesse para ficar melhor pelas coisas que esperam por ele lá fora.&lt;br /&gt;Dizem que faz bem.&lt;br /&gt;Mas pelo que vi... a ansiedade ainda mata.&lt;br /&gt;Seja lá, ou no metro às 6h da manhã, onde as pessoas leves se ensardinham para chegar ao trabalho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-2639214467927872251?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/2639214467927872251/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=2639214467927872251&amp;isPopup=true' title='15 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2639214467927872251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2639214467927872251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/07/efemeridades.html' title='Efemeridades.'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-5797863232613357306</id><published>2007-07-11T23:36:00.000+01:00</published><updated>2007-07-11T23:38:19.709+01:00</updated><title type='text'>Razão para ser Heterosexual.</title><content type='html'>Impressiona-me a quantidade de coisas que uma mulher é capaz de fazer ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só consigo fazer uma de cada vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos bem feita...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-5797863232613357306?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/5797863232613357306/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=5797863232613357306&amp;isPopup=true' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/5797863232613357306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/5797863232613357306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/07/razo-para-ser-heterosexual.html' title='Razão para ser Heterosexual.'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-5168158656194241860</id><published>2007-07-03T23:35:00.000+01:00</published><updated>2007-07-03T23:49:58.889+01:00</updated><title type='text'>UCI</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/RorSNkCRC-I/AAAAAAAAAGE/M9R76ATG6Uc/s1600-h/icu4.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/RorSNkCRC-I/AAAAAAAAAGE/M9R76ATG6Uc/s320/icu4.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5083106259894340578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Hoje revisitei um dos meus paraísos.&lt;br /&gt;É feito por pessoas, tubos, máquinas complexas e um fio muito estreito onde oscila uma vida, e eu posso fazer qualquer coisa para inclinar a balança num sentido ou no outro.&lt;br /&gt;A maior parte das pessoas diria que se trata do mais básico instinto do poder, mas o que eu sinto é mesmo uma tremenda sensação de responsabilidade.&lt;br /&gt;É um risco constante, uma pressão enorme e um stress mental e físico que muito poucos toleram,  eu não só tolero como lhe chamo um pequeno paraíso.&lt;br /&gt;Sabe-me bem.&lt;br /&gt;Hoje consegui aumentar em 200 ml o volume basal de uma paciente com uma pneumonia e senti-me a entrar de novo num paraíso perdido.&lt;br /&gt;Estava com saudades! :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagem indecentemente roubada &lt;a href="http://www.sgrh.com/"&gt;daqui&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-5168158656194241860?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/5168158656194241860/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=5168158656194241860&amp;isPopup=true' title='15 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/5168158656194241860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/5168158656194241860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/07/uci.html' title='UCI'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/RorSNkCRC-I/AAAAAAAAAGE/M9R76ATG6Uc/s72-c/icu4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-1019410527475173024</id><published>2007-07-02T16:55:00.000+01:00</published><updated>2007-07-02T17:10:00.104+01:00</updated><title type='text'>Ritmos Urbanos</title><content type='html'>A cidade respira com um só pulmão, mas fala com muitas vozes.&lt;br /&gt;Num dos seus extremos encontramos a solidariedade e uma porta aberta ao bem.&lt;br /&gt;Do outro, marginais revoltados que fazem do medo um modo de vida.&lt;br /&gt;Em comum estes dois extremos têm os bolsos vazios e a esperança vazada.&lt;br /&gt;A maioria fica no centro.&lt;br /&gt;Num centro feito de comodismo, repleto de horas passadas, de vidas que se gastam no meio do trânsito. Abundam as contas para pagar ao fim do mês, e os pequenos prazeres da vida não passam de um docinho no final do café ou uma ida a um restaurante ao domingo.&lt;br /&gt;Com sorte vai-se de férias 15 dias em Agosto, reclamando do tempo ou dos preços feitos para turistas. Paga-se uma casa em 30 anos e um carro em 10, para se ser um desconhecido na primeira e um residente na segunda.&lt;br /&gt;Os outros, estão só de visita, nunca demoram.&lt;br /&gt;Outros ainda compram, explorando o centro, algo bem longe de aqui.&lt;br /&gt;A identidade tem uma só forma, o estatuto.&lt;br /&gt;Por aquilo que se tem, ou por aquilo que se consegue, cumpre-se uma vida e toleram-se afrontas.&lt;br /&gt;A dignidade guarda-se num baú e não lembra à república.&lt;br /&gt;O respeito convém ser ignorado no escadote social.&lt;br /&gt;Somos reféns do medo, quando não saímos à rua. Somos os seus reféns quando odiamos e sonhamos com uma retribuição proporcional do mal que nos é feito.&lt;br /&gt;O espelho médio é uma televisão sempre ligada com o volume baixinho, censurada numa estação num lado do mundo onde nunca iremos parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Queriam-me casado, cotidiano,              fútil e tributável?&lt;br /&gt;            Queriam-me o contrário disso, o contrário de qualquer coisa?&lt;br /&gt;            Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.&lt;br /&gt;            Assim, como sou, tenham paciência!"&lt;br /&gt;            Álvaro de Campos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-1019410527475173024?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/1019410527475173024/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=1019410527475173024&amp;isPopup=true' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1019410527475173024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/1019410527475173024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/07/ritmos-urbanos.html' title='Ritmos Urbanos'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-4442993615764886308</id><published>2007-06-29T14:22:00.000+01:00</published><updated>2007-06-29T14:27:01.941+01:00</updated><title type='text'>Será?</title><content type='html'>Desconfio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardam-se novidades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-4442993615764886308?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/4442993615764886308/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=4442993615764886308&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/4442993615764886308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/4442993615764886308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/06/ser.html' title='Será?'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-2147504019603497996</id><published>2007-06-28T00:42:00.000+01:00</published><updated>2007-06-28T00:43:13.542+01:00</updated><title type='text'>Fuente Esperanza</title><content type='html'>&lt;span class="main-text"&gt;"Ocultarme como un río subterráneo&lt;br /&gt;gritaba como un niño, inevitable temor&lt;br /&gt;una mala borrasca me hizo buscar&lt;br /&gt;un poco de calma&lt;br /&gt;en un sueño a escondidas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Siempre buscando una fuente&lt;br /&gt;para poder respirar&lt;br /&gt;cuando diviso un pasadizo a lo lejos&lt;br /&gt;creo enloquecer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apartarme de los ruidos que escuchábamos ayer&lt;br /&gt;perderme en el olvido, solitario&lt;br /&gt;y echaré por tierra todo un mundo creado&lt;br /&gt;desde tiempos de Eva&lt;br /&gt;en un pozo sin fondo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Siempre buscando una fuente&lt;br /&gt;para poder respirar&lt;br /&gt;cuando diviso un pasadizo a lo lejos&lt;br /&gt;creo enloquecer&lt;br /&gt;enloquecer&lt;br /&gt;enloquecer&lt;br /&gt;enloquecer"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HS&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-2147504019603497996?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/2147504019603497996/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=2147504019603497996&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2147504019603497996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2147504019603497996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/06/fuente-esperanza.html' title='Fuente Esperanza'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-9222911829513060099</id><published>2007-06-03T02:41:00.000+01:00</published><updated>2007-06-03T03:44:01.661+01:00</updated><title type='text'>Síndrome de Alice</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/RmIpVKWod6I/AAAAAAAAAF8/99y1GkOKiCE/s1600-h/Cheshire+Cat.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/RmIpVKWod6I/AAAAAAAAAF8/99y1GkOKiCE/s320/Cheshire+Cat.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5071661573905872802" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;"mas és demasiado inteligente e reduzes as coisas aos seus componentes mais mínimos..."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;"... para depois ires buscar o que te interessa, esse lado obscuro das coisas..."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;hereisnohope&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Soa-me a truque ou à magia da ficção publicitária esta consciência colectiva da meritocracia.&lt;br /&gt;Como um espectro visível de comportamentos, que decompostos originarão apenas 3 cores fundamentais.&lt;br /&gt;Soam-me a ideias fúteis e pueris todas as fórmulas mágicas e os créditos redentores, faz-me confusão o estereotipo.&lt;br /&gt;Como o travo que me fica na boca entranhado depois de um cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras que me interessam, deverão ser, no máximo, um punhado delas.&lt;br /&gt;Começando pela palavra crescer. Dizem que se cresce quando se reveste o coração de uma placa impenetrável de dureza, algo que nos ensine a sorrir quando tudo à nossa volta desaba. Dizem que se cresce por dor, como a redenção da dor do parto que irá originar algo de puro e inocente. Dizem que se cresce não pelo tempo que passa, mas sobretudo por aquilo que de nós entregamos no seu passar.  Dizem que eu cresci para me desiludir.&lt;br /&gt;Passando à palavra parede. Porque um dos meus vícios constante era repetir que à lições que só se aprendem assim a bater de frente nela. Porque há lições que não podem ser traduzidas ou explicadas em palavras, há caminhos percebidos de fora que conduzem a uma parede de tijolos redundante para a qual nos dirigimos a toda a velocidade, sem haver nada neste mundo que altere a nossa trajectória, excepto, a já mencionada parede de tijolos à nossa frente. Dizem que há lições que só se aprendem assim.&lt;br /&gt;E não há mais palavras.&lt;br /&gt;Nem sequer para fazer uma mão cheia delas, mas apenas um par.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve várias colecções que principiei. Por falha de carácter ou de tempo que o valha, não se pode dizer que tenha completado nenhuma, a começar pelas cadernetas incompletas de jogadores que agora parecem ridículos com os seus bigodes farfalhudos, e a terminar em jardins de beatas em cinzeiros antigos.&lt;br /&gt;Tenho numa caixa comprada em Amesterdão, certa colecção de caricas por cada marca de cerveja que provei em Bruxelas. Algures ao lado dela, há um estranho baralho onde a única figura presente é o sempre incompreendido Joker.&lt;br /&gt;Aliviei muitos baralhos por este mundo coleccionando aquelas cartas que ninguém queria, é esse o meu baralho agora. Não haverá seguramente hipótese de vitória nele, nem para uma dessas míseras paciências, mas ninguém me tira da cabeça, que ao contrário da monarquia, ou dos peões que os acompanham, vão falar entre si e contar a história dos baralhos de onde vieram.&lt;br /&gt;E muito têm para contar, diria eu, se os ouvisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soube que era diferente quando em criança torcia sempre pelo vilão do filme.&lt;br /&gt;Agora que cresci, e vejo que o gato nunca comeu o rato, que o lobo nunca apanhou o bip-bip e que sobretudo o caçador nunca deu um tiro no coelho e que isso se passará até ao final dos meus dias, tenho a sensação de dever incumprido como areia da praia que escorre nas nossas mãos.&lt;br /&gt;Nesse limiar entre a esperança e o what's the matter doc expelido com sotaque irlandês forjei eu a minha capa contra tudo o que é mundano.&lt;br /&gt;Agora, tanto eu como o coelho escapamos da mesma sorte mortal e mastigamos cenouras com ar despreocupado ao canto da história. No palco príncipal o jogo é muito mais subtil e compõe-se da multiplicação de mentiras.&lt;br /&gt;Chamem-lhe hipocrisia ou simples maldade, quem o invoca pereceu com as mesmas armas que não soube empregar, mas o que sustenta os sorrisos são esses pregos enferrujados entre a ambição e a loucura.&lt;br /&gt;E eu esqueci-me de tomar a minha vacina do tétano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho entrou na silly season e detém-se agora numa parede de tijolos, a gerência vai de férias e volta com melhores ventos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a porta não fechar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RDCS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The worst part of hell is leaving it.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-9222911829513060099?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/9222911829513060099/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=9222911829513060099&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/9222911829513060099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/9222911829513060099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/06/sndrome-de-alice.html' title='Síndrome de Alice'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/RmIpVKWod6I/AAAAAAAAAF8/99y1GkOKiCE/s72-c/Cheshire+Cat.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-354536305722951372</id><published>2007-05-31T02:19:00.000+01:00</published><updated>2007-05-31T02:40:28.890+01:00</updated><title type='text'>~</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/Rl4ng6Wod5I/AAAAAAAAAF0/xIJWq3jCg9c/s1600-h/flipper%5B80%5D.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/Rl4ng6Wod5I/AAAAAAAAAF0/xIJWq3jCg9c/s320/flipper%5B80%5D.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5070533676839237522" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div  style="text-align: center;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;TILT&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-354536305722951372?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/354536305722951372/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=354536305722951372&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/354536305722951372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/354536305722951372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/05/blog-post.html' title='~'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/Rl4ng6Wod5I/AAAAAAAAAF0/xIJWq3jCg9c/s72-c/flipper%5B80%5D.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-5209741501345012441</id><published>2007-05-31T00:06:00.000+01:00</published><updated>2007-05-31T00:09:05.892+01:00</updated><title type='text'>Eu fui à feira</title><content type='html'>Hoje fui à feira do livro no Porto, e senti-me como uma criança numa loja de doces, com a vantagem de ninguém poder dizer que isso se deve a uma fixação oral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dixit&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E já agora, discordo que aquilo se chame uma feira, onde é que estão os livros contrafeitos a 5 euros, humm?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dixit&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-5209741501345012441?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/5209741501345012441/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=5209741501345012441&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/5209741501345012441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/5209741501345012441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/05/eu-fui-feira.html' title='Eu fui à feira'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-7767553537004112542</id><published>2007-05-30T23:19:00.000+01:00</published><updated>2007-05-31T00:04:22.325+01:00</updated><title type='text'>Big Brother</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/Rl4C7KWod4I/AAAAAAAAAFs/5VxtAe-Dzpk/s1600-h/big-brother.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/Rl4C7KWod4I/AAAAAAAAAFs/5VxtAe-Dzpk/s320/big-brother.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5070493445880575874" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Isto é Orwelliano, mas vou tentar disfarçar com um pouco de serviço público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certas pessoas vieram parar aqui, pesquisando na internet pelas seguintes palavras-chave:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"the way daniel blog" - Parabéns! Veio ao sítio certo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"o que é cartaz" - não sabe o que é um cartaz, mas sabe utilizar a internet... estranho não acham?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"ressaca de mentiras" - deve ser complicada, por isso é que eu prefiro a ressaca com um bom tinto alentejano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"como usar bacardi" - provavelmente foi o mesmo que fez a pesquisa anterior, procurava algo mais leve, acabou por vir parar ao mesmo blog por razões que só o google conhece...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"10 coisas que odeio em ti" - eu a esta respondo: sou um cabrão egoísta e narcisista que disfarça uma insegurança gritante com a arrogância e prepotência própria de quem é fraco. Quantos são? Só 7? Idiota e Intransigente. E também tenho uma cicatriz na ponta do nariz de quando tive varicela. Parabéns, chegou ao sítio certo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"dor no lado direito lombar quando respira" - a anatomia tem destas parvoíces. O pilar de inserção diafragmático do lado direito extende-se até L3, enquanto o do lado esquerdo só vai até ao L2, o que causa uma disfunção rotacional de L2 sobre L3 ou de L3 sobre L2 o que pode causar dor lombar quando se respira. Manipulação em L2, L3 controlada resolve o assunto num instante. Parabéns, chegou ao sítio certo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"explique "esperança"de pandora" - eu gosto particularmente desta. Antes as pessoas tinham dúvidas e perguntavam aos padres, depois aos professores, aos psicólogos, etc. A maravilha da tecnologia é tanta que já permite perguntar directamente a um motor de busca. Ao acabar este post, vou googlar: diga-me qual é o sentido da vida. Quando aparecer o resultado, acendo uma vela em frente do pc e decoro com flores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"há pessoas que nunca se enganam e raramente têm dúvidas" - eu não sou uma delas, lamento. Veio ao sítio errado. Em alternativa pode ir &lt;a href="http://www.portugal.gov.pt/Portal/PT"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Aí chegou ao sítio certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"imagens de cobras giboias"- tenham medo, tenham muito medo. (eu tenho)...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"kilo de nozes  custa 2007" - se as tivesse, vendia caro, porque sou uma pessoa sem escrúpulos. Veio ao sitio errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"mentiste" e "mentiste demais" - eu prometo que aqui só falo verdade. Veio ao sítio errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"musica andei e encontrei a minha outra parte alma gemea preferida amor alem da vida" - ai os românticos e as suas canções cheias de rima, reparou que eu não tinha esta letra quando viu o meu fundo negro? Se fosse cor de rosa ou fúcsia ainda vá que não vá, agora preto?? Já agora, como é que eu conheço a cor fúcsia, já dei em decorador de interiores, por acaso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 últimas para terminar, que se complementam, e que deixo por comentar, porque me deixam sem palavras de tão estranhas: mas quem é que veio aqui parar com isto?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"peça amor daniel costa"&lt;br /&gt;e&lt;br /&gt;"o amor esteve aqui daniel costa"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-7767553537004112542?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/7767553537004112542/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=7767553537004112542&amp;isPopup=true' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/7767553537004112542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/7767553537004112542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/05/big-brother.html' title='Big Brother'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/Rl4C7KWod4I/AAAAAAAAAFs/5VxtAe-Dzpk/s72-c/big-brother.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-2812484456770892232</id><published>2007-05-28T23:29:00.000+01:00</published><updated>2007-05-29T00:19:33.437+01:00</updated><title type='text'>Cronófago</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/RltjEqWod2I/AAAAAAAAAFc/vmRtjVpIr4w/s1600-h/real_backward_clock.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/RltjEqWod2I/AAAAAAAAAFc/vmRtjVpIr4w/s320/real_backward_clock.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5069754737275467618" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"(...) o corpo quente, tornou-me o sangue frio (...)"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o tempo pára falo com bustos de pedra.&lt;br /&gt;Quando o tempo pára faço rodar uma bola de cristal na mão.&lt;br /&gt;Quando o tempo pára acendo uma fogueira com as minhas próprias memórias onde deixo requentar num caldeirão o teu doce veneno.&lt;br /&gt;Sabe-me melhor assim do que frio.&lt;br /&gt;Quando o tempo pára finjo que o mundo me entra em polegadas, e martelam-me a cabeça constantemente enquanto é dia.&lt;br /&gt;Quando o tempo pára encho-me de drogas e saio à rua para as vender às criancinhas.&lt;br /&gt;Mas que culpa tiveram elas nesta história, mas por deus, que alguém nos salve dos loucos deste mundo e preserve o seu futuro, onde estão as mães, as mães conscienciosas a rezarem terços conscienciosos, ajoelhadas sobre os seus joelhos pisados, ajoelhadas sobre a madeira envernizada, onde estão os pais que trabalham ao sol, onde estão os pais e os seus ordenados, onde estão eles com os seus carros, onde estão.&lt;br /&gt;Quando o tempo pára, eu saio à rua com 2 facas na mão.&lt;br /&gt;Quando o tempo pára, eu saio à rua e deixo o coração em casa.&lt;br /&gt;Mas meu deus, o desencanto, quem lhes tirou os sonhos e a esperança, quem lhes disse que o futuro não vai ser melhor, quem os encarcerou entre arranha-céus e lhes deu televisões por cabo, telemóveis, plasmas e cigarros, quem lhes vende as drogas e lhes trafica os pecados, quem  faz deles criminosos?&lt;br /&gt;Quando o tempo pára, há as horas de ponta.&lt;br /&gt;Quando me vendem futuros, como casas rurais pedindo restauro, levam a sua comissão em sonhos e o presente em bocados.&lt;br /&gt;Quando o tempo pára, quem me leva esta dor?&lt;br /&gt;Peço para ser são e rodeiam-me de loucura, de bastos processos de indiferença, de despudores preconceituosos, porque são pretos, porque são gays, porque são brancos, europeus e decadentes, porque são americanos em armaduras e cavalos brancos.&lt;br /&gt;Quando peço para ser são e rodeiam-me de loucura, de dragões e indiferenças, de pecados e indiferenças, de virtudes e indiferenças, e deixam-me envelhecer porque me dizem que os valores que eu defendo já definharam e eu não dei conta, porque o normal me surpreende, porque o meu corpo é distónico.&lt;br /&gt;Quando o tempo pára, vedo o meu corpo ao desconforto.&lt;br /&gt;E adormeço no meu quarto embalando a indiferença.&lt;br /&gt;Os meus heróis morreram quando eu era novo e os de agora são fantasmas que ninguém reconhece, que ninguém descobre na multidão uniforme como a merda de um tapete de relva de cor verde enjoativa que se contorce e balança sem se importar para que lado pende, desde que penda para o mesmo lado.&lt;br /&gt;Quando o tempo pára, trazem-me vinho e uma mulher.&lt;br /&gt;Uma mulher que se oferece e não compreende que não pode ter ambos, corpo e alma por eu ser um só, ou uma mulher que eu não compreendo porque não sei olhar para baixo nem para cima, tragam-me antes o vinho antes que azede.&lt;br /&gt;Porque quando o tempo pára...&lt;br /&gt;O tempo pára.&lt;br /&gt;Pára!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-2812484456770892232?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/2812484456770892232/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=2812484456770892232&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2812484456770892232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2812484456770892232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/05/cronfago.html' title='Cronófago'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/RltjEqWod2I/AAAAAAAAAFc/vmRtjVpIr4w/s72-c/real_backward_clock.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-4306425340322852018</id><published>2007-05-23T23:57:00.000+01:00</published><updated>2007-05-24T01:31:24.240+01:00</updated><title type='text'>Meme</title><content type='html'>A autora deste &lt;a href="http://mentacutilante.blogspot.com/"&gt;excelente blog&lt;/a&gt;, que tenho com orgulho na minha lista de leituras diárias, desafiou-me para escrever um &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Meme"&gt;meme&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Honra lhe seja feita, o certo é que o meme que ela escreveu resultou num &lt;a href="http://mentacutilante.blogspot.com/2007/05/paraso-natural.html"&gt;texto delicioso&lt;/a&gt; que me fez voltar aos meus tempos de infância.&lt;br /&gt;Não sei se me atrevo a tanto, mas o certo é que este desafio proporcionou-me um mergulho muito interessante nos meus próprios paraísos naturais, coisa que desde já aproveito para agradecer. Não sei igualmente se estarei à altura mas aqui vai:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paraísos naturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasci há 23 anos, nesse extremo do mundo que chamaram atrás dos montes.&lt;br /&gt;Antes de saber ler já me tinha apaixonado por um paraíso muito particular. Ao contrário do geral, o meu paraíso estava encerrado em muros de granito. Se lhe faltavam anjos e harpas, abundavam o silvedo e as gestas. Se o maná não me caía do céu nascia-me certo no topo da figueira que escalava e sabiam-me a mel os figos que lá colhia requentados pelo sol.&lt;br /&gt;Depois de saber ler quiseram-me encantar com contos tradicionais, não daqueles que contam os irmãos Grimm mas aqueles que me sabiam a granito e a seiva por serem tão nossos. Mais tarde quiseram-me encantar com Miguel Torga, esse enorme homem e escritor cuja única coisa que o excedeu em vida foi a terra que o viu nascer.&lt;br /&gt;Mas nada disso me bastou.&lt;br /&gt;Na terra dos meus antepassados, certo lugarejo perdido nos montes que mesmo nos tempos mais áureos não excedeu a centena de habitantes, há certa casa em ruínas que eu esvaziei do que valia com as minhas próprias mãos. É certamente uma casa rude feita de enormes blocos de granito e pranchas de carvalho. O seu parco recheio, pelo contrário, de rude nada tinha. Um dos meus antepassados, homem habilidoso com as madeiras, esculpiu cada móvel com as mãos, e cada um, melhor do que o outro, carrega um empenho muito próprio em embelezar e curvar as linhas de um mundo que de todo se completa em arestas.&lt;br /&gt;Decerto particularidades desse homem, rude como a terra que o viu nascer, com a 4ª classe, mas que, como poucos, possuía um espírito livre como o céu que parece tão longe aqui, como eu não vi em mais nenhum sítio.&lt;br /&gt;Voltava ele de Chaves, pela tardinha, encontra já próximo da povoação um seu vizinho, que sabendo-o pai de gémeos pouco tempo atrás intuiu a razão da sua viagem:&lt;br /&gt;-olá vizinho, vem de registar os raparigos?&lt;br /&gt;-sim vizinho.&lt;br /&gt;-atão que nome lhes botou?&lt;br /&gt;-bem, ia eu descendo a corga, o sol estava a nascer com aquela aurora, e eu só me lembrava da luz do senhor jesus cristo nosso perpétuo socorro, e vai daí a mais moça vai-se chamar de Perpétua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi assim que tenho uma avó chamada Perpétua. Do rapaz, seu gémeo falso, não vale a pena dizer seu nome por respeito aos mortos, no Inverno a seguir ao nascimento de ambos, pelo frio que aqui abunda ou pelos agasalhos na altura escassos, adoeceram os dois a tal ponto que o Paizinho, perdendo a fé que lhe restava da inútil visita ao médico, encomenda os caixões e entrando com eles em casa, apenas acha um corpo para lá pôr, pois a Perpétua, fazendo jus à inspiração do seu nome, arrebitou e ainda por cá anda, oxalá por muitos anos.&lt;br /&gt;Muito antes de haver Perpétua, o Paizinho andou pela Flandres a matar alemães em nome duma pátria que nesse tempo, como hoje, se revela ingrata e distante. Companheiro foi do Milhões, certo soldado afamado, do qual se conta que fez razia entre as linhas inimigas, agachado atrás de um animal morto agarrado à sua metralhadora ganhando com isso a morte e uma medalha.&lt;br /&gt;Sobre ele dizia o Paizinho aos serões, que o que lhe sobrava não era coragem mas sim falta de inteligência, pois enquanto os companheiros retiravam face à esmagadora superioridade adversária, ficou lá ele a distribuir metralha.&lt;br /&gt;Ele teve mais sorte, depois de disparar a sua conta de balas, foi feito prisioneiro pelos Alemães. Da frente da batalha foi transferido para Bruxelas e daí, abreviando etapas, para a Polónia. Quase um ano volvido sobre o fim da I grande guerra, conseguiu passagem para Helsínquia, e dali para Lisboa, fazendo-se passar por Italiano, pois já perdera esperanças (e não valia a pena mesmo tê-las) que o governo Português se dignasse a pagar o seu resgate e regresso.&lt;br /&gt;No campo de prisioneiros Polaco, escapou à fome e à pestilência, graças não a mantimentos portugueses mas sim à sua habilidade como carpinteiro. Certo abastado homem Polaco, querendo fazer umas portas carrais para a sua casa e na falta de homens válidos, desloca-se ao campo para requisitar alguém. Ficou o Paizinho, e tanta mestria mostrou que lá ficou quase até ao final da guerra, fazendo móveis para esse homem, e matando a fome na sua despensa.&lt;br /&gt;Um dos que fez cá, carreguei-o eu, com as minhas mãos. Curioso como sou, abri uma das suas gavetas, que já não era aberta aos anos, para lá encontrar duas ampolas onde se lia num autocolante amarelecido "Padutina-Depósito 40 U. Biol." e "Dissolvente de Padutina" ambas da Bayer. Depois de misturadas, destinavam-se a ser injectadas não pela mão de uma enfermeira, mas sim de uma senhora que, frustrado o seu sonho de estudar para ser uma verdadeira enfermeira, aprendia por tentativa e erro nas vítimas que lhe apareciam, e que não eram assim tão poucas, pois o hospital mais perto distava quase 30 km e não havia paciência para lá ir e voltar todos os dias.&lt;br /&gt;A propósito essa senhora chama-se Perpétua.&lt;br /&gt;Vários anos passaram e um descendente desses indivíduos anda por cá a aprender em livros o que os outros aprenderam fazendo, ou repetindo os passos que os outros fizeram em guerra, e que agora os deu em paz, para aprender a dar vida em cardiologia e cuidados intensivos. Será que eles sonhavam com isso?&lt;br /&gt;E porque no meu corpo também corre sangue minhoto, recordo-me da primeira vez que comi papas de sarrabulho debaixo de uma latada. A minha avó estava presente, que a deusa a tenha, com um coração tão grande (tão grande que até lhe falhou) a acolher-nos a todos no seu regaço. Foi aí que eu vi pela primeira vez o milagre da multiplicação. E não foi de pão, porque há fomes piores que a do pão e eu que já vivi ambas o sei, mas sim de amor. Vi como ela dividia o que tinha entre todos e este nunca ficou menor, e que a memória não me falhe quando digo que não vi nenhum de nós reclamar por ter um pedaço menor.&lt;br /&gt;Paraíso natural.&lt;br /&gt;Há-os de várias formas talvez.&lt;br /&gt;Como os marcos de granito que marcam as extremas do corgo. Para quem não conhece, dirá que aquilo tudo é mato. Eu vejo rastos de javalis pelo meio e sei onde ficam os carvalhos e aquela rocha que parece um ventre prenho.&lt;br /&gt;E carrego-o dentro de mim.&lt;br /&gt;E não carrego só um, carrego todo um mundo de paraísos e sonhos dos que já ficaram e dos que ainda estão por vir.&lt;br /&gt;E não me preocupa passá-los, porque quando morrer, eles vão voltar para o sítio de onde vieram.&lt;br /&gt;Se me encantam estas paisagens agrestes, este granito, esta poeira e estes rios, é porque me vejo neles, e sei que um dia também eu farei parte deste mundo. Porque por mais mundo que veja apenas a isto eu sei chamar lar.&lt;br /&gt;Como outros atrás de mim.&lt;br /&gt;E eu carrego os seus sonhos, como blocos de granito, ou os seus paraísos como rios onde outros saciam a sede.&lt;br /&gt;É este o meu paraíso, e para mim é natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Avistei minha querida terra&lt;br /&gt;Quando cheguei ao barracão&lt;br /&gt;E me alembrou que ia para a guérra&lt;br /&gt;Como ficou meu coração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que lhe estava dizendo adeus&lt;br /&gt;Se cálha para nunca mais&lt;br /&gt;E já contava de ir para à guérra&lt;br /&gt;E sem me espedir de meus pais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixar pái e mãe e mânos&lt;br /&gt;Tôda a familia a chorár&lt;br /&gt;E assim partir para a guérra&lt;br /&gt;Para morrêr ou matar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digote adeus térra querida se te não&lt;br /&gt;Tórno a ver infeliz sorte será a minha&lt;br /&gt;Mas se te tórno a ver&lt;br /&gt;Chorarei de alegria"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Excerto do livro "Recordações da Grande Guerra" escrito por António dos Santos Pereira, meu Bisavô nascido no lugar da Amoinha Nova, freguesia de S. Thiago de Alhariz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.- Tudo o que aqui foi escrito é verídico. Subverti intencionalmente o conceito de meme, o que transmito são ideias veiculadas através de um texto da minha autoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo o meme (aka batata quente) para:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://astolfinho.blogspot.com/"&gt;Astolfo&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://nowiknowiwaswrong.blogspot.com/"&gt;Roger&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://newcitadel.blogs.sapo.pt/"&gt;Morgaine&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.astolfinho.blogspot.com/"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-4306425340322852018?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/4306425340322852018/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=4306425340322852018&amp;isPopup=true' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/4306425340322852018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/4306425340322852018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/05/meme.html' title='Meme'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-472065259806147206</id><published>2007-05-18T15:25:00.000+01:00</published><updated>2007-05-18T15:47:30.017+01:00</updated><title type='text'>Daniel's Twist</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/Rk276qWod1I/AAAAAAAAAFU/vUH9Mgrm1zE/s1600-h/morango.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5065911772337698642" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/Rk276qWod1I/AAAAAAAAAFU/vUH9Mgrm1zE/s320/morango.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nova receita, desta vez uma sobremesa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Graças às minhas características anárquicas confesso que fazer bolos não é a minha especialidade, tenho uma tendência natural para errar as medidas, por isso esta sobremesa é das poucas que me sai bem... pudera, as medidas são pré formatadas!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Mousse de Morango&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ingredientes:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;1 lata de leite condensado;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;3 iogurtes naturais;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;500 gramas de morangos (esta nem eu acredito...);&lt;/div&gt;&lt;div&gt;6 folhas de gelatina pequenas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Confecção:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mistura-se o leite condensado com os iogurtes envolvendo bem. Eu prefiro envolver com uma espátula, desta maneira asseguro que a mouse fica cremosa, se batesse ficava mais esponjosa, por isso fica ao critério de cada um, como preferirem, esponjosa ou cremosa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com uma varinha mágica desfaço os morangos previamente lavados. Esqueçam a medida das 500 gramas, ponham a gosto. E não insistam muito, é só uma pequena passagem com a varinha mágica, para quando comerem a mousse encontrarem pedacinhos de morango lá no meio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Envolvam os morangos com o resto dos ingredientes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Coloquem as folhas de gelatina em água fria para amolecerem durante uns 10 minutos. Retirem e dissolvam em água muito quente (2 dl). Juntem ao que tinham feito anteriormente, envolvam bem e tenham o cuidado de verificar que se encontra muito bem dissolvida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Coloquem numa taça funda, levem ao frigorífico durante 1h30 a 2h e está pronto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agora, experimentem e contem como foi!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;P.S. a receita deste mês é complicadíssima, por isso sejam preguiçosos, imprimam uma cópia e levem às vossas mães para elas experimentarem...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-472065259806147206?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/472065259806147206/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=472065259806147206&amp;isPopup=true' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/472065259806147206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/472065259806147206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/05/daniels-twist.html' title='Daniel&apos;s Twist'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_5ZS8f65VxzY/Rk276qWod1I/AAAAAAAAAFU/vUH9Mgrm1zE/s72-c/morango.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23458327.post-2211594691379729572</id><published>2007-05-15T00:26:00.000+01:00</published><updated>2007-05-15T00:37:29.973+01:00</updated><title type='text'>A elegia</title><content type='html'>Debaixo das minhas mãos&lt;br /&gt;Eu dei-te vida&lt;br /&gt;Debaixo das minhas mãos&lt;br /&gt;O teu sangue&lt;br /&gt;Todos os teus tecidos pulsantes&lt;br /&gt;Toda a tua alma síncrona&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atrás das minhas mãos&lt;br /&gt;Toda a vontade e força&lt;br /&gt;Atrás das minhas mãos&lt;br /&gt;Eu pedia&lt;br /&gt;O meu melhor&lt;br /&gt;Para ti&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora que regressas como amor&lt;br /&gt;Espalhado em cada coração fértil&lt;br /&gt;Como chuva sobre uma terra árida&lt;br /&gt;Sabe,&lt;br /&gt;Que se eu não te soube dar vida&lt;br /&gt;Dou-te um raio de sol&lt;br /&gt;E o meu calor&lt;br /&gt;Até ao fim dos meus dias&lt;br /&gt;Se eu não te soube dar vida&lt;br /&gt;Soube abrir-te as portas do céu&lt;br /&gt;E derramar sobre ti,&lt;br /&gt;Uma singela oração...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dedicado a Sra C.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23458327-2211594691379729572?l=alwaysonroad.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/feeds/2211594691379729572/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23458327&amp;postID=2211594691379729572&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2211594691379729572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23458327/posts/default/2211594691379729572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alwaysonroad.blogspot.com/2007/05/elegia.html' title='A elegia'/><author><name>Daniel C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10887642461338289341</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5ZS8f65VxzY/SzFucW_yi9I/AAAAAAAAALM/J-0PixrdDf8/S220/dali_head_exploding.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry></feed>
